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sexta-feira, 14 de abril de 2017

#BRUMAS DE ATOS FALHOS** - PINTURA: Graça Fontis/AFORISMO: Manoel Ferreira Neto


Múltiplas perspectivas pretéritas, multi-faceladas imagens im-perenes, multi-facetados ângulos des-perpétuos projetados de angústias e náuseas nas amuradas cujos raios de sol incididos foram sombras, foram brumas e, observados sob as acuidades do lince do olhar, são a alma do nada, o vazio passeia nas contingências plenas, o idílio do in-finito prepara o vôo para outras dimensões do volo do Verbo e do Ser.
Se morresse hoje, numa calçada de rua qualquer, vítima de enfarto fulminante, seriam dois dias após haver percebido a essência do nada é o vazio nas sombras projetadas nas amuradas do mundo, sombras de imagens, sombras de perspectivas, sombras de ângulos, brumas de atos falhos nos abismos da "in-cons-ciência", sob os pés que trilhavam os caminhos, o silêncio da gruta de estalactites circunspecto e introspectivo à beira da lagoa onde os pingos de água das estalactites caem, o vácuo do abismo de ponta cabeça voltado às ilim-itudes do infinito. Não houvera tempo de traçar as suas sendas, veredas, sarapalhas, sentindo no subterrâneo do espírito as luzes a brilharem os caminhos de, porventura, trevas, aquele sorriso límpido nos lábios de quem, alfim, realizara o grande sonho, mas os dois dias foram in totum suficientes para dizer: "Fiz o meu destino até chegar à essência do nada que é o vazio. O que é isto, não é verdade"? Uma pequena frase ouvida na tenra infância modifica por completo a vida: "Não se deve morrer em brancas nuvens", isto significando há-de se fazer a vida. Entendi como tendo de fazer o destino. Fi-lo..."
Não feneci ontem, a morte arrepiou carreira impreterível de mim, meus voluptuosos etéreos mostrariam o fugaz de que é constituída, morreria eu, mas ela, a morte, não seria mais eterna, perene, perpétua por todo o infinito após a consumação dos tempos.
Não feneço hoje, após perambular, deambular, vagabundear, vagar por todos os espaços e sítios, a morte espreita-me frágil e insegura, espera de mim aquela palavra inócua e inóspita: "Arraste-se para trás na sarjeta da dialética do fim e do início, do ser e do nada..." Morrerei nalgum amanhã, quando a morte, em traje de gala, far-se-á presente à soleira da sepultura para ter a certeza de que nada mais sobra de mim, assim podendo seguir gangorrando no trapézio das travessias.



A vida é individual.
O tempo é individual.
A morte é individual.
O absoluto do ser é o nada do não-ser
E o nada do não-ser é o ser do absoluto.



Ritmo de músicas
Transcende a vida e a morte,
Regendo linguagens do dito,
Interdito estilo da saudade e melancolia,
Querência e ilusões do ter sido
No ambíguo ato de jogar sobre a mesa
As leis naturais do sentido e significado,
Magnífico retrato dos sentimentos comungados
À poiésis da metafísica,
Às idéias re-colhidas e a-colhidas
Nos horizontes pretéritos das experiências,
Aos sonhos e utopias do belo contingente,
Da beleza transcendente,
No silêncio eloqüente da floresta silvestre,
Con-templar as águas brancas do Infinito
No seio des-encarnado de senso,
Contra-senso,
Comungar linhas e entre-linhas
Nas além-linhas do orgasmo,
Da magia.



(**RIO DE JANEIRO**, 14 DE ABRIL DE 2017)😆


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