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segunda-feira, 24 de abril de 2017

#SEDUÇÃO LÚDICA DE RAIOS E BRILHOS# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


A partir de hoje cessam o curso das estrelas, do sol, do canto do galo, do trinar dos pássaros, ladrar dos cães, do evoluir das sombras, toda a natureza silenciar-se-á para mim diante dos traques-traques das achas de lenha que se queimam, tornam-se cinzas à mercê das chamas de fogo. Cessam o vozerio das virtudes, valores, princípios, a algazarra do poder e das importâncias, #a arte instrui-se na quietude#, tudo o que é profundo deve subir - à sua altura. E uma pergunta que se não quer calar presente em mim: "Quando é que alguma vez se conseguiu liquidar a natureza na imagem?"
A minha ínfima parcela do mundo é infinita! In-finitas as metafísicas do belo e da beleza, da imagem que os brilhos da lua pintaram, desenharam na superfície das águas que correm ao longo do rio. In-finitas as metafísicas do vento que sopra a poeira das estradas e ela invisibiliza a visão adiante. In-finitas as metafísicas do pastor que pastoreia as ovelhas no crepúsculo, con-templando furtivamente o panorama do vale que se estende a perder de vista. In-finitas as metafísicas dos raios numinosos do sol que rompem os espaços das árvores e performam de cores os espaços florestais, e os animais, répteis movimentam-se, a onça descansa tranquila na sombra de um arbusto após degustar a carne de sua presa, a cascavel ritma o seu chocalho, os cisnes banham-se nas águas da lagoa, o lobo uiva no pico da colina. In-finitas as metafísicas do encontro da lua com o sol, a sedução lúdica de raios e brilhos, o convite do sol para a lua visitar o lugar sereno atrás dele, piquenique na margem do rio do cócito. In-finitas as metafísicas do in-finito comungando universos e horizontes no seu seio pleno de in-finitivos verbos do pleno.
Plen-itudes silvestres per-vagando oníricos rios sem margens, às sorrelfas do tempo no per-curso sereno das águas, desde a fonte imaginária de límpidas e voluptuosas imagens na superfície artificiadas pelo brilho místico e mítico da lua, em que as perspectivas das nuvens brancas e cinéreas re-fletem a solidão dos astros, por instantes fugazes o vento sarapalha gotículas das águas, e as imagens se performam desfaceladas... As águas não deveriam levar estas imagens consigo ao longo da jornada percorrendo os espaços? Mas não. Não seria que passassem de por baixo delas, deixando-as no lugar onde foram desenhadas pelo brilho místico e mítico da lua?
Plen-itudes silvestres... Plen-itudes silvestres... Sendas e veredas sarapalhadas...


(**RIO DE JANEIRO**, 24 DE ABRIL DE 2017)


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