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domingo, 16 de abril de 2017

**E A ÁGUIA QUIS SABER..." - PINTURA: GRAÇA FONTIS/AFORISMO: Manoel Ferreira Neto


E a águia quis saber o porquê de o sol só olhar a lua, olhar introspectivo, circunspecto, nenhuma cintilância dirigiu-lhe.
E a águia quis saber a razão de o coelhinho ser símbolo da páscoa, sendo que coelho não bota ovos, inda mais de chocolate - que imaginação fértil é esta?
E a águia quis saber o motivo de a cobra não ter patinhas, arrastar-se pelo chão - seria que não ter patinhas aguçava-lhe intensamente os instintos?
E a águia quis saber a causa de a madrugada ser o início, nascer do dia, de só nela o orvalho umedecer as folhas, a natureza; a noite ser o fim do dia.
E a águia quis saber como o conhecimento torna-se sabedoria, a sabedoria alimenta os desejos do livre arbítrio, da liberdade, e como semeá-la no mundo, dando o fruto do amor e da paz.
E a águia quis saber só a água apagar o fogo, ser-lhe a inimiga congênita.
E a águia quis saber de que modo o machado e o tronco da árvore harmonizarem-se - não seria para que cada ação há uma reação igual e contrária.
E a águia quis saber o porquê de as gotas de chuva deslizarem-se no vidro das janelas, brotando no coração dos homens saudades, melancolias, nostalgias, aguçando-lhes a sensibilidade, criando novos sentimentos e emoções, outros desejos e vontades de liberdade.
E a águia quis saber a razão de o vazio re-colher e a-colher o múltiplo, ser a luz da totalidade, do absoluto, do divino.
E a águia quis saber o homem bom jamais dizer a verdade, ao lado da má consciência crescerem todas as ciências.
E a águia quis saber a história dos dogmas e preceitos haverem eternizado na alma humana, serem frutos apetitosos de ideias e pensamentos, utopias para o novo homem, para novos tempos.
E a águia quis saber que história é esta de a religião ser a salvação dos pecados, dos pecadilhos, ser o eidos da ressurreição, da felicidade eterna no paraíso celestial.
E a águia quis saber se as almas penadas do inferno queimam pela eternidade nas chamas da caldeira.
E a águia quis saber como é isto de a música trans-cender o tempo, sem a música a vida nada ser, tudo ser inútil, fútil.
E a água quis saber se Deus destinou seu filho à morte na cruz para libertar os homens do pecado.
Querendo saber. alçou o seu vôo milenar, sobrevoando florestas, bosques, mares, rios, abismos, vales, e continuará voando pelos milênios a fora, e só a liberdade do espírito humano será capaz de re-colher e a-colher as res-postas que ela cantará no espaço sem limites e fronteiras.


(**RIO DE JANEIRO**, 16 DE ABRIL DE 2017)⚙️


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