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domingo, 23 de abril de 2017

Ana Júlia Machado ESCRITORA E POETISA PORTUGUESA COMENTA O AFORISMO /**ARTE NÃO É APENAS PARA LOUCOS**/


A arte instruí-se na quietude, o temperamento no alvoroço da existência.
O costume é o temperamento dos patetas. E COMO NÃO gosto do trivial, inventar com verdade…criar…poetar…essa é a minha vida…pode ter custos elevados…mas sem riscos ninguém vaia aldo alguém….aos eruditos…poetas, no fundo às pessoas das arte, existe o hábito de apelidarem como loucos…sendo assim quero ser louca…não vivo do que os outros dizem…uma louca saudável…que arrisca e tenta viver….
Amigo e grande escritor Manoel adorei seu texto…somos loucos, óptimo. Mas felizmente, não corruptos, como os copinhos de leite que não sabem o que é a vida…e portanto são os grandes parasitas da nossa sociedade….os verdadeiros alienados enfermos. Se é loucura que se vê na arte de um grande pintor como Van gogh...que seja...pois eu só vejo ensinamentos e beleza...se tinha problemas...é natural...como qualquer ser humano. Magnifico texto e grande lição.


Ana Júlia Machado


#ARTE NÃO É APENAS PARA LOUCOS**
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Não é a loucura que vejo e observo num quadro de Van Gogh, a sua esquizofrenia, ou a epilepsia num romance do mestre Dostoiévski - o único que me administrou as lições das máximas mínimas da contingência, ipseidade, facticidade, em termos e perspectivas o símbolo, o signo da alma humana, mas a expressão livre de um homem, o dizer espontâneo de um indivíduo, a expressão livre de seu ser – só assim numa obra de arte me re-conheço, pro-jecto-me a outras visões e consciências do que sou, de quem sou, só assim numa obra de arte sou capaz de trans-cender e ver além de minha contingência, dores e sofrimentos, alegrias e felicidades, de meu estar-no-mundo, de sonhos e esperanças da eternidade, do eterno da morte e de cinzas, só assim numa obra de arte posso sentir que a criatividade me eleva e me real-iza, transforma-me, torna-me outro na outridade de meu íntimo e de todas as suas dimensões de êxtases e prazeres, na alteridade dos recônditos e regaços dos instintos ávidos de poder e liberdade, desejos e vontades, querências outras. Além de que nem todo o louco ou epiléptico, esquizofrênico é artista, a arte não é apenas para loucos, epilépticos, esquizofrênicos, esquizóides, hipócritas e imbecis, bufões; na arte, porque na escrita qualquer um deles pode fazê-lo, os hipócritas e os imbecis são os que mais têm livros nas estantes das livrarias, os esquizofrênicos mais se ajuízam os imortais, os que mais se aproximam da verdade, embora se lembrem de que o real só exista na imaginação fértil.
Toda a real-ização, por superior, implica o estar-no-mundo, ou seja a presença de um corpo nele. Pobre bocado de carne tão perecível, tão degradado na miséria que a cada instante o corrói ou ameaça.


(**RIO DE JANEIRO**, 22 DE ABRIL DE 2017)


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