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quinta-feira, 13 de abril de 2017

**ATRÁS DOS COELHOS DE AMANHÃ** - PINTURA: Graça Fontis/AFORISMO: Manoel Ferreira Neto


Das sombras que residem em suas bordas e alforjes, cogitos e algibeiras, aprecio-lhe, sobremodo, por pensar, sentir ser erudito, emocionar ser clássico, o que mais amo fazer, a erudição ilumina o que há de inconsciência no espírito de desejos latentes e manifestos, jamais esperando por isso ser sábio, pois que me livra incondicionalmente da baixaria da Modernidade, despautério de suas intenções de ser luz, de ser princípio de outros verbos e versos no imaginário da humanidade, de ser verdade no tabernáculo das esperanças e sonhos, senáculo olímpico de toda a mesquinharia de suas idéias e projetos, discursos empolados eivados de incólume poder e des-enfreada insanidade, no pináculo das vulgaridades do caráter e das personalidades mesquinhas; quê tempo estranho e esquisito este, comungando tabernáculo e senáculo!
Esperaram com o coração nas mãos feitas concha que a Modernidade desse as respostas a todas as coisas, mas não dera alguma, o que fizera foi ainda mais aumentar os questionamentos, confundir os alhos com os bugalhos, noutra linguagem, bagunçar o coreto das necessidades e ausências, da falta do ser e do ser insuflado de in-verdades e ideologias vãs, do aqui-e-agora, mediocridade do porvir e do vir-a-ser, não que conheço a fundo as suas estratégias de construção no que tange aos questionamentos do efêmero e eterno, valores e virtudes da verdade transparente, construindo idéias com as palavras, criando utopias com os sentidos, fé e esperança com a continuidade do “Ser” que se faz continuamente, uma verdade que em mim vive e que dela não consigo, mesmo que fizesse todos os esforços possíveis, os impossíveis não fossem esforços, labutas e lutas, porém esperanças, desvencilhar-me das escravidões do tempo nos seus séculos e milênios, fazendo com que sejam múltiplos, não havendo qualquer chance de prendê-los, algemá-los, acorrentá-los a algumas verdades que res-pondam ou correspondam àquilo de dizer que a porteira de Ouro Fino está aberta à passagem da vida à luz da morte, que dêem a última e derradeira palavra aos interesses e ideologias da meia-noite, dos mistérios do lobisomem das culturas, dos pensamentos, atrás do mato de hoje, haverá coelhos, atrás do mato de amanhã, haverá coelhos e mais coelhos, atrás dos coelhos de hoje os matos de ontem foram íngremes, atrás dos coelhos de amanhã, os matos de hoje se estenderão pelos chapadões e abismos, por todos os cantos e re-cantos do sertão seco e íngreme, que tanto amo e sonho outros panoramas de perspectivas do amor e solidariedade, panorama de miséria a olhos nus, a multiplicidade deles re-vertesse as entre-linhas em linhas, vice-versa, e não ec-sistissem condições de discerni-las com inteligência, razão, mesmo com todas as tramóias do intelecto e sensibilidade, tendo de considerá-las únicas para que algum entendimento, compreensão seja não apenas trans-parente, mas que trans-cenda a mera contingência da vida, o bem e o mal, a virtude e a calhordice, os regaços da alma e os córregos dos instintos à flor da terra ou escondidos por vegetação rasteira, como posso observar sempre que me encosto na ponte do Córrego Santo Antônio, por vezes observando o prédio do hospital acima, onde abri os olhos no mundo, nalgumas viagens que empreendo e real-izo em busca de outras ins-pirações para id-ent-ificar a espiritualidade dos homens no misticismo e no mítico da fé e esperanças da “UTOPIA CRISTÃ NO SERTÃO MINEIRO”, o esgoto aberto a todas as manifestações da natureza, expressem a verdade ou mentira dos contrastes da vida contingente ou social, política e econômica, dizem do péssimo ou divino odor, até as narinas são livres para confundir o que inalam, que infesta todos os horizontes da terra.


(**RIO DE JANEIRO**, 14 DE ABRIL DE 2017)🤔


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