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sábado, 22 de abril de 2017

#DO CALOR DO SANGUE DA ARTE# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


O infinito ou o Absoluto espera-me ainda do mesmo modo, a Arte realiza a presença deles no particular que os exprime, mas o Absoluto é meu e a Infinitude é de mim, do "mim-mesmo" que é só sorrelfa da eternidade da alma. No estrito domínio humano nada do que o excedia se perdeu e a Arte foi ainda o substituto divino. Emoção única, tão indizível, nós compreendemos bem que o seu excesso apelasse para um mais do que ela e irresistivelmente se desse um nome a esse excesso. Frêmito estranho, ele revela o seu indício quando a obra não está ainda aí a justificá-lo e uma vasta extensão dele re-entra assim no domínio artístico. Porque a obra de arte é a corporização desse abalo original, a encarnação dele em realidade sensível, é a verbalização dele em ser. Quando a obra surge, o frêmito condensa-se nela própria e ela funciona assim como o ponto de partida para a sua recuperação. Mas a emoção que está nela e nela se concentrou é uma possibilidade realizada para outro arranque possível, porque a emoção é o próprio apelo do homem, porque o sentimento é a própria evocação do indivíduo, do calor do seu sangue. Eis porque, tocados do sopro humano, mil realidades da vida podem reerguer-se ou aprofundar-se no que as habita. Ao olhar divino do homem, uma simples pedra fala a voz da divindade. A um olhar humilde e profundo, a vida inteira pode asceder à transfiguração.


(**RIO DE JANEIRO**, 22 DE ABRIL DE 2017)


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