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domingo, 30 de abril de 2017

**PERGUNTAS ANTES DE QUAISQUER PERGUNTAS** - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


O que é silêncio sem a solidão? O que é o verbo sem o infinitivo? O que é o ser sem o tempo? O que é o não-ser sem o nada? O que é a vida sem o amor? O que é o homem sem a luz? O que é o fim sem a esperança? O que é o arrebique sem o ornamento? O que é o cafundós sem as pre-fundas? O que é o sentimento sem a música que o ritma e sonoriza? O que é o amor sem o sonho do verbo? O que é o olhar sem o horizonte a ser visto? O que sou sem você para me orientar nos caminhos para o infinito? O que sou sem as letras que me literalizam, trans-literalizam? O que é o alvorecer sem os primeiros raios de luz? O que é o verso sem a poesia do amor? O que é a morte sem a vida? O que é o desejo sem o prazer de senti-lo? O que é o sibilo do vento sem o olhar para o uni-verso do som? O que é fumar sem con-templar a brasa e a cinza? O que é a razão do homem sem a sensibilidade da mulher? O que é o útero da palavra sem a concepção do verbo? O que é Ana Júlia Machado sem a sua espiritualidade que mostra ao mundo a alma da vida? O que é Graça Fontis sem a imagem da eternidade dos sentimentos e a alma dos desejos e sonhos? O que é a pintura sem a poesia? O que é a canção sem o ritmo? O que é a água sem a sede?
Abro a porta da sala de estar e con-templo a manhã que está alvorecendo, imagino-me passeando num campo de lírios e orquídeas. Deito-me na rede da varanda.


(**RIO DE JANEIRO**, 30 DE ABRIL DE 2017)


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