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quinta-feira, 1 de junho de 2017

#A CHAVE DO REAL ABRE A PORTA DA REALIDADE# - Graça Fontis: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Penso a tristeza de palavras não compreendidas - inteiro encontro-me inquieto e busco uma posição de dormir. Penso a angústia de atitudes não compreendidas - sou uma irritação difícil e intenciono um estilo de apanhar o sono. Penso o vazio de sentimentos não correspondidos - sou uma dor inestimável e desejo um modo de fechar os olhos. Penso as dores no processo da consciência - sou uma alegria estonteante e já estou me distanciando da vigília.
Inalo, entre lacônico e lascivo, a pureza de sentimentos e sensações. Uma beleza muda, silenciosa: a mudez de sentimentos lindos - uma correspondência de afetividade e sentimento.
Providas de significação e significado, estas palavras tecem a mim com luxo e requinte. Não consigo deixar de reconhecer: existe, neste sentimento de liberdade, qualquer coisa de espontânea.
Efemeriza-se o vácuo no interior da memória e, de suas dimensões temporais, exala a contingência dos desejos mais profundos. A necessidade de visão de vida mais sentida. A volúpia, que emana de si, esgota-se e renova-se a todo instante...
Com-preender e re-presentar o particular é o objeto específico da arte. E, ademais, enquanto nos limitarmos ao universal, a imitação pode ser realizada por todos, mas ninguém pode imitar o particular. Por que não? Por que os outros não o viveram. Carácter altamente pessoal de uma impessoalidade. De mim próprio sou hóspede secreto. A chave do real abre a porta da realidade.


Uma gota de mais e/ou de menos no corpo de minhas ausências.


(**RIO DE JANEIRO*, 01 DE JUNHO DE 2017)


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