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segunda-feira, 5 de junho de 2017

**BARÍTONO DO TEMPO E DOS VENTOS** - Graça Fontis: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO

Sons, silêncios, solidão. Ritmos, melodias, plen-itudes. Retalhos de ex-tases no tempo De in-finitas sublim-itudes, in-audita verve de infin-itivos e unos-versos, sentindo todo equilíbrio e toda leveza, voando como pássaro alongado com linhas infindáveis. Liberto as palavras e a voz suave como violino, abro as comportas do rio que me inunda e banha-me de águas, abro a mente aos pensamentos que me projetam além e performam a dança dos movimentos da vida à busca da verdade que de minhas entranhas partem as delícias  para onde nascem os volos da sinfonia vital do absoluto.
Com versos ad-jacentes às lumin-itudes do eterno, re-fletidos na imagem paisagística que re-vela a face trans-lúdica do tempo, ritma-se a verdade em conúbio de êxtases e prazeres os mais gloriosos com as utopias do absoluto, melodia-se o uni-versal das erudições em instantes de glória e celebridade os mais divinos e plenos, acordam-se as iríasis do vento que sopra de leste a neblina que cobre o horizonte e os picos longínquos, musicaliza-se o silêncio da lírica que epigrafa as dimensões da alma com a linguística e semântica dos volos da esperança, mas se con-vexa a travessia do verbo ao ser, pois o som estrídulo do in-finito não verbaliza a plen-itude do espírito, são versos de sons e não de luzes, antes dos sons as luzes se plen-ificaram no barítono do tempo, sons dos versos plen-ificam-se no inter-dito das luzes do ser a incidirem no in-fin-itivo dos caminhos do campo e cócitos da terceira margem do rio de águas sem destino, sem sagas.
Con-templar o mar ondulante, re-fletindo raios de sol, resplandecendo cintilâncias das estrelas, brilhos da lua.
Ouvir os pintassilgos em voos apaixonados inspirar o perfume da orquídea branca despetalando-se no alvorecer . Ouvir música serena, suave, bailar no in-finito de paisagens oníricas...
Vai-e-vem de estrela cadente ora cintila como diamante, ora esvaece no enigma do in-audito. Música e melodia bem cadenciados enchem minh´alma de ex-tases calando-se no junco brandas flautas de outono. No morro finda o vento do fim do dia.
Na floresta, há caminhos que, cerrados de vegetação, quase sempre se perdem de chofre no in-trans-itado, lenhadores e guardas da floresta conhecem os caminhos. A floresta é a fluência do verdor, estendendo-se de verde até não-verde através de articulações inesperadas de sempre mais e sempre novas cores. Na gênese, o verde se abisma em si mesmo e neste abismar-se gera um coração que, desaparecendo no mistério do verdor, deixa aparecer todas as cores da realidade.
Com versos re-fletidos na superfície lisa do espelho do sublime, metrificados de ex-tases das ilusões e fantasias do verbo do perpétuo edenizado de alegrias e felicidade in-auditas, metaforiza-se a alma sedenta de clímax e gozo, sin-estesia-se a memória ansiosa por trans-literalizar os éritos e éresis do tempo em sêmens da beleza do belo, em sementes da erudição do uni-versal, em húmus da espiritualidade do ser e dos ventos, semantiza-se os ipsis poiéticos da liberdade de criar, artificiar, os litteris poéticos do talento de inspirar a trans-cendência eivada e seivada de raios diáfanos do absoluto, literaliza-se a vida na continuidade dos sonhos e esperanças que se faz continuamente de desejos e vontades, mas se con-cava as entre-linhas e inter-ditos no silêncio da imagem que não re-flete suas pers-pectivas, que não in-cide as pers das pectivas no orvalho do uni-verso.

Com espírito do in-fin-itivo verbo de versos re-flete-se no espelho do tempo e dos ventos, do ser e do tempo a mística do Amor.


(**RIO DE JANEIRO**, 05 DE JUNHO DE 2017)

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