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terça-feira, 6 de junho de 2017

**IRMÃO DO TEMPO, AMIGO ÍNTIMO DO SER** - Graça Fontis: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO

Vejo, sinto o porto visto das águas, é bom tomar distâncias, elas aumentam o olhar, a alma voa mais livremente.
Posso viver, hoje, os caminhos, como se meu sorriso não fosse forçado. Posso falar com o coração sem o medo de silenciar a boca. Posso fazer gestos, como se meus braços fossem velas ao mar, prontas a envolver luas e estrelas, universos e horizontes. Posso soltar a voz e olhar de frente para o futuro, para o afluir-a-ser, como um irmão do tempo, amigo íntimo do ser. Posso con-templar a morte deixando de ser temática acidental e vai se avolumando à medida que a vida-obra decorre. Posso tornar os versos introdutórios de uma composição como explicadores da temática da morte diária através de uma continua evsão. Ainda que calejadas pelo remo, minhas mãos trazem a textura de pétalas finas das rosas, pois, se se deram aos motivos do coração, pode haver algo mais sensível, mais suave de se sentir íntimo, de afagar no peito? Posso olhar o futuro sem as costas amarradas a nada. Posso viver sem ter que provar nada a quem quer que seja, de explicar isto ou aquilo, o perdão que a vida me concedeu. 
Sem justificar meu silêncio ou meu canto quando alguém apontar seu dedo em direção ao meu olhar, dar-lhe-ei minhas mãos, pois sei que os infelizes são os mais dignos de compaixão, os desgraçados são os mais susceptíveis à solidariedade, os discriminados são os mais sujeitos à comiseração.
Mas o que mais dói é ouvir daqui que a maioria fez da vida uma canção, cuja lírica possui apenas uma palavra: HIPOCRISIA!
(**RIO DE JANEIRO**, 06 DE JUNHO DE 2017)


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