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terça-feira, 14 de março de 2017

**FUTURO DO FUTURO** - PINTURA: Graça Fontis/POEMA: Manoel Ferreira Neto


O meu auto-retrato
Pintado além do tempo atual,
Desenhado além da idade real,
Não diz coisa alguma
É testemunho
De minha presença temporária
Partes minhas
Agregam-se ao tempo
Como subjetivo acervo
Nas estantes do inconsciente milenar,
Secular,
Pedaços de mim formam continentes,
Ilhas inabitadas,
Horizontes intrans-poníveis
O crepúsculo possui
A segunda voz da alvorada,
Alvorada de luzes numinosas fosforescentes
Alvorada de trinos,
Alvorada de sinos badalando
No domus da catedral,
Sombras de mim brincam com a noite,
Restos de mim não se mostram
A lua de Vênus resplende-se
Sobre os meus cabelos ao vento
A vida se insinua na primeira
e im-perceptível estrela,
Estrela Vésper?
Estrela Polar?
As pedras imemoriais
registram, inscrevem
Meu terceiro Ser,
Ser remanescente do Belo,
Ser esplendente da Beleza do Belo,
Ser continente de linguagens e estilos .
E o meu inconcebível Estar.


As pedras professam a linguagem
Do esquecimento
Só resta ir ao encontro
Do futuro do futuro.


(**RIO DE JANEIRO**, 14 DE MARÇO DE 2017)


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