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domingo, 26 de março de 2017

**CARACHAPUDA** - PINTURA: Graça Fontis/SÁTIRA: Manoel Ferreira Neto


O pensar a ec-sistência é a viagem mais abundante que se pode fazer, pois nessa, o Tempo nos concede sermos eternos.
Carachapuda!... Carachapuda!... Carachapuda!... Três vezes esta exclamação para enfatizar com engenho e arte a repetência, que causa ojeriza, asco, náusea, tão simplesmente para mostrar o re-verso, in-verso, o re-verso re-vertido do in-verso, mostrar arte.
Mui sinceramente, com muchas gracias, há o quê interrogar nesta frase de efeito, assim a conceituo e defino, in-salvas todas as opiniões, pontos de vista, se em verdade o Tempo nos concede sermos eternos, se nada há além disso, se não há outras cositas envolvidas nesta tão abundante viagem, e conforme o que habita a memória, certas lembranças e recordações de instantes vividos em que o pensar levou a este pensamento, a esta idéia, e dentro dela há o que se questionar acerca da ec-sistência, havendo gozo, climax, alegria, contentamento, felicidade, a memória tirou a foto dele, guardou-a nalgum cofre seu, para o momento em que fosse tornada palavra, ao longo do tempo em que este instante foi vivido, a memoria fotografado, até quando fora tornada palavras, o que dentro dela há de novo, de novidade, o que mais ela re-vela além do re-velado.
Tanto sentimento de esplendor, res-plendor, vanglórias e ad-jacências para absolutamente nada, as línguas de trapo e de sogras perdoem e desculpem este "para absolutamente nada", lugar-comum sem eiras-e-beiras, pois que não lhe habita, a frase de efeito, o mistério não é um muro onde a inteligência se esbarra, se dê de frente, mas as ondas do mar onde ele mergulha. Onde se acha o mistério do pensar a ec-sistência, o pensamento pensando o pensar a ec-sistência.
O autor dessa frase de efeito, "O pensar a ec-sistência é a viagem mais abundante que se pode fazer, pois nessa, o Tempo nos concede sermos eternos.", tem uma tendência compulsiva, explicitando seus exageros e paradoxos, para a beleza do belo, quer extasiar os leitores, levar-lhes às nuvens, olvidando-se deste mistério da ec-sistência pensada no pensamento de pensar. Dir-lhe-ia, como lhe estou dizendo de algum modo, sob a luz desta ou daquela linguagem e estilo contro-versos, o melhor seria se encontrasse outro afazer, aposentasse sua pena, pois que sem a consideração, avaliação, in-vestigação do pensar a ec-sistência, seus mistérios, enigmas, tudo o que diz nesta sátira é puro devaneio, idílio...
Lá vem o digníssimo Espírito Maligno dizer-me ipsis verbis, sendo franco, casmurro: "O que mesmo está escondido atrás desta crítica? Por que está ansioso por des-cobrir? Ou há outras cositas a serem avaliadas no que concerne aos sofrimentos e dores de algo vivido, vivenciado, deixado suas marcas, tendo contribuído bastante para amadurecimento e crescimento da visão-de-mundo, toda e qualquer lembrança é sobremodo dolorosa? O crítico também tem de assumir estas questões."
Se o crítico e o autor respondessem a estes questionamentos, até que, a título de misericórdia apenas, diria que chegará o tempo a tendência compulsiva para a beleza do belo será uma visão bem interessante, mas esta busca deste tempo não tem fim; assim como seria possível a Eternidade?
Não é o "causo" de viver, mais interiormente, os ensinamentos dos dogmas e enigmas, mistérios, inauditos, além da razão?


(**RIO DE JANEIRO**, 26 DE MARÇO DE 2017)


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