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domingo, 26 de março de 2017

**ESPÍRITO MALIGNO** - PINTURA: Graça Fontis/SÁTIRA: Manoel Ferreira Neto


No outono, a luz do sol é aquela que faz brilhar! Não é o sol que queima, mas o que nos aquece a alma... No céu, uma imagem bíblica, pintada por Deus. O outono em mim é romântico, belo, sublime!
Quê beleza de sensibilidade, percepção e intuição das coisas do mundo e da terra, que sentimentos e emoções profundos e trans-parentes, e que arte das palavras em revelar sui generis, inscrevam outras cositas se assim convier, em suma, digo "muitíssimo romântico", poesia!
Mas aquele espírito maligno que em mim habita, tremelica inteiro no chão de tanto gargalhar, gargalhada altissonante, destas "palavretas" escritas para dizer da luz do sol no outono.
Confesso, sentindo-me ultrajado, humilhado, sentindo a presença em mim de alguns personagens de Dostoiévsti, sempre se sentindo humilhados, ultrajados, especialmente os possessos, os embusteiros, vindo à cachola que tanta beleza de estilo é fuga, escapadela de algum sentimento de humilhação, ultraje, o espírito maligno ri-se, gargalha do embusteiro que estou sendo, e isto é inconcebível. Desejo de imediato responder-lhe que a inter-pretação é de cada um, nada tendo eu pensado e sentido disso, aquando pro-duzi tais palavras, vieram num fluxo de sentimentos, emoções, ideais, idéias, sonhos, mas hesito em fazê-lo, a relutância mui em sin-tonia, sin-cronia, harmonia com "e se investigo as pre-fundas da inconsciência e não seja isto, em verdade, mesmo, com que cara me apresento ao espírito malígno? De um perfeito envergonhado, como certa vez me disseram sou eu malicioso, estrategista, a vergonha se me manifestou em seu estado mais puro. Coubesse pedido de perdão, de desculpa, mas não raspei as bordas inconscientes da arte de criação, o buraco é bem mais embaixo, para despertar o desejo de mergulhar nele! Não caberiam tais coisas.
Ser uma obra de arte... Diz-me o espírito maligno não passar esta verborréia de uma tentativa de ser uma obra de arte, não apenas o escrito, ser eu próprio obra de arte, isto é hilário, risível.
Quanto a isto, o espírito malIgno se prepare para colocar o rabinho entre as pernas e despedir-se à francesa, visto que a res-posta está em riste na pontinha da língua, sinto o seu gostinho, sinto-a perpassando os meus lábios, e para ela não há res-posta ainda que deixando a desejar e muito, outros ângulos devem ser con-templados.
A obra é algo que se me impõe, se me requer, pela pureza da forma e a verdade do inter-dito, além-dito, entre-linhas, além-linhas. Algo que con-serva os próprios valores, estesias, contra-dicções, dialécticas, até mesmo quando res-pingada de poeira, de areia fina, ambas estas cositas as envelem, tornem-lhes mistérios, enigmas.
A vida é uma faca sendo amolada numa pedra, ela desgasta ou afia, conforme o metal de que é feita. Cumpre à faca estar sempre afiada para ceifar as palavras para o encontro de Tingência de Con e Cendência de Trans.


(**RIO DE JANEIRO**, 26 DE MARÇO DE 2017)


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