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domingo, 19 de março de 2017

**SONHO DE PALAVRAS** - PINTURA: Graça Fontis/PROSA: Manoel Ferreira Neto


Escrever nada, nada escrever, as linhas vazias de quaisquer símbolos, página nívea - o que são as coisas advindas dos hábitos, os olhos mergulhados no papel, vendo atrás palavras às reversas, registradas da direita para a esquerda, sentidos ambiguos, significações dúbias, puras sorrelfas dos ventos a perpassarem o tempo, colinas, picos, montanhas, sarapalhados pelos horizontes... Palavras? Isto é verdade? Não seriam frutos da fertilidade da imaginação, da criatividade? Nada escrito na página como pode ser visto atrás dela?
Escrever nada, nada escrever, deixar as palavras desfrutarem livremente as linguísticas e semânticas, brincarem serenas e tranquilas com os signos e símbolos, sob a sombra das metáforas, metáforas do lúdico ingenuamente seduzindo o belo, metáforas do in-audito conubiado de silêncios e solidão, paquerando o in-finito que simplesmente sin-estesia-se leve com a cintilância das estrelas e brilhos da lua, degustando a fresca da escuridão que lhe acaricia os abismos do ser, metáfora do nada bailando ao som da cítara do eterno as performances do sublime e ipseidades das utopias do divino, nas asas dos desejos e volos as travessias, de travessias em travessias novas miríades de luzes, luzes, arco-íris-de-luzes, serenidade, tranquilidade, viagem, somos estradas a serem per-corridas, a serem criadas, a serem "re-fazidas" - isto sim, esta é a palavra - ao longo e à mercê das neblinas e das tempestade de ventos tecendo de sonhos o além, o vir-a-ser, o há-de ser inevitavelmente, o porvir, por vir, e trilhando, trilhando a vida, trilhando a vida, caminhantes à cata do eterno sublime e o sublime do eterno, viagem-ilusões-fantasias-quimeras-verdades-in-verdades, e as dúvidas, inseguranças, medos, e por sermos esta viagem aquilo de "olha aqui, seu moço, a vida me espera, tenho prosseguir... Inté..." Paisagens e mais paisagens, lindas imagens, a-nunciações, re-velações do futuro, do ali, do acolá, por vezes aquela dança de saltinhos, de saltinhos em saltinhos a per-cor-rência, ritmos, melodias, musicalidade, o baile de di-versões e curtições, mas a vida está mais adiante, bem adiante, caminhantes do eterno, a vida de palavras que verbalizam nossos sonhos e esperanças, jamais serão os mesmos e nem similares, e nas asas da aguía-das-etern-itudes a viagem prossegue, segue as suas sendas e veredas, sonhos de palavras, nada escrever, escrever nada, simplesmente olhar a página vazia, e tudo isto atrás do caderno, sarapalhado pelos uni-versos e horizontes de toda a eternidade, uni-versais, mundiais, a cada aceno de mãos aquele banquete dos deuses, saboreado de uma vaca-atolada, regado uisque brasileiro, o baile, mas é chegada de hora de partir, voltarei algum dia, a esperança, a vontade, o desejo do re-encontro, eis que um dia eventualmente acontece, mas sempre seguindo, "uai, sô, a vida está ali adiante, ela me esperança de braços abertos, tenho de seguir, mineiro sabe como são estas viagens pelas terras, nada de palavras, palavras de nada, nada escrever, escrever nada, veredas e veredas a serem trilhadas, caminhantes do eterno, saudades, nostalgias, melancolias, dores e sofrimentos, tudo tão natural, tudo tão pers das pectivas...



(**RIO DE JANEIRO**, 19 DE MARÇO DE 2017)


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