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quarta-feira, 5 de julho de 2017

#AFORISMO 8 DA METAFÍSICA DO VERBO SER/CANTO QUE O HOMEM COMPÕE SECRETO NO LABOR DAS OFICINAS# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Sou voz de olhares, sou olhares de palavras pronunciadas com perfeição, ditas na imperfeição do pretérito, nas dúvidas e inseguranças do presente do indicativo ou subjuntivo, ímpeto de lábios úmidos de êxtase, sorrisos, volúpia de palavras, tesões e tensões do Eros, pathos e logos, volúpias de sentidos e significados, êxtases da vontade e desejo de ser-com-Deus, de com-Deus-ser, pelos, poros, pensamentos...
Sou desfrutar de um... desfrutar de um sono cuja tarefa é a própria vigília, as reticências e as pausas por quê? Seria que não fosse o que poderia ter esperado? Não poderiam ter sido gravadas no coração. Ver o mundo por meio de valores e ideais, eis a face da cruz eterna exposta a todos os universos.
Sou espera, movimento, gota de chuva que desce serena o vidro da janela da sala de estar, onde sempre me encontro, pensando nas real-izações e fortunas, procurando um pote de ouro, enquanto observo o céu, os horizontes, o uni-verso, enquanto con-templo o mundo, em mim dentro volúpias, sensações e sentimentos ávidos, mergulhando-me inteiro em busca de mim, desejando perder-me e entrelaçar-me ao que é em suas profundezas – a chuva é sempre iluminação que se me a-nuncia para os questionamentos mais profundos, abissais, abismáticos, convite para riscar o étereo com a pena de caneta tinteiro, desejo de ouvir-me sendo, de escutar o ser, recitando a lírica da vida, declamando os versos dos sonhos e utopias, con-templ-orando as estrofes das quimeras em ilusões da verdade e do espírito do ser-eterno, nos seus valores e virtudes que nascem e re-nascem na roda-viva das situações, nas voltas e re-voltas do coração, discursando em verbos defectivos as imaginações do real e equívocos do irreal, em equívocos do real, as imaginações de verbos defectivos, uma lufada de vento vindo de leste, lua boiando na noite, estrelas nadando no nada e no itinerário de suas quedas, risco de estrela cadente, brilho transparente por velar as utopias da humanidade, os ossos da injustiça.
Sou descrença em tudo que foi composto, fabricado, construído ontem e hoje. Sou mal-estar e escárnio que não podem mais suportar o "brechó" de conceitos das mais diversas origens para a Verdade, que performam os passos para a dança nos mercados editoriais e publicitários.
Sou a mão que tece o pano e nudez de corpo sereno. Sou tear na madrugada, esperando-me acordar, trajar-me, ir trabalhar na fábrica têxtil e fabricar dias plenos, a imortalidade da vida feita de trabalho e de esforços di-versos, de lutas in-versas, lazeres re-versos, segundos e minutos sublimes, criando fantasias e ilusões que me encaminham e orientam nas veredas dos desejos e vontades de encontro comigo, de ser-me, de viver-me, retornar-me ao fim do expediente e descansar na rede, lendo A hora e vez de Augusto Matraga, com a Utopia Cristã no Sertão Mineiro como guia de leitura e aprofundamento na obra rosiana, que saiba eu o que con-templa a estética da arte e a ética da filosofia, vislumbra e a-lumbra os desejos da verdade, a vontade de conhecimento, ou deixando-me livre no seu balançar, balançando ao ritmo do presente e do futuro de minha vida e ec-sistência, memórias e lembranças.
Se ec-siste diferença entre viver e ec-sistir? Sinto essa diferença no íntimo de mim, é fruto de minhas andanças, dos pensamentos e idéias que se afloraram no de-curso e per-curso delas, das experiências e vivências ao longo das atitudes e ações, problemas e conflitos, dores e erros, sofrimentos e acertos. A vida permite que as águas límpidas do rio que passam por mim, águas vivas, da Fonte In-finita fluam livremente pelos canais finitos – a vida é suprema sabedoria e perfeita felicidade. Ec-sistindo, o silêncio auscultativo da alma escuta o silêncio eloqüente do Espírito, ouve a solidão, semente dos desejos e vontades do verbo da alma.
No silêncio e na solidão encontro o verso poiético da vida, sigo as veredas do quotidiano sentindo no peito e no espírito os prazeres e felicidades de estar-sendo.
Sou o novo canto que o homem compõe secreto no labor das oficinas. Vou aprender no campo o ofício das mãos que lavram a terra e vão jogando nas covas os grãos que serão colheitas, como um índio apache, Massai, que se inspirou na arte da plantação dos cherokees. Quero estar perto no dia em que a madura espiga seja o pão que mate a fome daquele que a plantou.
Sou rumores, sou gemidos. Sou sussurros, sou murmúrios, sou cochichos, sou cochilos. Sou ruminâncias, nos dias de angústia e vazios, nas horas de lembranças e recordações, nos minutos de vazios e medos, nos segundos de inseguranças e utopias, sou tristeza e desolação na morte de ente querido, de amigos por quem alimentei desejos de muitas felicidades e alegrias, sou gritos de angústia, sou risos de alegria e felicidade.
Sou pernas varando o tempo, sou pés re-duzindo as distâncias, multiplicando as long-itudes, sol no rosto e um fardo colorido, a hora que chega e se perde, mas volta com nova força, com nova dis-posição para outras jornadas e aventuras.
Sou lembranças do raio de luz e o sopro com que apaga na noite o lume que acendo. Sou obstinação: a lenha que re-colho, o archote com que preparo o fogo que rasga o negrume, que des-fia a escuridão, que des-carna as sombras. Sou a idéia de uma
pombinha a ciscar em praça pública no alvorecer da manhã, enquanto transeuntes passam para mais um dia de trabalho, o pão para saciar a fome seja obtido com sinceridade e responsabilidade, pairando sobre um abismo.
E quando sou a idéia, sou o pássaro, sou a pombinha. E quando sou o vôo, sou a liberdade de ser e viver, de rasgar os uni-versos e horizontes em busca da plen-itude dos raios de sol, das estrelas, da lua, da sublim-idade da noite, do mistério, das sombras, da escuridão fechada e hermética, que agora é cheia e a terra parece toda iluminada e cristalina.


(**RIO DE JANEIRO**, 05 DE JULHO DE 2017)


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