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domingo, 30 de julho de 2017

#AFORISMO 68/CAMINHOS DE DESEJOS DA NAD-ITUDE# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/ Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


"A verdade do verbo se faz na nonada das travessias, no ser-tao das veredas e sendas do caminho de desejos da Nad-itude." (Manoel Ferreira Neto)


Epígrafe:


"Só plenificam-se verdades na sintetização dos objetos questionáveis quanto à veracidade e correlações." (Graça Fontis)


Olhai nos lírios do campo os veríssimos silêncios em cujas bordas pervaga o solstício da alma na sua labuta árdua e tão hermética de suprassumir dores e sofrimentos mergulhando inteira nos interstícios das sublim-itudes ad-verbiais, regenciais do éden, degustando o sabor futurístico, sem os futurismos do perene requerendo sínteses do ser e nada, ser e tempo, nada e verbo, tempo e vacuidade, para se protegerem das nihilísticas tempestades das mentirosas verdades em cujas muletas e bengalas a humanidade se apóia até ultrapassar o portão do campo santo, lá se refestelando das agonias da verdade absoluta, dos princípios divinos.


Correspondências de sin-cronias e sin-tonias selando de palavras verbiais os solutos-abs do tempo, sublimando do sublime efêmero do sonho adstrito, ad-stringente ao onírico dos desejos, o vernáculo do verbo, o erudito das regências da estesia, o clássico das metáforas das volúpias e volos do belo, em cujos eidos habitam o prazer, êxtases estéticos do nada que move as imperfeitas verdades à busca, pleno e voluptuoso desejo, clímax da vontade, do vir-a-ser, quando com tripúdios e estratégias se alimenta do que con-tingencia a nonada em plena euforia por conjugar os pretéritos - perfeitos, imperfeitos, mais-que-perfeitos - com o presente indicativo do verbo "transcender" angústias, melancolias, nostalgias, saudades do divino eterno, quando a vida bailava ao som da seresta do perpétuo há-de ser na continuidade das consumações do vazio, sapateava ao som de forró do "Had-eterno", as declinações das luxúrias no riste da língua, e nos camarins, o que dizem os demônios do onírico?


Abismo. Deserto.


A fé fecunda, a fé basta, a fé febunda, a fé besta do apocalipse ad-nominal e verbial-ad do caos que mergulhou profundo no oceano dos cosmos, no céu noctívago a cintilância das estrelas e o brilho da lua efemerizaram-se, sapos coaxavam à beira do lago e dos rios, corujas em uníssono nos galhos de árvores moviam as asas em êxtase, pássaros trinavam voluptuosos... os homens, dormindo, compunham o onírico de restos do silêncio, de vidas secas, de nítidos nulos, até de memórias póstumas escritas sob a escuridão de todos os pretéritos e porvires, no regaço do sepulcro as flores do eterno-jamais, pós-téritos do genesis e apocalipses, e nos ínterins temas do nada-sublime, temática do vazio-res-cogitans, até radical sem os stícios do entendimento e compreensão, sem a sonoridade, ritmo, acorde do fonema que em sua essência esplende o perfume da verdade-ab do absurdo, a estrangeira da imortal-itude, andar sozinha, chegar e sair solitária, sempre o touro sentado no Olimpo, perscrutando os lídices dos rituais, mitos do verbo da cultura milenar, místicos do sujeito-eu da febunda fé que concebe a ribalta do sublime sob a luz, à mercê dos raios numinosos e aluminados do que não me fora, do que não me há-de ser, mas a verdade do verbo se faz na nonada das travessias, no ser-tao das veredas e sendas do caminho de desejos da Nad-itude.


Náuseas - entardecer, no domus da igreja o sino toca com insistência, chamando os fiéis para jubilarem os dogmas e preceitos em nome da felicidade do além, esplendor de panorama, serenidade, inicia-se a noite, nada, vazio, nonada, efêmero, passeio livre, des-ativando esperanças de outros desejos, des-conectando sonhos de outras vontades, vontade do outro-caos, a alma pervaga angustiada pelas soleiras do infinito, recitando pretéritos versos rimados de sons românticos, fados, perfeitos, sentimentos e emoções embaralhados, jamais e sempre performando e prefigurando o fenecimento dos instantes-limites, aqui-e-agora pelo menos de efêmeros prazeres.


Estrangeiras luzes alumiando alamedas desertas, nada de silêncios vagando no canteiro plantado de palmeiras, calçadas arborizadas, ouve-se ao longe "Apesar de você" executada num violino. Inventaram os dogmas, des-inventaram as verdades, em cujas bordas límitrofes residiam vestígios de imagens do eterno.
O sino da igreja pára de badalar, o canto das seitas cessa, fiéis ajoelhados debulham os terços rogando o perdão dos pecados, pastores e clérigos de-cantando e celebrando a promessa da ressurreição, redenção, a alma saltitante proclama e jubila os objetos eidéticos da fé, náusea e urticária das in-verdades que plenificam as ipseidades do absoluto, deuses degustam vinhos e carne de ovelhas no banquete de aforismos do perpétuo, riem e gargalham da inocência e ingenuidade dos humanos que creem insofimavelmente no eterno vazio que origina a nonada da travessia na amurada da ponte partida à luz do silvestre da floresta, sob a cintilância das pectivas-pers de sin-cronias, sintonias, harmonias das barrocas dialéticas do nonsense e as contradições metáforicas, katharsis do parnasianismo expressionista.


Corvellas inspirações e iluminações que trazem no seu bojo as utopias, o verbo-ser do místico, das eter-itudes.


Corvello, vazio projetado à vacuidade.


(**RIO DE JANEIRO**, 29 DE JULHO DE 2017)


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