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segunda-feira, 10 de julho de 2017

#AFORISMO 25/TEMPLUM EXILADO NO TABULEIRO DE XADREZ# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Centelha de verdades...


Que brilha momentaneamente, o que são as in-verdades no palco quotidiano das tragédias e comédias, tragicomédias de sofrimentos, ideais, dores, angústias, prazeres, felicidades, inseguranças, nada mais sabendo em que solo trilha os passos, nos picadeiros os riscos de queda do trapézio, no instante do espetáculo, no "set" de apresentações e de-monstrações de dons e talentos das trevas de todas as ausências, coisas que re-presentam e são testemunhos, assim pisa a humanidade os seus pés no solo de poeiras, trincado pelos raios fortes do sol assíduo e constante, nas alamedas e becos de dejectos dos princípios, normas, regras, dogmas e preceitos, vestes à vontade, às sara-palhas das tradições, de sujeiras que a massa deixa nas suas andanças, criando e re-criando costumes e hábitos, crenças e credos acorrentados e algemados a visões que não permitem a entrada da liberdade, "abaixo o livre-arbítrio", "... as ovelhas devem seguir o pastor...", a escolha de um piquenique nas idéias e pensamentos individuais, re-colhendo de seus in-auditos a presença, a verdade que abre todos os uni-versos e horizontes para outras utopias, desejos e vontades, sonhos e esperanças...?


O que são estas in-verdades, oh centelha de verdades?


Centelha de liberdade...


Re-trospectivas imagens re-fletidas no espelho, intros-pectivos pensamentos re-velados à luz das chamas de achas no fogão a lenha, circuns-pectivas idéias e ideais a-nunciando-se por inter-médio de uma chama de fogo na vela, o castiçal sobre a mesa, a janela aberta, a estrada coberta pelas galhas das árvores, uma reta de quinhentos metros, instante propício e singular para um mergulho nas ausências e vazios, o que falta, o que falha, de que carece, e o vôo solene para outros projectos e utopias...
Poetas, seresteiros, boêmios, solitários, vagabundos, toda a gente comum perambulam pelas ruas à cata de alguém, de companhia que lhes possa desvirtuar dos problemas inúmeros, da solidão e dos medos, do silêncio e da cor-agem. Os apaixonados contemplam as estrelas e a lua sentados à varanda de suas casas, trocando palavras de amor e carinho, até que os séculos se consumam, e eles sejam símbolos da Vida, isto é, a Vida é amor, eles amaram e como amaram.


Já que a flecha foi atirada, cuidar para que ela não tenha sido atirada inutilizando o arco, solapando um dos movimentos necessários para tensão.


Oh, centelha de liberdade, projectos e utopias são as vossas origens, o que com-preender de vossos passos, traços e marcas?
São as dialécticas, contradições, nonsenses!
Dialécticas das in-verdades e verdades, silêncios e algazarras.
Contradições das causas e efeitos, das decisões e consequências,
Nonsenses do belo e do feio, do artista e do tigela alguma, quê espectáculo dramático!


Centelha de pensamentos conscientes...
Choveu o dia inteiro; por volta das cinco e meia da tarde cessou. Por entre os sulcos, onde o milho está nascendo nalgum lote, a água corre em riachos. Os homens hoje não foram ao mercado, ocupados que estão em abrir os sulcos para que a água encontre novos leitos e não arraste consigo as sementeiras tenras. Andam em grupos, navegando pela terra encharcada, sob a chuva, quebrando com as pás os torrões macios, reconstruindo com as mãos as sementeiras e tentando protegê-las para que o milho cresça sem dificuldades, sem problemas.


O tempo nublado. O céu escuro, carregado. À noite, o céu sem estrelas, lua... aquela sensação de... Não sei o que dizer, expressar que identifique o que me perpassa a alma. Pesar? Desgosto? Tristeza? Desolação?


Tais sentimentos vez ou outra se anunciam, revelam-se, cumprimentam e se apresentam para o grande espetáculo, sem limites para terminar, sem fronteiras para as conseqüências dentro dos homens. Não importa se os olhos nublem, a respiração quase não se mostre, o coração se reduza, se aperte, queira sair do peito, deixar aquele lugar de todos os sentimentos e emoções vazio, está precisando de um momento de sossego e paz. Admiremos, curtamos, louvemos ou odiemos os homens, e têm aí a pachorra de responder: “Dependemos de você. Chamou-nos, não? Se querem que vamos embora, depende de vocês?”. Não deixa de ser verdade. Mas a petulância com que nos dirigem a palavra é insultante, ofendem-nos muito fundo. Noutras palavras, tais sentimentos são normais na vida humana.


Centelha de Sentimentos...


Qualquer ruído de vozes.
Qualquer altissonância de sons.
Qualquer desafino de ritmos e melodias.
Chamas atingem gritos.
Qualquer silêncio
Do abismo.
Qualquer solidão
Da colina.
Vôos alçam as esperanças todas
De liberdade,
Inda que endossando com sangue
Os subterrâneos de hoje, ontem, amanhã...
Há pensamentos de futuro, longe, na fadiga cúmplice dos insurrectos,
Proscritos, hereges, súcias.
Templum exilado no tabuleiro de xadrez.
Enfrente à mancha da parede e da marca de luz inerte.


No berro das coisas
Só uma serpente pode acasalar-se
Com outra serpente.
Assim como o fogo queima o fogo,
o veneno envenena o veneno
e as tempestades arrastam as tempestades.
Verdade
Que decifra a vida em perigo.
E do vento das tempestades
Arrasta a morte para a morte.
Até que defronte aos meus olhos
O inimigo enxergue a sua própria morte.


Noite.
Nada jorra. Algo perdido, e quase mesmo tornado cinzas, retorna ao sibilo de sons coníferos. Cinismo, hipocrisia, tudo silencia.


(**RIO DE JANEIRO**, 10 DE JULHO DE 2017)


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