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sábado, 8 de julho de 2017

#AFORISMO 20/FILOSOFIA DAS PRETER-ITUDES DO DES-PERPÉTUO# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


#Nem que a morte grite e vocifere suas glórias e júbilos, sendo a travessia do absoluto ao nada, no ser ad-jacente do perpétuo habita o telos do mistério que no jogo aberto das primícias a eternidade se abre às perspectivas do nous.# (Manoel Ferreira Neto)


Quem pode legar luminosidade de coriscos do astro-rei ou ser resplendor a recair clarões transcendentais da divindade? Sem a afeição, execraria a elocução que se conclui lascívia, sem a confiança, rejeitaria o acontecer que se compõe vida, sem a palavra da consciência, descuraria os devaneios, sem o pensamento consciente, proscreveria os questionamentos das vontades e da verdade, e até que o excedente do curso ainda no crepúsculo fosse deformado, fosse dissecado, fosse gotejado, o âmago desta existência é gentil-homem, tem configuração e raiz, ronda em volta das sortes, cruza por infindos em volta dos luzeiros, roda-viva por in-audíveis espíritos da vida, ziguezagueia nas circunvizinhanças das fortunas e infortúnios.


Quem pode auscultar as batidas do coração no peito das dialécticas e contradições a per-fazerem as nuanças do tempo que se re-veste das querenças e desejos da verdade, ao longo das alamedas das experiências e vivências, das contra-mãos dos sofrimentos e náuseas muito há-de se embeber de sonhos e utopias. Quem pode escutar as vozes do silêncio, assimilar-lhes nos interstícios da memória, deixá-las livres para emitir seus ideais, ainda mais há-de aprender nos instantes de solidão e elencamento de outros pensamentos dos sonhos que se vão sendo realizá-los, outros compromissos, responsabilidades, outras utopias, o caminho é sem-fim...


In-transitivo transitivo de re-versos in-versos manque-d´êtres do infinito vazio do vir-a-ser tramitando direitos e privilégios da verdade que trilha veredas e sendas do tempo não encontrando sítio algum em que se estabelecer, em que se permanecer, em que se re-criar e re-compor-se, proporcionando o perene desejo da felicidade, fenecendo de mentiras, blefes, tripúdios, nas memórias póstumas única e exclusivamente o epitáfio solene e sereno: "Aqui jaz a verdade sem quaisquer serventias, mais valia haver se deleitado e refestelado no alpendre do nada, con-templando a Estrela Vésper..."


Quem entrar no campo santo e ler isto, não haverá alternativa senão gargalhar às cavalitas diante da ironia e sarcasmo que lhe habita, reconhecendo intimamente ser perfeito atoleimado por acreditar nela.


Preter-itudes ad-jacentes, preter-jacentes de itudes - pers-picácia de so-letrar, so-litterisar, de-clamando letras, re-citando sons que trans-cendem os desejos de expressão do que habita na alma vazia, fonemas fon-éticos que trans-elevam os volos de ex-tases sol-sticiados pelos terrenos baldios das utopias da beleza do belo, sentimentos e emoções aquém das metáforas do sublime, meta-físicas da plen-itude, sin-estesias do ab-soluto, po-iética do divino.


Angústia, tristeza, medo, solidão, desespero, inspiração e sensibilidade precedendo abismos do mistério e enigma de tempos entre-laçados no vento concebido em confins, passando em arribas, travessias de nonadas, levando as meta-físicas das po-eiras para o in-finito in-audito, finito incognoscível. Assim falavam os orvalhos do inverno e primavera, gerados no quotidiano das volúpias do fim eterno do efêmero, dos êxtases do término efêmero do eterno, meta-morfose do pleno em vácuo do Nada.


Esplendido. Espetacular. Todas as verdades fenecem e o absoluto permanece virgem e inocente diante do que trans-cende a essência do divino. Todos os absolutos que se a-nunciam e revelam-se ao longo dos abismos do há-de temporalizar conhecem a bifurcação horizonte/universo, e para escaparem às ilusões e quimeras enveredam-se pelos pampas sem limites do espaço. O além precede o aquém, persegui-lo na trans-cendência é retrocesso, retornar ao caos que se tornou cosmos, o cosmos que se tornou o inferno da metafísica do efêmero, nada havendo nos confins das arribas, língua para fora, surpreendente o "ser" ser nada, o nada ser simplesmente gerúndio do particípio, infinitivo dos pretéritos subjuntivos.


Nem que a morte grite e vocifere suas glórias e júbilos, sendo a travessia do absoluto ao nada, no ser ad-jacente do perpétuo habita o telos do mistério que no jogo aberto das primícias a eternidade se abre às perspectivas do nous.


As á-gonias e an-gústias por con-sentirem o transitivo direto do verbo gnose agir conforme o há-de ser das contingências, e o que foge às dimensões da sensibilidade e da alma per-vaga no pretérito do perpétuo, postergando o vazio, fonte da idoneidade absoluta de todas as utopias de re-vérberos a consumar a vacuidade do nada.


Nos campos, nas florestas, nos abismos, nada há, nem haverá, que re-verse a travessia da nonada à passagem do perpétuo da verdade. Nihilismo? Sim e não, tomando a pena, cuja tinta não inscreve ou escreve a palavra inter-dita ou inter-alinhada ao crepúsculo rumo ao onírico do amanhecer, do tempo que se perde nos interstícios da história na mente, as dialécticas nas mãos, a esperança do sublime debaixo da ponte em que as águas passam imanentes e imaculadas.


(**RIO DE JANEIRO**, 08 DE JULHO DE 2017)


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