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quarta-feira, 12 de julho de 2017

#AFORISMO 32/TRAVESSIA DO TEMPO# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


EPÍGRAFE:


"Viver por si já é sem tempo" (GRAÇA FONTIS)


Quem me dera fosse eu a poeira da metafísica de um poema e que os meus pés pisassem, tocassem o solo da vida!


Quem me dera fosse eu o sem-margem, o sem-pressa do rio e que con-templasse o itinerário das águas que versejam a travessia do tempo, do caminho, do espaço, do que há-de vir de veredas e sendas!


Quem me dera pudesse crer a verdade do verbo é a verdade do verso para além daqueles que o encontram no sonho que tecem de encontro e alegria!


Quem me dera ser eu o Respeito à Vida, à Paz entre as criaturas, as Mãos Entrelaçadas entre proscritos e pessoas de bem, todos vivessem, envelhecessem, morressem livres e serenos.


Quem me dera pensar no que há nos confins de horizontes d´alhures e sentir na memória as estrelas não são senão estrelas, a lua não é senão a lua, o brilho, a cintilância de ambas não são senão brilho e cintilância!


Quem me dera pensar o pensamento que pensa o in-audito, o in-cognoscível, tornando-lhes chamas calientes do coração, fluindo sentimentos de entrega, doação, afago, ideais de koinonia do desejo e da verdade, utopias de con-templação das con-tingências, ECCE HOMO!


Quem me dera o que permanece velado, quando adoto a perspectiva das ciências não fossem apenas as atividades que têm lugar no espaço das razões, as atividades de intérpretes racionais e agentes!


Quem me dera trazer a alma vestida de palavras que trans-cendem o verbo do substantivo aforismo, aliás, categoria da regência da vida, perguntando a mim próprio, em voz lenta e serena: por que sequer atribuo eu ritmo, musicalidade, melodia aos sentidos de mim, ao que me define com uma precisão redondinha de notas?


Quem me dera ouvisse os sinos de uma capela pequenina a que fossem à missa crisântemos, samambaias e os córregos. As almas plenas da exegese do amor e da cáritas!


Quem me dera a existência verdadeiramente real do proprietário da vendinha de secos e molhados que fuma o seu paieiro, olhando macambúzio a água da chuva que corre para o bueiro da rua!


Quem me dera o destino de minhas águas escondesse o rio que corre alegre e saltitante como quem se cansa de estar triste!


Quem me dera!... Quem me dera!...


(**RIO DE JANEIRO**, 12 DE JULHO DE 2017)


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