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segunda-feira, 24 de julho de 2017

#AFORISMO 59/POESIA DO SER, POIÉSIS DO TEMPO# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


"Não há filosofia que não traga em seu eidos a poesia do ser, a poiésis do tempo..." (Manoel Ferreira Neto)

Epígrafe:

"Reflexões e perspectividades são passíveis, definidas e objetivadas tão só na transcendência radical e existencial do Ser" (Graça Fontis)

Não há pectivas que não trans-cendam as pers do ec-sistir. Não há stícios que não trans-elevem os sols das contingências. Não há res que não dê voltas nas trospectivas do ser e tempo. Não há re que não postergue o verso do desejo e esperança.

Não há trospecção que não mergulhe no in do íntimo, inner da espiritualidade. Não há "a" que não preceda a temporalidade do nada e efêmero. Não há "con" que não temple a a-nunciação do in-audito. Não há re que não vele o vir-a-ser, o desconhecido de amanhã, mistério e enigma do futuro. Não há stício que não penetre na res dos pretéritos abissais do verbo. Não há emoção que não desvele o lado oculto do ser. Não há prefixo que não anteceda o radical da palavra. Não há quem não diga: "Quem conhece prefixos e sufixos latinos e gregos, não precisa pesquisar no dicionário o sentido dos vernáculos".

Não há machado que com sua lâmina afiada não ceife a árvore, não faça lenha para a lareira no inverno da solidão enamorada da melancolia, do silêncio seduzindo a nostalgia. Não há filosofia que não traga em seu eidos a poesia do ser, a poiésis do tempo, poiética do pretérito e subjuntivo. Não há poesia que não verse o re-verso in-verso ad-verso do sentimento, desejo volo dos sonhos.
Não há fumaça no cigarro, se não houver o ar dos pulmões que a trague e expila. Não há catavento no alto da montanha, se não houver o vento que o gire. Não há o verbo do ser, se não houver o efêmero do nada. Não há o eterno, se não houverem as realizações do sonho e esperanças. Não há a alma, não havendo dores e sofrimentos que a habitem, fé que lhe projete aos confins do horizonte, volúpia da perfeição. Não há verbo sem o sonho de amar, quimera de desejar, sorrelfa da vontade.

Não há sonho sem o verbo da continuidade que se faz e re-faz, cria-se, re-cria-se, in-venta-se, re-in-venta-se no eidos do tempo que é história. Não há o eu sem o outro que lhe habita no abismo do espírito, nos cofres da inconsciência. Não há dialética, não havendo o questionamento da verdade e o consentimento da in-verdade. Não há o barroco, sem antes haver havido o clássico. Não há a alma do espírito sem antes não haver havido o espírito da alma. A carne não se torna cobertura dos ossos, se das cinzas a vida não viesse e às cinzas não retornasse.

A primavera não existiria, quando os brotos das flores se despetalam, exalam perfumes, não havendo o inverno que deixa as árvores sem folhas, fá-las caírem. Zaratustra nada teria dito, se não se exilasse na caverna de uma montanha por algum tempo.

Memórias Póstumas não existiriam, se Brás Cubas não as houvessem escrito.


(**RIO DE JANEIRO**, 23 DE JULHO DE 2017)

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