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sábado, 8 de julho de 2017

#AFORISMO 19/METAFÍSICA DAS SETE SABEDORIAS DO SUBLIME* - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


I


Sete luzes iluminaram o beco sem saída,
Sete trevas envelaram o lote vazio.
Sete brumas escureceram os terrenos baldios.
Sete diamantes riscaram o éter do tempo.
Sete cristais esplenderam raios de luz ao infinito.
Sete ovelhas pastaram no campo de trigos e milhos.
Sete desejos re-nasceram das cinzas, vivos tecem as linhas da realização, prescrevem as esperanças do sublime e eterno.
Sete velas queimaram-se nos castiçais em louvor às glórias da esperança, glórias que reverenciam o esplendor da felicidade e prazer.
Sete achas na lareira fizeram as chamas para esquentar o frio do inverno, a noite sem estrelas, sem lua.
Sete estrelas guiaram o carneirinho até encontrar o seu rebanho, léguas.


II


Sete vezes me olhei no espelho antes de con-templar a luz que nele incidia,
Sete pedidos fiz à lua para inscrever as seis letras de meu nome ao seu redor,
Sete palavras escrevi para nadificarem as dores trazidas no peito,
Sete amores vivenciei, antes de colocar a mochila nas costar, partir para
O Verbo da Verdade de sentir os Sonhos seduzirem o Tempo do Ser.
Sete versos compus, ensejando mergulhar no In-finito, para re-viver
O "nous" do sublime, enamorado da sabedoria, seduzido pelo conhecimento,
Sete olhares lancei à distância, esperando a benção de vislumbrar
As arribas dos êxtases e volúpias de sentir as divin-itudes da fé
Nas travessias das nonadas às ampl-itudes do universo
Sete vazios perpassaram-me a alma, enquanto, à beira do abismo,
Recitei a oração poética do logos da vida, querendo a razão de ser.
Sete abismos fluíram os silvos do vento ad-vindos de suas profundezas, entoando ritmos e melodias do incognoscível do sem-limites.
Sete cavernas, abrigando sons do silêncio, esplenderam ritmos e melodias do espírito no alvorecer de outro dia.


III


Sete suspiros emiti aos pés da cruz, sentindo os ventos de minh´alma
Perpassarem os pretéritos vividos, seduzindo o tempo a entregar-me
A chave para abrir as portas do Templo do Ser,
Sete silêncios a-nunciaram-se-me no deserto,
Sete felicidades re-velaram-se-me no peito,
Sete estrofes mostraram-se no seio da inspiração,
Sete intuições foram as sendas para versificar o amor,
Sete pétalas de rosas brancas e vermelhas exalaram perfume inebriante
Que me elevou às antípodas de todos os horizontes
Sete séculos ou até mais levarei para alcançar a cintilância da verdade.


IV


Sete selos selavam as cartas recebidas, dizendo a vida ser re-fazer
A cada instante o que foi vivido, sonhado, desejado,
Sete pretéritos enunciaram nas bordas do In-finito, voltadas para o além de todas as dimensões da alma e do espírito, o que vem atrás dos ventos, raios de sol, relâmpagos, chuvas e tempestades,
Sete verdades, do amor, sonho, esperança, fé, con-templação do ser e do verbo, solidariedade, cáritas, escreveram nas tábuas do eterno as etern-itudes de amar
Sete glórias nasceram no silêncio do deserto, anunciaram às luzes dos campos e florestas a sabedoria plena do Uno ao entregar-se ao verso.
Sete cânticos executados nas liras, harpas, cítaras, musicalizados, ritmados, melodiados à luz dos ecos da solidão, sussurro dos ventos, sibilos do silêncio, compuseram os sons do espírito no seu instante de meditação da luz divina.
Sete êxtases do belo e da estética conceberam a genesis do pleno e absoluto e as genesis do pleno e absoluto deram vida aos sete êxtases do belo e da estética.
Sete sinos nos domus do tempo de esperanças badalaram sete vezes os sons do silêncio e da palavra.


V


Sete tempos cobriram os horizontes na exaustão de fundirem a eternidade num punhado de instantes.
Sete cantos embalam os sonhos pelo tempo, sete sonhos embalam o tempo de cantos, sete tempos embalam cantos no tempo.
Sete invernos e desertos hão de arrebatar o eterno e a luz, e será a hora de doar os segredos.
Sete mãos modelam o infinito e a simplicidade das coisas, trans-cendem as formas e os acenos, saboreiam a vida e a morte.
Sete flores abertas, repletas ainda de segredos, revelarão o sonho dos amantes,
Sete poesias me cumprem como a águia cumpre o risco, o bico, cumpre o traço que verseja, versifica.
Sete pedaços de esperanças recolhendo as lágrimas, estabelecendo o limite do bem e do mal.


VI


Sete estrelas guiaram os sete peregrinos do deserto à busca do oásis de lâminas de água que cortam os raios de sol em sete minúsculos pedaços.
Sete faustas metafísicas iluminaram os caminhos para o Hades e em cada um deles deixaram espalhadas e sarapalhadas as sete goetheanas idéias para as glórias e júbilos do poder.
Sete homéricas virtudes revelaram nas con-tingências efêmeras e eternas as esperanças de sonhos que iluminam horizontes e uni-versos de felicidade e alegria.
Sete cartesianas razões explicaram com excelência as linguísticas e semânticas que o coração e a sensibilidade revelam para a verdade do amor, amor à verdade.
Sete nietzscheanos aforismos inscreveram na parede da montanha a heptologia apocalíptica do bem e do mal.
Sete sartreanas facticidades foram sementes para a Castanheira da Liberdade e da Responsabilidade que germinam os frutos do Ser.
Sete castelos abrigaram ao redor as sombras do crepúsculo por a luz do sol penetrar nas janelas semi-abertas para os picos de sete corcovados.


VII


Sete estrofes de sete versos originaram a poiésis linguística da beleza do belo que ilumina o espírito da vida.
Sete luas cheias ao redor das constelações emitiram brilhos que ofuscaram os confins e arribas do mundo.
Sete ritmos e melodias compuseram os cânticos do sublime e do eterno que inspiram a alma a trans-cender os sentimentos do amor e da cáritas, a trans-elevar as esperanças e sonhos do Ser pleno de ternura e felicidade.
Sete volúpias da plen-itude conceberam os sete ex-tases das utopias que revelam as travessias para o in-finito.


(**RIO DE JANEIRO**, 08 DE JULHO DE 2017)


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