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quinta-feira, 6 de julho de 2017

#AFORISMO 10/DEVEM SER AINDA...# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Deve ser ainda a luz a iluminar as águas, a resplandecer suas gotas e pingos, a enaltecer sua jornada, a elevar sua passagem silenciosa, deixar-lhes à superfície das imagens furtivas, suas perspectivas iluminadas pelas contingências do esplendido e do mágico, do surpreendente e mítico, esplendente e místico, seus ângulos transparentes de cores e traços distintos de sensibilidade e espiritualidade, lançar-lhes a rede, trazendo suas profundidades aos raios do sol, a luz da lua e das estrelas, sob a mercê das palavras, é sonho, é utopia secular e milenar, até sorrelfa destituída de seus valores intrínsecos, sê-lo-á por sempre, tomei essa missão em mãos, modo e estilo de tecer a felicidade e a paz com as linhas de sentimentos e volúpias que me habitam, os seus traços pincelados de vivenciais enredos-ensaios de sangue nas veias do sensível e do eterno desejo das flores do paraíso celestial levam, de modo simples e espontâneo, às raias e ao assento do Olimpo divino dos deuses?!


Devem ser ainda as chamas a acender as volúpias, deixá-las livres para a transcendência do que se me a-nunciou bem íntimo, sin-tonia e sin-cronia fortes entre mim e elas, entre os nossos seres de diferenças insofismáveis, sentindo forte e presente em mim paixão indescritível, amor inestimável pela imagem, por suas perspectivas presentes e distantes, por seus ângulos reais e longínquos, embora paixão e amor nesse nível, excesso, não me dão qualquer valor, ao contrário, tiram-me qualquer possibilidade de o encontrar, torná-lo realidade? Deve ainda ser a lareira a elevar-me os sentimentos, sentir suas chamas dentro em mim, inspirando-me a tecer letras, idéias, pensamentos outros, experienciando outros uni-versos de sentidos, outras sensações presentes se a-nunciando, iluminando algumas trevas que posso sentir, sombras que posso vislumbrar, mergulhar-me nelas, assim conhecendo um pouco do que escondem, em linguagem e estilo metafóricos e filosóficos, espirituais? Por inter-médio deles, é que prazeres e saltitâncias mil se manifestam no peito, o coração pulsa acelerado. Sinto-me assim, são esses os questionamentos que me faço, propondo-me a dizer o que me surge, o que aparece nas bordas deles, como sou capaz, é-me dado fazê-lo. Isto porque, pensando e sentindo bem, é tarefa árdua atingir esse objetivo, há o que transcende as palavras, há o que de muito profundo não posso atingir, porém é dar as devidas asas às buscas.


Devem ainda as águas que me iluminarão o silêncio e o som, a harmonia de suas forças que me preservarão da dispersão a vida. Sigo as minhas veredas, sem jamais aberrar. Conduzo os meus passos em busca das verdades que me habitam, desejando a Verdade, desejando o Ser, permitindo que as águas se harmonizem em mim, amparando-me, protegendo-me em tempos de fortuna, felicidade, alegria, prazeres, volúpias e êxtases, nas horas de dores, sofrimentos, infortúnios, angústias e tristezas. Talvez entre em contradição, devido ao estilo que sou eu, mas, em verdade, não preciso de erudição para tecer os sentimentos e emoções que me habitam, sei com eles criar valores que não servem apenas a mim, aos interesses que alimento no sítio mais profundo de meu coração, mas a quem deseja e tem necessidades de encontro com a plen-itude da Vida.


A paixão é o sentido oculto que traduz a loucura e a vida sem conflito com o amor. A vida, ao estilo do belo e do sublime, é exótica e mística em qualquer passagem da estação da loucura, ainda que os homens percam a razão do sonho e o significado da paixão.


Divina dedicação da vida com o místico, e do místico com o exótico, e do exótico com o erotismo apaixonado dos loucos!


(**RIO DE JANEIRO**, 06 DE JULHO DE 2017)


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