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segunda-feira, 1 de maio de 2017

#CREPÚSCULO# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: DITIRAMBO


Aqui estou
De alegrias,
Pulsando o coração,
De felicidade,
Olhos faiscantes, sorriso límpido
Lembranças de momentos
De angústias, dores, indecisões,
Medos, inseguranças,
Recordações de desejos
De ser lenda, mito,
De ser eterno, universal
A cada passo subindo a escada
Em direção ao céu,
A cada olhar con-templando
O novo panorama, a inusitada paisagem
Hoje, nada disso sou,
Sou quem de mim vive,
Sou quem anda a estrada que a mim dada,
E o que me interessa
Ser eu de carne e osso,
O que interessa a alguém
O que sou,
Interessa sim
O que está por trás de mim,
O que sou nos bastidores da vida
O que sou nos camarins das utopias.
O que sou no picadeiro das ilusões e esperanças.
No início do crepúsculo da vida,
Olhando através da janela aberta
Nuvens brancas passeando no azul do céu,
Sinto que haver acreditado
A vida era minha,
Não importaria quando se revelasse,
Fez-me compreender e entender
A vida é o que é,
E o que compus, criei,
Realizei, pres-ent-ifiquei,
Nos momentos de inseguranças do passado,
Que sempre segui,
"Ser não é mostrar-se
E mostrar-se não é ser".
Não sou nostálgico,
Posso ser bom de palavras,
Não sou futurista,
Posso ser bom de sonhos,
Mas o que sinto mesmo
É que há caminhos ainda a serem trilhados...
Amava re-tornar e começar tudo de novo,
Início dos caminhos,
Início das querências, desejâncias.
Se me oferecerem diamantes e cristais,
Posso dizer que eles me trazem
Memórias de sonhos, desejos,
Mas prefiro mesmo
A poeira das estradas,
As pedrinhas colhidas
No fundinho do rio de águas límpidas.


(**RIO DE JANEIRO**, 01 DE MAIO DE 2017)


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