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sexta-feira, 7 de abril de 2017

**BATENDO NA CANGALHA** - PINTURA: Graça Fontis/PARÓDIA: Manoel Ferreira Neto


Bons dias!


Verdade verdadeira, das mais incontestes que a inteligência popular fora capaz de criar, o povo sabe ser artífice, quando as situações e circunstâncias exigem, fazem urgência: faz-se mais que mister bater na cangalha para o burro entender, e, dependendo de seus instintos já fazendo hora-extra no mundo, deve-se bater nela centenas de vezes. Já pensou o leitor comum, o apaixonado, também aqueles que leem por nada mais haver e há para fazer, tendo de bater na cangalha para que isto seja pelo menos visível, não precisa ser inteligível, verificável, in-vestigável, seria até idiotice andar nestas trilhas nunca chegaria a um destino, correndo o risco de ser con-(s)-id-era-do idiota e imbecil, mas considerasse pelo menos que desejam saber o que está acontecendo na sociedade, com o perdão da palavra, da suciedade, seguindo estas trilhas, a coisa vai muito além disso, trans-cende, vai além da inteligência e perspicácia de alguns, aquém dos instintos e racionalismos de outros, nas (entre)-linhas da intuição e percepção, racionalismos e racionalidades, a coisa caminha mesmo para a intelectualidade, o preto da verdade no branco da racionalidade, vice-versa.
Imagine o colunista, o editor, o diretor espremendo os miolos para escrever artigo, matéria que id-(ent)-ifique os problemas divinos e santificados da comunidade, as falcatruas e viperinidades de algumas personalidades do métier político e social, surge o espírito-de-porco e dá sua sugestão para comer o angu pelas beiradas, enfiar a colher no meio do angu quente com certeza vai queimar a boca. Particularmente, enfio a colher no meio, mas tenho o senso, inteligência, sensibilidade, racionalidade de soprar, o suficiente para saber de meu gosto e paladar, não sou qualquer imbecil que renuncia a beirada para ufanizar o meio, negligencia o meio para obter resultados os mais divinos e econômicos. Tipos alguns que ratinizam a comunidade e aparecem em festas daquelas que honram e dignificam os homens, id-(ent)-ificam-lhes os valores sociais, intelectuais, artísticos, estes então merecedores de méritos e reconhecimentos, a primevíssima eternidade e imortalidade – onde estão as obras que isso possam sustentar? Aí é que a porca torce o rabo do lado contrário. Meu Deus, que hipocrisia!... Tipo Marconi Ferraço – para seguir as idéias e palavras do editor desta COLUNATURU, do tablóide Folha de Notícias – em festa de Juvenal Antena.
A paródia, para quem nunca ouviu falar nela, quem ouviu, mas de modo distorcido e preconceituoso, abre-se para mim numa multiplicidade de perspectivas, ângulos, de análise e interpretação, uma mistura de re-conhecimento e ironia, de consideração e sinceridade (só num caso, a paródia para mim é ipsis litteris verdadeira). Ou seja, mostro a realidade da coisa, crio e recrio as circunstâncias e situações, em busca da linguagem poética, intelectual, nunca me esquecendo da referência, ironizo, faço sarcasmo e cinismo, mas sigo a idéia e a estrutura do original. Com muito orgulho e agradecimento, sou neto de palhaço e trapezista por parte de minha mãe, gosto mesmo de ver o circo “pegar fogo” (as crianças riam de fazer xixi na calcinha de tanto rir devido à representação do palhaço; os adultos riam por ver sua sinceridade sendo reconhecida).
Não sei se dissesse que em nossa comunidade as coisas acontecem deste modo: semelhantes, apesar das divinas adversidades: é Juvenal Antena que aparece bem produzido, terno de grife, sapatos pretos devidamente engraxados, brilhando à luz das sombras, gravata, cabelos cortados à moda clássica, óculos de intelectual de primeiríssima instância, agradando e extasiando as mulheres para muitos talheres, os talheres para muitas mulheres de grife e etiquetas várias; é Ferraço de chinela, calça jeans desbotada, colete, bigode e cabelos brancos, camisa de manga curta; em tempos imemoriais, tinha supimpas características da Portelinha, mas, hoje, com a mudança de mentalidade, de conceitos éticos e morais na política e na vida social, individual, familiar, está muito bem, resta-lhe pouco para ocupar a sua cadeira no Panthéon, dentre elas largar mão da aparência e do orgulho chinfrim. O “Ferrado” está querendo “cantar de galo no terreiro dos “Parabólicos”. Mas o coronelíssimo não vai baixar o estribo para ele não... Resta-lhe “ser” mesmo. Cuidado: ser não é mostrar-se e mostrar-se não é ser.
Felizmente, o tempo, vivências, experiências mostraram-me com propriedade que as atitudes de não, ódio, ácidos destilados, pepinos descascados, verbos rasgados, palavras ditas na lata, mágoas, ressentimentos existiam só em minha cabeça, apesar dos preconceitos e discriminações os mais variados possíveis, mas como intelectual a minha missão é a elevação da cultura artística em nossa comunidade, a busca de valores, éticas, morais, a cristianidade e evangelização que se sempre pregaram os nossos padres redentoristas. Antigamente não era bem assim... A memória aviva, ativa, move e remove montanhas, apesar das negligências de muitas, a cristianidade supera todas as coisas que prejudicam o homem no mundo.
Certa vez, este colunista, numa sexta-feira, por volta das dez e meia da noite, decidiu tomar uma Brahma, num clube já carcomido pelas atitudes espúrias e viperinas. Qual o melhor remédio, re-fest-el-ênc-ias? Como bem diz o diretor do tablóide “Quem bebe Brama ama”, acompanhada de um aperitivo, e por sua sorte e iluminação o “Ferrado” estava todo bem produzido, de gravata, tomando seu uísque Jack Daniel´s noutra mesa, rodeado de seus cúmplices e álibis, postura, conduta, importância, responsabilidade, atitude e ações, etc., etc., não poderiam ser outras senão estas, “se o leitor compreende bem”. Não tendo ninguém comigo, tomei da pena e comecei de escrever matéria que pretendia publicar no tablóide, sobre os preconceitos e invejas que imperam em nossa comunidade, havia escrito artigo sobre certos acontecimentos que envolviam aquele clube. Mui sinceramente, senti-me querendo mostrar os dons e os talentos que me habitam na contramão do Ferrado que nada sabe escrever. Não me mandou nenhum bilhetinho desaforado, não se levantou da mesa e gritou-me impropérios. Levantou-se da mesa, apertou a mão dos comparsas e foi dormir o seu sono de deus e justo.
Não posso dizer com categoria e propriedade que no outro haja comentado nos becos, esquinas, alcovas e gabinete haver sido verdadeiramente palhaçada aparecer no clube, começar a escrever, para mostrar-lhe nada escrever, mas era compreensível por ser este colunista neto de palhaço. Tanto lugar para escrever minhas asnices e idiotices, fui fazê-lo no lugar onde estava refestelando-se em companhia de seus companheiros de bestalhices e ratinices. Mas depois que o “Ferrado” fora dormir o sono dos justos, aproximou-se de mim alguém que me dissera com todas as letras: “Botequim é o lugar divino para as grandes idéias serem escritas e divulgadas”, o que lhe agradeci com todas as sílabas e pingos nos “ii”. Parece que as antenas do meu conhecido e amigo, que jamais foi político, nem teve desejo de sê-lo, captou alguma ratinice ou bananice do “Ferrado” e havia chegado o momento de retificar para ratificar as atitudes indecorosas e preconceituosas.
Quem mandou cutucar onça com vara curta – o pior é que estes quem assim agem perdem a vara no tempo e nas circunstâncias, e a onça jamais esquece haver sido cutucada, o tempo das onças humilhadas e ofendidas já se passou, hoje os tigres são mais perspicazes. O tigre esperara o momento adequado e dera a resposta com os seus caninos mais que afiados, creio até que haja servido do afiador para melhor realizar os seus divinos intuitos, a resposta com dignidade e verdade, a carne sendo arrancada com propriedade e categoria.
As novelas reais são mais interessantes, pois somos nós que vivemos a coisa, salve-se quem puder das conseqüências, vangloriem-se quem puder com suas atitudes.
Na cangalha, bater... Bater na cangalha... Bater cangalha na... Felizmente, há burros que ainda entendem de só vez, o pior são os que de modo algum vão entender seus instintos já fazem hora-extra no mundo...


(**RIO DE JANEIRO**, 07 DE MARÇO DE 2017)


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