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quarta-feira, 8 de março de 2017

**SÍNTESE: HOMEM E VIDA** - PINTURA: GRAÇA Graça Fontis/PROSA: Manoel Ferreira Neto


Epígrafe:



"...a vida não precisa de redenção, ressurreição, a vida é eterna..." (Manoel Ferreira Neto)



Deixo o silêncio - palavras verbais, res-postas verbais por vezes os ventos da con-ting-ências levam, foram apenas palavras, res-postas - nos declives, curvas da estrada, na extensão dos chapadões, no vácuo das igrejas, no vazio dos templos, silêncio irreversível, implacável, nos séculos e milênios presentes impreterivelmente, des-velá-lo, des-vendá-lo, da verdade só noções, intuições, percepções. Quem silencia não significa que con-sentiu, ao contrário, sentiu forte e presente a res-posta jamais para sempre seria esquecida, jamais para sempre vento ou a consumação dos tempos levaria(m). A vida quer a cor-agem das decisões, das posturas, das condutas, a vida quer a honra e a dignidade de sua ec-sistência no mundo. Magoar, ressentir o homem, seja no seu orgulho, seja na sua sensibilidade, isto acaba sendo relevado em nome do perdão, da desculpa, alfim o dogma diz que o perdão é raiz da castanheira da ressurreição, contudo fazê-lo com a vida, a vida não precisa de redenção, ressurreição, a vida é eterna, sua res-posta é categórica, seu silêncio é imortal. A travessia do homem à vida traz na sua algibeira, alforje, bojo o espírito da cor-agem insofismável e incólume das ações e atitudes.
Deixo que reserve na mente o lugar do pensamento dos éritos do passado, húmus e sementes da vida que se fora constituindo das situações e circunstâncias das imanências, suas ipseidades, tornando-se luz de si própria, projetando-se livremente ao além da simples e mera espiritualidade, pro-jetando-se ao verbo in-fin-itivo do ser. O homem desde a eternidade serve a um deus, com o ad-vento do cristianismo a Deus, de quem espera amparo, proteção, segurança nas con-tingências da ec-sistência, de quem espera a redenção, ressurreição. Na verdade, na verdade, o homem serve à vida, ela é a vereda para o verbo e para o ser. A cor-agem das decisões, das posturas, das condutas, o que a vida quer dos homens, é justamente para na morte mergulharmo-nos nela eternamente, sermos-lhe in-fin-itivamente para sempre. A fé "si-mesma" se real-iza no constituir a querência da vida das decisões, condutas e posturas impreteríveis, mordendo e assoprando os dogmas e preceitos, pois que com eles a vida termina no paraíso celestial.



(**RIO DE JANEIRO**, 08 DE MARÇO DE 2017)


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