**NARRATIVA DE VEREDAS E CLARIDADES DO SUBLIME** - Ana Júlia Machado e Manoel Ferreira Neto
Por onde perambulei até aqui avizinhar
em vastas veredas sumi-me
imensas claridades lobriguei o resplendor a avivar
imensas escuridões à claridade da lua
insensibilizei
foram copiosos os dias em que peregrinei
extraviada entre as vielas, a ponderar
para mais tardiamente, de rompante, atingir,
que era tarde demasiado quando aproximei
ou nesse caso, seria extemporâneo e eu sem
compreender
ao planeta continuamente vedei-me
inúmeras empedradas trilhei
inúmeras margaridas no vergel cultivei
por cada calcadela padeci uma chaga
em cada margarida desvendei um bem-querer
erigi no cume de uma serrania, um fortim
alcei no pó do areal, um paredão
no fortim existiria provavelmente um infante
sublime
no litoral uma sirena enleada numa manta
mas, o planeta está todo falacioso
por isso o infante já não é deslumbrante
a sirena legou de ser uma parábola
que presentemente já não nos magnetizaria
um dia, ainda arrisquei adejar
em outro dia, com mais arrojo, extasiar
tendo apercebido que não possuía ansas
nem sabia gerar fascinação como as divindades
todos os povoados por onde cruzei, para aqui
aproximar
legaram-me desmedidos ensinamentos de existência
senti-me uma menina a vadiar, galgar e entoar
arquitectando uma narrativa bem vigorosa
onde no transcorrer da idade mesclaram-se
a melancolia, a dita e a comoção
mas onde tal-qualmente figuraram
as ausências, a mágoa, o desapontamento
do inventário destas boas partes do tempo
se instituiu a minha existência abalizada de
justezas
Quiça os verbos não me res-pondam ao desejo
supremo, absoluto de os versos de luzes se a-nunciarem à soleira do
aqui-e-agora em que con-templo o brilho das estrelas nessa noite de início de
inverno, o friozinho está agradável, aprecio sobremodo essa temperatura, o
corpo res-ponde com o prazer e a felicidade de estar-sendo no mundo,
estar-sensível em relação com as coisas e objetos, sinto-os suaves e serenos,
desfrutando conquistas outras dos sentimentos, percebo outros que estão
latentes, visões-[da]-contingência nas situações e circunstâncias das labutas
pela consciência-estética-ética, ser-à-busca-dos-caminhos-do-campo,
não-ser-nos-becos-alamedas de pedras e buracos di-versos, por onde imbecis e
fístulas perambulam desde o nascer do dia até altas horas da madrugada,
denegrindo o sentido da vida, os reais valores humanos, sentimentos simples e
ternos perpassam-me a carne sedenta da a-nunciação da sensibilidade, comungada
à intuição, percepção, imaginação, aos ideais de amor e entrega às ilusões de
pensar a vida, con-templando as suas nuances, de sentir a caminhada, a andança,
ob-servando as contradições do “eu” que se prolonga com as vivências,
experiências, querências adquiridas no quotidiano das situações e
circunstâncias, prazeres e sofrimentos, o outro que ainda se mostra atrás do
espelho do ser, mas se dirá ao longo e no decorrer dos segundos e minutos
passando lá no céu, quando a prosa é a poesia, quando a narrativa é a
linguística da alma eivada de sensibilidade e das dimensões do desejo de amor,
amizade, de harmonia entre o íntimo e as realizações das coisas da terra e
estradas, pontuando as nuanças da imaginação, inconsciente, sublinhando os
movimentos da memória, no tempo das situações e experiências, no kairós do
inconsciente divino, quando a poesia é modo, estilo e linguagem de
id-ent-ificar o que perpassa o rio de águas límpidas das esperanças e fé da
con-versão, re-{n}-[ov]-ação, “ov”-ação da res-cogitans, da res-extensa, da
liberdade que não é apenas êxtases e euforias do momento, de sentimentos e
emoções que fluem à mercê do instante em que as coisas parecem e são simples,
mas que é labuta, é perseguição, é insistência para mantê-la e conservá-la
conciliada, reunida, comungada aos desejos, vontades, razões do encontro com as
veredas e margens das águas do ec-sistir, dos sentimentos de alegria e
felicidade com o con-sentimento do outro ser, que se esconde e en-vela nos
de-sentimentos de buscas e procuras, querências, e tudo o mais são os becos e
alamedas por onde cruzar o destino de nada.
Talvez os versos expressem com transparência e
nitidez o que nas pré-fundas da inconsciência, que se encontra em movimento a
todo instante, desejando através de êxtases e estesias as oportunidades de se
mostrar, des-algemar e des-acorrentar o que causava medos e hesitações, as
mudanças se coloquem reais e concretas, o ser no seu movimento contínuo se faça
em linguagem e estilo verdadeiro, a verdade da vida seja em toda a sua pujança
e contundência o cerne da espiritualidade, a essência de minha história desde a
abertura dos olhos no mundo, diante dos processos ec-sistenciais, frente às
dúvidas, inauditos, mistérios, enigmas, busca da verdade, querências de
realizações, às utopias do “eu” e do outro, até o fechar dos olhos por sempre,
mas o receio quiçá seja inglório empenho, devaneio, que exista só dentro de
mim: por essa razão sofro e peno, vacilante assim. Ao verdadeiro amor, porém,
nada atrapalha, mesmo que, fatal, surja imbatível muralha entre o que de
sincero ec-sistir entre mim e a vida.
Mistérios da liberdade, solidão, silêncio,
Enigmas da alma, dores e sofrimentos,
Re-velando-se espontâneos as perspectivas do
con-sentimento
De o outro ser
A imagem resplandecente
De onde o sol nasce,
Os amores e paixões
Abrem as janelas e portas
De todas as distâncias
Para o prazer e alegria,
Felicidade
As ilusões do verbo amar
Girem em torno da imaginação,
Ao redor da alcova com a luz apagada,
Esperando o milagre do sentimento verdadeiro,
Na expectativa da alegria,
Felicidade perenes;
De onde a vida se esplende
De fulgor e glória,
Atingindo e alcançando
O espírito do olhar
Que busca a visão
Da poesia, poiésis, poema,
Transcendendo o mero litteris
Da palavra,
De sua linguística ec-sistencial,
Ec-sistenciária,
De onde o ser,
Na continuidade das re-fazendas
Do eu,
Re-colhendo e a-colhendo o outro,
Tergi-versando o olhar
Do em-si mesmado,
Con-templando os novos desejos
De conhecimento, sabedoria,
Vislumbrando outras fin-itudes do uni-verso,
In-fin-itudes dos horizontes de além,
Seja a bússola
Nas sendas dos caminhos
De encontros, fantasias, quimeras,
Das verdades, in-verdades
De sonhos e utopias,
O sentimento lúdico e sensual
Dos conhecimentos que se a-nunciarem
Límpidos e transparentes,
Reais e profundos,
Reflita-se na superfície lisa
Dos desejos, vontades, razões
De estar-no-mundo buscando
O ser-{da}-vida,
A essência-{do}-amor,
O espírito-{da}-paz,
A verdade-{da}-alma,
A alma-{da}-felicidade,
Especialmente
A utopia-{do}-eu-outro
Que conduz
À inconsciência
Do Paraíso Celestial
De Adão e Eva,
Do Eldorado das Ilusões
E Fantasias,
Da Terra Prometida
Dos versos e verbos
Dos sonhos e utopias
No sertão mineiro,
E todas as coisas que se a-nunciam,
Manifestam-se, re-velam-se
São outras estrofes
Do querer, do desejar
O que o amor é capaz
De acontecer no íntimo do coração,
Nos interstícios da alma e do corpo,
E a voz da felicidade
Faz-se na altissonância
Dos gritos antigos,
Remotos,
Primevos,
Primitivos.
Jamais conseguiria pensar nos segredos em termos
nítidos por temer invadir e dissolver a sua imagem, acredito seja ela
imprescindível para em suas perspectivas e ângulos poder vislumbrar a
continuidade do ser, observar com olhos de lince formando no interior núcleo
longínquo e vivo, jamais perdendo a magia. Senti no itinerário desde o Pôr do
Sol até o Arraial das Tulipas, onde encontraria o amigo para mais uma de nossas
con-versas, os pés nus vacilarem de insegurança como se estivessem soltos sobre
o redemoinho calmas das águas límpidas. Seria esse o sentimento que me
perpassava, percebi esse por não me ser possível no momento perceber o
verdadeiro?
A paixão de ontem pela vida nesse milésimo de
segundo em que registro estas palavras parece-me não apenas um ridículo do
passado, nem sabia o que era a vida, elucubrava-a, a paixão era-me apenas um
modo de mostrar a ansiedade de obter resultados que acendessem os holofotes do
espírito, id-ent-ificasse os valores e virtudes que me habitavam profundo, mas
o amor de hoje pela ec-sistência mostra-me o que tenho para desejar e buscar,
querer e lutar por fazer, re-fazer, comungar-me inteiro ao
ser-{de}-outros-uni-versos, em que, com os olhos brilhando e faiscando,
vislumbro apaixonadamente a trajetória das andorinhas fazendo o verão, a luz
acesa de uma cabana distante, no fundo de um abismo, no meio do chapadão deserto
e solitário, presumindo haver alguém que no âmago da solidão e silêncio
in-vestiga os sentimentos que lhe perpassam o íntimo, um ensaio para as novas
conquistas espirituais desde o raiar do dia à eternidade das horas que jamais
deixam os ponteiros do relógio descansarem tranquilos, serenos, reflete e
medita acerca do passado em brancas nuvens, sonhando com a plen-itude do azul
do céu, elucubrando a finitude das verdades e in-verdades – ai, que inveja
sinto desse alguém, perambulo na multidão da civilização, no deserto da
civilidade, deambulo nos corredores da civilismo, ando nos métiers da
diplomacia e hipocrisia, caminho nas trilhas das mesquinharias, mediocridades,
contudo só observo, só a solidão e o silêncio des-atam os nós das angústias e
insatisfações dessa insofismável realidade, só a liberdade nascida da solidão e
silêncio me projetam além, fazem-me sentir em movimento, o mais importante
mesmo é a mudança que em mim acontece, vejo o mundo sob novas perspectivas,
sinto a vida à luz de outras imagens, não vou mesmo mudar o mundo, trans-formo
e modifico a minha consciência-[da}-vida, em plena atividade vivencial e
vivenciária, em busca do ab-soluto do prazer e da verdade, dos sentimentos e
emoções que me fazem sentir homem, indivíduo, quem sou, e todo o resto na
linguagem e estilo de e-mail mando à tonga-da-mironga-do-cabuletê.
Luz acesa de cabana distante,
Mesmo sob ameaça de escombros...
Re-flito e medito,
Sonhando com a plen-itude do azul do céu,
Projetando a fin-itude das verdades
Que me fazem sentir a solidão e o silêncio,
A ópera do desequilíbrio,
Equilíbrio,
A liberdade nascida
Nos con-sentimentos e permissões
De curtir os prazeres, contentamentos
De ser-vida, de ser-verbo-amar,
De ser-busca-{de}-esperanças,
Fé,
De ser-ec-sistência.
Coincidência não ec-siste, acredito que a coisa nas
estrelas estava escrita para acontecer, esperando apenas o tempo e o instante
de fazê-lo. O que estava escrito para acontecer no mesmo lugar de outra que
havia acontecido não fazia muito? Há dias dissera que estava andando numa rua,
quando senti presente e forte a delícia da solidão, o que acontecia ao meu
redor não me dizia qualquer respeito, se os transeuntes perambulavam ou andavam
com objetivos determinados ou simplesmente sem eles não era de minha alçada
sabê-lo, só a minha vida interessava, estava acompanhado de mim próprio, só eu
e o meu amigo outro estava no mundo, passando num lugar específico – senti
forte desejo de entabularmos um diá-logo, não o fazendo, porém, ridículo
conversar sozinho pelas ruas, não por estar sob os olhares alheios, seus juízos
e censuras, por não ouvir as palavras a mim dirigidas senão interiormente. O
sentimento fora forte, e não se esvaeceu após tantos dias, não se esvaecerá
jamais, a verdade de um sentimento é perene, modificando-se, transformando-se
ao longo do tempo não apenas para atender às novas circunstâncias e situações,
mas também para se desenvolver, crescer, abrir passagem para o “Ser” ser.
Pois bem... Passava no mesmo lugar há provavelmente
dez dias, quando senti o prazer e a alegria da liberdade, senti-me livre.
Disse-o antes, não tecerei mais palavras ou idéias nesse tangente, importa
saber que estive conversando com amigo pessoal e íntimo, tendo permitido
espontaneamente que mergulhasse no meu insconsciente, retirando de lá o que
fora trancado a sete chaves, o que fora censurado em situações e circunstâncias
passadas, di-versas e ad-versas, o que não conheci ao longo do percurso
vivencial, dizendo-lhe dos sentimentos que se a-nunciaram e re-velaram-se,
aquando des-cobri era livre, estava livre, as alegrias e contentamentos que me
perpassaram por inteiro, o calafrio na medula espinhal, os êxtases e volúpias
da alma, o coração que batia descompassado, sem ser arritmia, a pressão subindo
um pouco além de seu 12X8, consequência de tudo o que acontecia no interior –
confesso jamais haver pensado, imaginado, elucubrado, fantasiado que algum dia
iria isso vivenciar tão profundamente, não era fruto da imaginação, não era
fantasia, como algumas vezes detectei com lucidez e consciência, sentindo
vergonha de mim próprio, tudo não passava de aparência, disso sempre tive
náuseas.
Despedindo-me do amigo, dizendo-lhe que nos
encontraríamos quinze dias depois, o sol estava bem forte na rua, a sombra de
meu corpo se re-fletia límpida e lucidamente no chão de pedras. Olhei-a de
soslaio, não sabendo dizer o porquê desse olhar, acredito que por jamais haver
sentido o que senti no momento, sempre me parecera densa, carregada, nada
conseguia enxergar além dela, nunca questionei a razão – por medo, por fuga,
re-lembrando Cris de Sonho do Verbo Amar. Olhei-a de novo, não de esguelha,
soslaio, mas diretamente, em suas pré-fundas intui a alegria e a felicidade que
vivenciava e experimentava, nos seus interstícios re-conheci a verdade do
sentimento, emoção, na pró-fundidade da imagem, que a-nunciava e re-presentava
as perspectivas do ser que se expressava nas dimensões da espiritualidade e
con-{t}-[ingencial]-idade, vislumbrei e con-templei a verdadeira VIDA. Dizer
que essa clar-itude da sombra significou que o passado deixou de ec-sistir,
esvaziou-se em mim tudo o que vivenciei, isto é tergi-versar as coisas de modo
radical, é mentir com os sentidos delas nas mãos feita concha, na verdade, na
verdade, as coisas do passado eram húmus, raízes das mudanças presentes. Há
anos trago em mim um questionamento, não me preocupando a res-posta, mas sendo
bússola de meus caminhos: “Como é possível mentir com a verdade nas mãos?”, sua
contribuição é indescritível.
Distâncias percorridas de horizontes de algures a
confins de alhures... No céu, a lua quarto minguante brilha, não há estrelas -
na estação de outono os fenômenos naturais são bem ad-versos das outras
estações -, o cigarro no cinzeiro queima-se, a fumaça esvaece no ar, as emoções
perpassam-me o corpo inteiro, solidão sinto-a presente, silêncio e liberdade
sinto-os movimentando-se nos interstícios dos desejos, vontades, razões,
preparando as a-nunciações do ser, continuamente delineie as perspectivas da
imagem da verdade, nos seus interstícios a semente da plen-itude do real sendo
manifestada, agradeço aos verbos-versos por ser assim a minha vida, louvo a
cor-agem de assim transitar no mundo, de responsabilizar-me por viver de quem
sou, assumir realmente as imperfeições do caráter e personalidade, as
perfeições da linguagem e estilo, lembrando-me até do que dissera o amigo,
aquando tratamos desse pormenor: “Acho que você pensava que a linguagem e
estilo, vírgulas nos seus devidos lugares eram você”, respondendo-lhe eu: “Não
tem motivo você para achar, isso é a minha verdade mesma”, retrucando ele:
“Disse-o porque podia não ad-mitir”, afiançando eu: “Sabe que tenho o péssimo
hábito de sempre ad-mitir as minhas verdades”.
Andar andei, léguas e mais léguas percorri, senti
na carne e ossos os caminhos de poeiras metafísicas, solipsistas, acredito ou
não não pensava que chegaria nesse porto de onde observo nos movimentos e
imagens da memória a profundidade das águas que foram se tornando límpidas no
decurso dos verbos que conjuguei, no percurso dos sonhos que alimentei, reguei
desde o alvorecer ao anoitecer, e nas madrugadas tive esperanças e fé de
tornar-lhes reais e verdadeiros, re-fletindo e meditando que lado da avenida
Othon Bezerra de Melo iria trilhar, esquerdo ou direito, em que tronco de
palmeira iria registrar o meu nome, mostrando que passei por ali, mesmo
julgando que seriam em vão. Acredito a esperança, que não reconhecia em mim,
não sabia de sua ec-sistência, habitava tão profundo a vida, o inconsciente
individual, é a responsável pelos encontros e conquistas que me fui acumulando,
armazenando na memória que se movimenta livremente, re-fazendo os sonhos nas
trilhas do presente – ou deveria re-gistar neste final de linha branca
“pré-{s}-ente? -, perfazendo os versos das alamedas futuras, em cujas estrofes
e melodias sinto o espírito da vida, a-nunciando o além do mesmo de sofrimentos
e dores, esperanças e fé como as sinto em mim, se Deus não fosse o Absoluto,
Quem conhece as suas criaturas, não assinaria embaixo tais palavras -, no entanto,
ainda espero com toda a contundência dos desejos acenar adeus a esse porto, nem
por milésimo de segundo olhar para trás até desaparecer na longa estrada,
contornando a curva, será apenas lembrança o tempo de estada, o que pensei,
senti, o que refleti, outras idéias e pensamentos surgindo, de outros encontros
tendo vontade, roda-viva do tempo e de suas circunstâncias – já me sinto
extasiado, minhas palavras, com todos os esmeros da composição sensível,
delineamento espiritual, linguagens e estilos di-versos que me são dados criar
e re-criar, sentem exaustas, desejam outros horizontes do verso e do ritmo,
desejam andar do início ao fim da Othon Bezerra de Melo, virar à direita,
conhecer a verdade de outras culturas, com seus mitos, lendas e mentiras, folk-lores,
virando à esquerda, tudo são farsas e hipocrisias, especialmente no Vale do
Jequinhonha em que tudo não passa de vida de orgulhos e vaidades do nada, onde
a morte é o grande elixir do prazer e contentamento. Amanhã, quem sabe?!...
Estarei partindo, mochila no ombro, sem lenço nem documento. Importará o que
estará por acontecer, dir-me-á respeito a nova vida que se me a-nunciará,
outras experiência e vivências, outras linguagens e estilos nos verbos de
versos inéditos de melodia, musicalidade, andar é preciso, sentir o solo da
estrada de por baixo dos pés é imprescindível.
Profundidade das águas
No decurso dos verbos que conjuguei,
Reguei de temas, temáticas,
Sufixos e prefixos,
Dos fixos do “su” e do “pre”
Nos temas e temáticas
Do sem-pressa, sem-margem,
Do Viver que é sempre
Da natureza que assiste a isso
De modo simples,
De estilo ingênuo e inocente,
Até mais do que neles não ec-siste,
Desde a língua que emite
As palavras
À origem dos sons
Que o desejo da expressão
Se fez presente,
De na lírica considerar e re-conhecer
Dera continuidade no tempo
Das esperanças e fé
De o eu-outro ser a essência
Da comunicação,
O outro do ser “eu”
Ser o sentido e a metáfora
Das pré-fundas da alma
E sua contingência de dores e sofrimentos,
Das profundidades do espírito
E sua transcendência
Em busca
Do que habita os interstícios
Da verdade da VIDA,
Das origens do Ser,
Das raízes do AMAR
Ser a utopia do verbo
De Versos-Sonhos
Ana Júlia Machado e Manoel Ferreira Neto.
(12 de abril de 2016)

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