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domingo, 10 de abril de 2016

**LÁCIO DA ÚLTIMA ESPERANÇA** - Adhemar Navas e Manoel Ferreira Neto


Minha Esperança, de tão velha e insana, já não espera nada. Esperar nada concilia-se às in-versas des-ilusões, tecendo de éritos das melancolias as velhas e insanas sorrelfas do In-finito, e a Esperança, de tão presente e forte, de tão ex-tase do verbo no Ser do Tempo, recita versos antipoéticos, saudando o alvorecer.
Passa as tardes parada, olhando no infinito, algum ponto oblíquo, que eu estou quase convencido...nunca existiu. No In-finito, circun-vagando o oblíquo do espaço, poetisa as tardes que passam de crepúsculo em espera do canto da coruja no galho da árvore dos sonhos, mesmo que ad-verso ao in-verso e re-verso das utopias, sub-verso ao ad-verso dos horizontes do verso-uno, compondo de melodias e ritmos as notas do vir-a-ser, ser des-esperança da esperança é o cálice de vinho tomado de goles esparsos para o saboreio simples e prazeroso, gozo de deuses pagãos, é a semente que germina no des-abrochar dos verbos que con-jugam o ser da humanidade com os fios do estar-sendo.
As vezes eu tento reanimá-la e digo, de um impulso:
- A última que morre.
A pobre surda volta-se da distancia:-Hem?
- A Esperança.
-Quem?
Retorna ao seu tricô, de linhas embrenhadas, pois não enxerga ela,um palmo além da cara,e com a lentidão da vida,põe-se a imaginar que fia alguma coisa,
Alguma merda útil.
Destas que se usam nos tempos de outono,ou que se dão aos netos,
Caso houvesse um.
Mas não creio que a Esperança os tenha, em seu sagrado ofício de esperar...ficou, como o tempo ou as árvores,na posição materna e eterna da espera.
A esperança re-versa o lácio último para atingir a renovação com o princípio de outros sonhos e utopias, o tempo na sua continuidade tece, assim, o eterno.
Se algo chegou-lhe um dia, o amor perfeito, uma correspondência, qualquer coisa em suma, não estou bem certo.
Só do que tenho certeza é de que ela esperou, cumprindo seu ofício com a paciência dos dias.
As vezes me exaspero dessa espera fiel, e me levanto de um tranco, querendo que ela como esperança,mude seu papel e saia, loucamente rindo, pela calçada.
-Vamos?
Surda como a morte, ela suspende os olhos, cegos como a noite e repete:
-Hem?
-Dar uma volta,oras.- Em um empenho inútil,tento incentiva-la, estendo-lhe a mão, e a pobre senhora, apenas se volta ao seu tricô horrendo
Esperando,esperando,esperando alguém:
- Quem?


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