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domingo, 10 de abril de 2016

RES-POSTA À CRÍTICA DA AMIGA, ESCRITORA, POETISA MARIA ISABEL FERNANDES DA CUNHA, "A DIALÉTICA ABSTRATA NA OBRA DE MANOEL FERREIRA NETO" - Manoel Ferreira


Dizer que o passado, à medida em que se distancia, longinqua, se trans-muda em seu sentido, e que podemos a posteriori re-traçar uma história inteligível do pensamento, desde que nesta síntese cada termo permaneça na totalidade do mundo até então, e que o encadeamento das filosofias as mantenha todas em sua posição de significações abertas, deixando subsistir entre elas uma fluência de antecipações e matamorfoses. O sentido da filosofia é o de uma gênese e não lhe seria, assim, possível totalizar-se fora do tempo, sendo ainda expressão. Quanto mais, fora da filosofia, o escritor, que não sente nem pensa atingir o cerne das coisas senão pela prática da linguagem e nunca fora dela.
A dialéctica que habita a minha obra funda-se, fundamenta-se, gênese e tempo, retraça a "existência sensível" da contingência, percepção e visão-do-mundo, inspiração, desejos, esperança, sonhos do Verbo do Ser, eidos da Literatura e da Poesia, e o "pensamento", "idéia" que, no vivenciário e no vivencial das coisas do mundo, cria, elabora, delineia, por vezes, inventa sendas e veredas que revelem a trans-cendência na contingência, é justamente esta síntese que concebe a minha obra literária.
Devo dizer da linguagem em sua relação com o sentido o que Simone de Beauvoir diz do corpo em sua relação com o espírito: que não é primeiro, nem segundo. Ninguém nunca fez do corpo um simples instrumento ou um meio, nem defendeu por exemplo que se pudesse amar por princípios. E como tampouco é o corpo só que ama, cabe dizer que tudo faz e que não faz nada, que em nós existe e não existe. Nem fim nem meio, envolvido sempre em casos que o ultrapassam, sempre cioso no entanto de sua autonomia, é suficientemente poderoso para opor-se a qualquer fim que só fosse deliberado, mas de nenhum dispõe para nos propor se a ele enfim nos dirigirmos e o auscultarmos.
A dialéctica não é a idéia da ação recíproca, nem a da solidariedade dos contrários e seu ultrapassamento, nem a de um des-envolvimento que se auto-propulsiona, nem a trans-crescença de uma qualidade, a instalar numa nova ordem uma mudança até então quantitativa: tais idéias são consequências ou aspectos da dialética.
Se é que assim possa esclarecer a sua crítica tão percuciente com o meu pensamento, chamo a minha dialética, a que habita na obra, DIALÉTICA LINGUÍSTICA DA EXISTÊNCIA.
Os meus sinceros cumprimentos, acompanhados dos sensíveis agradecimentos ao seu reconhecimento.



Abraços!



Manoel Ferreira Neto.
(10 de abril de 2016)


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