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domingo, 19 de fevereiro de 2017

RESPOSTA BIOGRÁFICA DE Paulo Ursine Krettli AO POEMA /**AMIGO... GRITO ANTIGO**/


Engraçado, né? Grito Antigo, livro de poesia, lançado em 1989, ganhar essa repercussão toda! Essa estupenda ilustração, tirando os anzóis e colocando pequenas ondas das pedrinhas atiradas por mim no rio, relata um pouco desse segredo. Devo confessar que a alma de Grito Antigo está constituída por Araçuaí, seu Rio, um pouco da minha infância por lá, pelo Amor (amores - platônicos, possuídos, amados) e por mais de cinco mil poemas feitos de 1971 ao início de setembro de 1987, menos de quinze após o falecimento do meu pai Laurindo, nos quais relatei meus ganhos, perdas, loucuras, algum martírio... Como cinco mil poemas? Pois é, eu não queria publicar qualquer coisa, qualquer rabiscado que viesse a ser deboche. Eu lia muito (como li muito - e leio! - pela vida afora), escrevia muito, diariamente, em especial sobre os amores (os não possuídos principalmente) que me fizeram do Amor "com e para" realização plena, não só o amor carnal, mas o amor pela humanidade! Assim, do início de setembro de1987 a janeiro de 1988, cinco ml poemas foram relidos. Relidos e marcados (ou não) seus versos, ou frases, ou palavras. Finda essa etapa, os poemas não marcados (a maioria!) foram jogados a um canto. Relia alguns novamente, mas nada encontrava que pudesse sem merecer destaque em alguma frase, algum verso. Após onze dias da releitura definitiva dos poemas não marcados, tomei a decisão de queimá-los. Depois de queimados esses, sem nenhum remorso ou pena, reli novamente os que ficaram sumariamente marcados. Depois de outros meses de intensa combinação de frases, versos, palavras - e a emoção dessa combinação que me levavam de volta aos meus tempos de menino, adolescente e juventude, cada qual com suas emoções e lembranças -, em outubro de 1988, Grito Antigo estava esboçado. Daí até o seu lançamento, foram outros muitos dias de pesquisas, de revisões, de aprovação da belíssima capa feita pelo amigo Paulo Mendes Alves, de recolhimento do excelentíssimo prefácio do Professor Custódio de Oliveira, assim como dos emocionantes comentários, entre eles o do nosso Manoel Ferreira Neto.

Paulo Ursine Krettli

**AMIGO... GRITO ANTIGO**
PINTURA: Graça Fontis
POEMA: Manoel Ferreira Neto

Amigo,
Grito Antigo é o silêncio
Habitando a sensibilidade
Que versa saudades, melancolias
Que versa-com(con-versa) sonhos, esperanças,
Monologa fantasias, dialoga a liberdade,
Que tergi-versa a busca do Ser, da Verdade,
Não sendo esta a luz que você projetou na obra,
Sinto o Grito Antigo,
Con-templo-o através deste sentimento,
Desta emoção,
Do que hoje vivemos,
Amanhã, o que nos espera,
Onde - nós?
Onde nós?
Nossas ilhas serão diferentes,
Distantes,
Nossos desertos serão à luz de reflexões,
Miríades de oásis no olhar que tergi-versa os linces,
Perscruta a imensidão do universo, horizontes...

Em que nível sentirmos o Grito Antigo,
Sempre estarão presentes o sonho, a esperança,
Algo a ser atingido,
Conquistado,
Realizado
O Grito Antigo que me habita, é-me
Nos abismos da alma, nos seus redutos,
O verbo da entrega, o intransitivo da doação,
Mister aflorá-los, fluí-los,
E quando penso em Grito Antigo,
A imagem de águas límpidas seguindo o rio,
Àguas outras a todo átimo de instante,
À margem con-templando-o(as),
Imagens se a-nunciam de tempos outros.

Grito Antigo...


(**RIO DE JANEIRO**, 19 DE FEVEREIRO DE 2017)

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