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domingo, 26 de fevereiro de 2017

**LIVRO ABERTO** - PINTURA: Graça Fontis/POEMA: Manoel Ferreira Neto


Exultante por nada com-preender à luz do encanto e re-encontro/re-encanto dos abraços e compassos, os réquiens às felicidades e alegrias, às flores morenas que mandam no coração, que moram no paraíso de mim, que me tiram da solidão, nada entender sob a imagem da nova consciência e juventude do outro que se a-nunciará no campo de flores secas que caem e serão húmus de outras a re-novarem as forças do espírito para as novas razões, desejos e vontades, todas as alegrias e felicidades habitam-me, por assim ser, ser o que me habita a essência da vida e contingências dos tempos, despertando-me para a busca de esclarecê-los e torná-los transparentes e re-luz-entes, não é está-la definindo de modo absoluto, não é estar conceituando e categorizando os raios luminosos que moram no coração e espírito delas, seja verdade eterna e imortal, não o seja, tanto pior, jamais haverá quem isso conteste ou diga que nas situações e circunstâncias do tempo essa era a definição que se poderia obter, era o que se poderia considerar e reconhecer sublime e esplendoroso, as luzes plenas não haviam sido acendidas ainda, na continuidade das relações sociais, políticas e econômicas é que seriam acesas, iluminadas, abençoadas, ungidas, haver-se-á de esperar novos tempos, mudanças e transformações, até que fora iluminado para assim definir com toda propriedade, categoria, fora muito feliz, mas a mesm-idade do tempo continua, as sanidades prolongam-se, as idéias vãs são conservadas em nome de preservar os princípios da salafrariedade, para o esquife ser acompanhado com lágrimas verdadeiras e de crocodilo pelas cumplicidades, capachidades, alibiedades dos súcias, sem os benefícios todos das dúvidas extensas e cogitanas, só os súcias se amam mutuamente sem quaisquer dúvidas e desconfianças, sem quaisquer interesses obtusos ou chinfrins, completam-se, aderem-se, comungam-se, e tais palavras já não têm o menor sentido, pode-se conservá-las, preservá-las, atribuindo-lhes outros sentidos à mercê das pedras que rolam serra abaixo, da rocha que é levada com esforço sobre-humano ao cume dela, já nem se explica por que razão serem pró-nunciadas, por que motivo serem ditas com ênfase e euforia, até deixando a baba escorrer queixo abaixo, as ciências, tecnologia, informática e o conhecimento se desenvolveram, progrediram, não existem mais mistérios, a vida é livro aberto, é página límpida e nítida de letras claras, mostrando todas as sílabas que podem ser lidas livre e espontaneamente, com olhos de lince ou simplesmente retinados de vazio e volúpias, pupilados de abismos e êxtases – quê imagem de quem se encontra à soleira de seu alpendre, sentado no toco de madeira, no crepúsculo, olha de modo re-flexivo a passagem do efêmero e passageiro, do nada e obtuso, do eterno e in-cont-ingencial, e com a leitura re-verenciar o que há de vir, espalhando coisas sobre um chão de giz, o que há de ser, jogando na colcha de retalhos os confetes do gozo dos acorrentamentos no calcanhar das explicações freudianas, dos enforcamentos nos pescoços das idéias analíticas das neuroses e psicoses da psicanálise moderna, con-templar a águia que voa de um extremo ao outro do uni-verso, em busca de seu in-finito, do horizonte onde pousará e olhará tudo de frente, baterá suas asas alegremente para mostrar e id-ent-ificar que os seus projetos foram sim concretizados, poderá atravessar o que há para além do bem e do mal, do eterno e efêmero...



(**RIO DE JANEIRO**, 27 DE FEVEREIRO DE 2017)


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