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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

**DA PEDRA, O DEUS INCONTESTE** - PINTURA: Graça Fontis/POEMA: Manoel Ferreira Neto


Re-fazer as labutas, bungas-bungas, in-tens-ificar os esforços, à busca da plen-itude, sublime. Verbos dos princípios, querências e versos do saber primeiro, verdadeiro sentimento de olhar com fé, esperança, para o esplendor e magia do conhecimento e sabedoria, da consciência e espiritualidade, imagens se a-nunciam na distância do tempo, átimos de segundos e minutos.
Instâncias e estâncias das pers e pectivas dos mistérios, a ilusão de encontro da verdade, a quimera de o sentido da vida se elevar aos auspícios do brilho e esplendor do in-compreensível dos verbos pré-{s}-entes, das palavras vagando por ruas, alamedas, becos, à busca de sentidos outros da fé, con-templando por quês e quês viáveis, plausíveis, possíveis das esperanças.
Em tempos verdadeiros de travessias de nonadas ao antes era o mistério, depois o desejo da luz, ao antes era o nada, depois a vontade de tudo ser, ao antes era o verbo, depois o verbo se tornou carne, ao antes da bonança, a tempestade, ao antes da tempestade, a bonança, roda-viva de sentidos, pá-lavras, cata-ventos de metáforas, signos, símbolos na lingüística das raízes imanentes e trans-cendentes
Do ser e do verbo, do verbo e verso.
O que me foi, a mim, foram bestas prostituídas, prostitutas bestificadas; a mim foram bezerros de ouro venerados e re-verenciados; penas exaurindo mil primaveras, incomensuráveis invernos; tintas re-fazendo as flores secas caindo livres no solo, húmus de outras que embelezarão a aurora do novo dia; o que me foi a mim foram barcos naufragados; faias redemoinhando águas, fráguas des-cortinando, desvelando o des-brilho dos olhos, o silêncio da língua, confusão, perdição na mente.
Dizer ou afirmar com prepotência, mesmo sem ela, de modo simples e humilde, a vida são mistérios, os mistérios são sementes da vida, são raízes abstratas do que há-de se a-nunciar, e até sentir-me extasiado por conhecer e saber o que ela é, exultante por nada com-preender à luz do encanto e re-encontro/re-encanto dos abraços e compassos, os réquiens às felicidades e alegrias, às flores morenas que mandam no coração, que moram no paraíso de mim, que me tiram da solidão, nada entender sob a imagem da nova consciência e juventude do outro que se a-nunciará no campo de flores secas que caem e serão húmus de outras a re-novarem as forças do espírito para as novas razões, desejos e vontades, todas as alegrias e felicidades habitam-me, por assim ser, ser o que me habita a essência da vida e contingências dos tempos, despertando-me para a busca de esclarecê-los e torná-los transparentes e re-luz-entes, não é está-la definindo de modo absoluto, não é estar conceituando e categorizando os raios luminosos que moram no coração e espírito delas, seja verdade eterna e imortal, não o seja, tanto pior, jamais haverá quem isso conteste ou diga que nas situações e circunstâncias do tempo essa era a definição que se poderia obter, era o que se poderia considerar e reconhecer sublime e esplendoroso, as luzes plenas não haviam sido acendidas ainda, na continuidade das relações sociais, políticas e econômicas é que seriam acesas, iluminadas, abençoadas, ungidas, haver-se-á de esperar novos tempos, mudanças e transformações, até que fora iluminado para assim definir com toda propriedade, categoria, fora muito feliz, mas a mesm-idade do tempo continua, as sanidades prolongam-se, as idéias vãs são conservadas em nome de preservar os princípios da salafrariedade, para o esquife ser acompanhado com lágrimas verdadeiras e de crocodilo pelas cumplicidades, capachidades, alibiedades dos súcias, sem os benefícios todos das dúvidas extensas e cogitanas, só os súcias se amam mutuamente sem quaisquer dúvidas e desconfianças, sem quaisquer interesses obtusos ou chinfrins, completam-se, aderem-se, comungam-se, e tais palavras já não têm o menor sentido, pode-se conservá-las, preservá-las, atribuindo-lhes outros sentidos à mercê das pedras que rolam serra abaixo, da rocha que é levada com esforço sobre-humano ao cume dela, já nem se explica por que razão serem pró-nunciadas, por que motivo serem ditas com ênfase e euforia, até deixando a baba escorrer queixo abaixo, as ciências, tecnologia, informática e o conhecimento se desenvolveram, progrediram, não existem mais mistérios, a vida é livro aberto, é página límpida e nítida de letras claras, mostrando todas as sílabas que podem ser lidas livre e espontaneamente, com olhos de lince ou simplesmente retinados de vazio e volúpias, pupilados de abismos e êxtases – quê imagem de quem se encontra à soleira de seu alpendre, sentado no toco de madeira, no crepúsculo, olha de modo re-flexivo a passagem do efêmero e passageiro, do nada e obtuso, do eterno e in-cont-ingencial, e com a leitura re-verenciar o que há de vir, espalhando coisas sobre um chão de giz, o que há de ser, jogando na colcha de retalhos os confetes do gozo dos acorrentamentos no calcanhar das explicações freudianas, dos enforcamentos nos pescoços das idéias analíticas das neuroses e psicoses da psicanálise moderna, con-templar a águia que voa de um extremo ao outro do uni-verso, em busca de seu in-finito, do horizonte onde pousará e olhará tudo de frente, baterá suas asas alegremente para mostrar e id-ent-ificar que os seus projetos foram sim concretizados, poderá atravessar o que há para além do bem e do mal, do eterno e efêmero, inspirando a humanidade para a esperança e fé de que Maria Santíssima abençoa a todos com as graças de seus raios de luz que inspiram e iluminam o encontro do Ser Divino e da Verdade Espiritual. Esperança e fé são ou deixam de ser, não há meio termo – só há uma coisa que não se pode chegar a essa conclusão: acredita-se ou não em Deus, não há meio termo, porque não acreditar em Deus não existe, é atitude de jerico, é fantasia de imbecil, é nonsense de otário, mesmo que o deus seja a pedra no meio do caminho, no meio do caminho haver uma pedra, para que a esperança de a pedra se movimentar, andar, no meio da estrada ou na sua margem se real-ize, noutras palavras, não existe qualquer cultura sem um deus, na Pedra Lascada o deus era o lascado da pedra, à luz de dúvidas e desconfianças, na Pedra Polida era o polido da pedra o deus inconteste e verdadeiro.



(**RIO DE JANEIRO**, 28 DE FEVEREIRO DE 2017)


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