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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

**DIALÉCTICA DA ILUMINAÇÃO - IN "DIVÃ EXISTENCIAL - 29 DE JUNHO A 03 DE JULHO DE 1989** - PINTURA: GRAÇA Graça Fontis POEMA: Manoel Ferreira Neto


Parai! - o sinal está fechado para os iluministas
Apagai a vela acesa
no canto de fora da janela
Urge que os sonhos
despertem os verbos livres
Libertai a vossa pena,
não será metáfora
do intransitivo verbo amar
O amanhã com as miríades
de raios numinosos
Desvelará vossas demoníacas
idéias e ideais da verdade.



Com elegância
mostrai a vossa mínima vida
E não há na terra
quem possa acordar as musas,
Saber-lhes o corpo sensível
do que trans-cende a contingência,
Amar suprassume as utopias,
Rasgai vossas palavras, incinerai-as.



Campo de dores, sofrimentos
encontros, desencontros,
O eterno é a beleza
do mortal experienciado no tempo
As luzes que não cegam e brilham
são esperanças da alma
Rasgai vossos papéis com letras ininteligíveis
No futuro,
serão devaneios insanos do absoluto,
E quem poderá re-colher alguma luz
Incandescente no deserto das trevas,
na colina das sombras
Rasgai vossas teorias filosóficas
do Absoluto
Da Verdade,
Do Divino,
Oh, como podeis vós dormir,
se o projeto é acender as chamas
Da alienação,
Da cegueira?...



Leves são os sonhos, as esperanças
Ornamentados de sentimentos humanitários,
Perscrutai: "O que é luz torna-se treva
O que é treva torna-se luz
O que é distante torna-se próximo
O que é próximo torna-se distante"
E assim a roda-viva dos desejos e volos
São frutos que amadurecem no tempo, saber e conhecimento
Rasgai a vossa Dialética da Iluminação
Alfim existir ultrapassa as concepções e definições.



(**RIO DE JANEIRO**, 15 DE FEVEREIRO DE 2017)


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