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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

**MIRÍADES** - IN "DIVÃ EXISTENCIAL - 29 DE JUNHO A 03 DE JULHO DE 1989** - PINTURA: GRAÇA Graça Fontis/POEMA: Manoel Ferreira Neto


Quiçá
Quem fora respondeu com ironia
Aos ventos que sopraram as brisas
Ao orvalho noctívago que tocou as folhas,
À neblina do alvorecer que cobriu as montanhas
À neve que intransitou estradas, alamedas
À chuva fina que molhava as telhas do teto,
Canção, balada,
Inspirava a numinância do sol
Cobrir de afagos as letargias do belo e da beleza,
Projectava as miríades de raios
Numinando o que inda restava dos desejos, utopias



Quiça... quem fora!
Quem sou responde com galhofas
Aos nadas que nadificaram as coisas do mundo,
Nadificaram-se,
Aos vazios que esvaziados receberam,
Re-colheram, acolheram,
O múltiplo, o ilimitado,
Sou livre... Escolho o destino.
Sou pensador... Escolho as perspectivas...
Inconstância, insegurança, medo.
E o neurologista no seu consultório dissera
O abismo tinha fundo,
Bastava desejar retornar à superfície...
Daqui a poucos instantes o embarque,
Outros horizontes, outros universos,
Em todos os níveis...
Mister amar a liberdade,
O que penso, sinto agora
Serão apenas lembranças furtivas,
Se aqui estou próximo a uma longa viagem,
Precisava reconhecer liberdade não é apenas
Estilo de vida, idéia,
Utopia, sonho, esperança...



Em Belo Horizonte
Está chovendo...
Quiçá lembre-me das lições universitárias,
Quiçá recorde-me das aventuras, devaneios
Com o poeta das águas, do rio
Das quimeras pensava-as a verdade,
Serão sementes de querenças incontestes
É preciso amar a liberdade
Para ser livre...



Destino: São Paulo.



(**RIO DE JANEIRO**, 20 DE FEVEREIRO DE 2017)


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