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domingo, 26 de fevereiro de 2017

O VAZIO - PREFÁCIO DE MÁRIO DOS SANTOS


Não me lembrava de haver deixado em mãos do Amigo e Poeta Paulo Ursine Krettli 43(quarenta e três páginas) de meu romance O VAZIO, o original. Recebi-o hoje inda sem revisar, a revisão será feita por mim e por ele.
Lembrava-me vez por outra haver alguém escrito o prefácio, seminarista e estudante de Filosofia, cursávamos Filosofia juntos, Mário dos Santos, mas pensava tê-lo perdido. Lendo-o de princípio pensei houvera sido eu próprio que o escrevi. Relendo-o, por essa exposição "vigiando de perto um realismo social e psicológico, o que nos possibilita a questionar sobre a tonalidade dos fenômenos oníricos e inerentes, que se apresentam acirrados, sensível e emotivamente, no entrelace da vida e da morte, da satisfação e da angústia, da esperança e do desespero, da criação e da natureza...", não o fora, não atinava com esta visão do romance à época.
Prefácio de Mário dos Santos.

Prefácio “O Vazio”

Como o homem, ser indefinível, em si mesmo e nos seus impulsos cotidianos, pode situar-se na existência e conviver com o que é mutável? Enquanto sujeitos das contradições sociais e das relações afetivas, vivemos o nosso “mundo” pensante, racional, emotivo, sexual... Velamos pelos nossos conflitos, achamos fantástico e sutileza do perigo no contexto extensivo do termo!
Curiosamente, navego minhas reflexões, a respeito desse romance, em um sítio do interior mineiro, cercado por uma natureza calma e viva – retrato oposto do contingente vivido por Romualdo Lacerda, principal personagem de “O vazio”. Nele, o questionamento é fundamentalmente uma síntese do homem moderno, que se explica e explica a complexidade dos seus sentimentos através da tese fenomenológica da existência.
Mas afinal, o que significa existência? Existir é o que é essencialmente? Dentro dos seus parâmetros e princípios filosóficos, dos seus valores éticos e morais, o autor configura “O vazio” em respostas múltiplas às interrogações acima, transpassando o natural ao surreal, vigiando de perto um realismo social e psicológico, o que nos possibilita a questionar sobre a tonalidade dos fenômenos oníricos e inerentes, que se apresentam acirrados, sensível e emotivamente, no entrelace da vida e da morte, da satisfação e da angústia, da esperança e do desespero, da criação e da natureza... E, como ápice, revelando o contraste essencial desses dualismos, através de um suicídio imaginário, mas duplamente fundamentado, o autor enfatiza a existência do vazio e a expõe – vazio por quê? Aí reside todo o processo problemático do romance, particularmente de Romualdo Lacerda, seus deslizes e conflitos.

Mário dos Santos

(Estudante de Filosofia na UCMG, 1982)

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