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sexta-feira, 8 de abril de 2016

**RETALHOS DE TELA E TINTA** - Manoel Ferreira


Gostaria de lançar um olhar de lince bem faiscante e iluminado ao silêncio, comer-lhe com os olhos, saciar-me a fome de sabedoria e conhecimento, este silêncio irreverente, insolente, que se mostra presente e forte neste instante, este silêncio que extasia e ao mesmo tempo questiona as verdades íntimas, as in-verdades do real e contingente, mentiras da transcendência fundadas nos dogmas dos pecados e culpas, deixando-me, por vezes, com a mão esquerda na frente, a direita atrás, por vezes, com as calças arreadas, à mercê do nada e da absoluta obtusidade, chamo-lhe divina inspiração comungada a meiguices da sensibilidade, cujas imagem e perspectivas vejo eternamente plenas, observo finitamente efêmeras, de fio a pavio, e ainda mais ao silêncio de verbos atrás deste se faz neste momento, a-nuncia-me alguma mensagem para a continuidade de minha vida, alguma sabedoria para o espírito elevar-se, as sendas do “Ser” serem indicadas, intelectualidade e razão orientarem, algum conhecimento para a jornada no mundo, crendo ser isso devido à razão de mais uma vez estar sem saber que rumo seguir, o itinerário a percorrer que seja de in-{ov}-ações, re-[n]-“ov”-ações das idéias e sentimentos.



Ui!
Que decoração rica,
que espelhos
e porcelanas!...
Foco de luz no firmamento,
magnífica centelha do olhar;
lua falsa de papelão,
manto bordado do céu.



A noturna
essência de raios
salpica estrelas
na poesia,
trapezistas no picadeiro
dos sonhos.



Um espelho não retém as coisas refletidas, não as guarda na imagem, nos cofres da superfície lisa! O meu destino é seguir, as imagens perdendo no caminho, as memórias protelando situações e circunstâncias da sede de sublimidade, lembranças e recordações postergando momentos de angústia e tristeza, instantes de desolação e medos. Em vão, em minhas margens cantarão as horas, minutos e segundo, o tempo, na passagem dos anos, décadas, séculos e milênios, me recamarei de estrelas como um manto real, me pintarei de nuvens e de asas, às vezes virão em mim os solitários banharem-se.
No âmago do dia, assim que esplende, quando o céu abre suas fontes de luz no espaço imenso e sonoro, todos os sentimentos mais puros e inocentes mergulham na idéia do limite, no pensamento do finito, princípio da finitude, meio e fim do fugaz, uni-verso do sublime e das águas silenciosas, eleva-se então misericordiosa plen-itude de imagens, cujos ângulos na tela do tempo se abrem às escancaras de cores vivas, desenhando, pintando os traços sensíveis da efêmera fisionomia da grama, respingada de orvalho, subindo a montanha, pinceladas ao estilo Van Gogh no céu de nuvens escuras e claras.
Temo os longos silêncios que deixam a vida em branco, que re-velam e verbalizam as sensíveis sensações da beleza de abraçar e beijar as saudades da música do ser, cristalizam os re-versos e inversos da razão voltada para as idéias efêmeras do eterno, as solidões do ritmo da busca e querência, os desertos do íntimo nos arranjos de notas graves, as pequenas frases que parecem nada conter, nada dizerem, nada terem a id-ent-ificar e, no entanto, selam pactos e rupturas, lacram as correspondências do destino, a serem criadas e estabelecidas, uma palavra supérflua, mão que escorrega no tempo de desejos de criação e re-criação do imortal desenhado nos liames do horizonte que desliza no espaço de entre os êxtases e volúpias íntimos, deixando aquele clima expressionista aos raios do sol, impressionista à mercê de todas as luzes vindas do céu noturno, simbolista sob o arco-íris pós a chuva fina e contínua que delineia semi-círculo no horizonte, no fim do arco-íris quem sabe possa encontrar a senda do amor e das alegrias, comungada ao silvestre das quimeras e sorrelfas.
Bem que poderia ter direito, afigura-se-me, a pouco de destino, a tico de sina, a miséria de saga – por mais que o queira, evita-me, a luz que chegou a me ofuscar, e mesmo as imagens que se a-nunciaram de por trás das retinas acabam por se apagar ao lado, olho e nada enxergo, sinto a plena escuridão nas pupilas reduzidas, a respiração lenta, ouço as batidas do coração que não mais é puro, é doente. Por mais que revolva essa noite, escrutando a longa vida branca que nunca foi pródiga, de genialidade ainda que ínfima e efêmera, por mais que o faça, por mais que o deseje, sou eu quem vê emergindo de um fundo de luz lisa, sem conseguir furar a sombra, sem conseguir mergulhar no breu a pequenos prismas e ângulos, o véu noturno que re-cobre o contrário humano, a cortina madrigal que cuida de en-velar o corpo na dança de suas sensações e instintos – onde estiver serei sempre uma alma extraviada em labirintos escuros, marginalizada em cavernas sombrias, ensimesmadas ou, então, uma alma perdida de idílios e fantasias -, o sudário de esperanças que cobre a idéia de outra aurora em que a chuva continuará, o dia permanecerá ensimesmado, friozinho se apresentará, terei de vestir uma blusa ou deitar-me e aquecer-me na coberta, cobertor e edredom, terei de sentir a alma re-colhida em sua solidão, ruminando tristezas, desolações, vertendo lágrimas de incertezas e dúvidas, de só olhares vazios ao ilimitado do horizonte, só Deus mesmo sabendo quando a serenidade será resgatada, quando serão recuperados os leitmotivs de perseguir os objetivos e projetos.
Sinto sim algo bem sublime por esta taberna, cujo nome é bem interessante, Pôr do Sol, onde me encontro tomando um aperitivo, escrevendo estas linhas, confortavelmente sentado e recostado à parede, frente a mim o panorama interminável do sertão, sem estar muito inspirado, algo dispersa as idéias, tergi-versa os sentimentos, embaralha as emoções, distanciando a atenção das letras, e me não é dado saber de que se trata – quiçá o soubesse, algo mudaria em mim, tenho a impressão de saber, ter de cumprir uma missão não é fácil, as sinuosidades da estrada são deveras angustiantes, quanto mais quando se trata de estar em relação com os homens, felizmente as coisas e objetos amenizam os sentimentos de não e nada, porque os homens são os parentes mais próximos de Mefistófeles, em nome da verdade e do amor é seguir as trilhas, tenho de elevar a cultura e as artes de minhas origens, o exílio só me fortalece e inspira, alfim nada é eterno; se necessário apresentaria aos homens correspondência com todas as veemências de linguagem e estilo, da forma e do conteúdo de profunda abstração, reverências, mostrando-lhes o que significa isto da vontade de idéias transparentes e nítidas a serviço de propósitos definidos, pedindo-lhes, rogando-lhes, implorando-lhes a minha inscrição para sentar-me à cabeceira da mesa com todas as honrarias, rasgar a oratória com todas as insolências, empáfias, e depois de as consciências se mostrarem não só con-templar os seios soltos no vestido de seda transparente, os pelos da púbis, com os lábios molhados de tesão e voluptuosidade da mulher das noites longas e solitárias de domingo. Re-{f}-estelo-me confortável e singularmente o dia inteiro no proscênio e mal me dou ao trabalho de cumprimentar as sombras que perambulam por entre as cadeiras em cujo assento o público assiste ao espetáculo, com aceno de cabeça, com aplausos em demasia graves e altissonantes, mesmo que de modo a estar re-plicando a todas as atitudes e ações por toda vida e existência, se há algum modo de unir, como a luz e o amor estão unidos, o verbo e a carne comungam as fantasias íntimas da vida espelhada na superfície lisa do vazio em busca do pleno, do múltiplo na querência do sublime, da falta no desejo do ser.
Ostento uma corrente de ouro no relógio, aliança de casamento na correntinha de prata no pescoço, mando fazer botas de cinqüenta reais, uso boné cinza ao estilo europeu, trajo-me de erudição e clássico. Serei eu, porventura, e não me respondam de imediato, não tenho qualquer pressa, não sinto qualquer ansiedade e nem crio expectativas, permito-lhes investigar um pouco mais para se certificarem de meus pontos de vista e de cegueira, opiniões e alienações, da estirpe porqueira, da laia indecente e imoral, algum filho de alfaiate ou de taberneiro, até não me causaria nenhum estranhamento precisar de um serviço deles, estariam morando na mesma rua, no máximo, na esquina da rua de baixo, que leva a um pracinha de ipês onde por vezes no final da tarde aprecio ficar sentado em um dos banquinhos, fumando e observando a noite se aproximar lentamente, o prédio suntuoso onde a Justiça sonha ser realizada e efetivada na vida dos homens, não há mais esperança disso, mas o sonho está empreendido em criá-la e re-criá-la ao longo da história e das idéias, das idéias da história, da história das idéias, nos uni-versos da síntese, antítese e tese. Ainda que em minha época seja nobre e sublime entrar em serviço aos quarenta, terminando de debulhar o terço de prata do rosário, em momentos de profunda reflexão, em instantes de imanentes querências.
O Criador quis perpetuar a vida pela impureza? Quando um homem e uma mulher estão no leito, o amor pode unir seus espíritos e elevá-los bem acima de suas carnes, de seus tesões, de suas chamas sanguíneas. Penso na mulher com quem vivo há alguns anos poucos, em nossas noites de intimidades e prazeres, de nossos sonhos e de nossos beijos meigos ao alvorecer do dia, nossos sinceros desejos de um dia repleto de alegrias e realizações um ao outro, Maria Santíssima à frente, Jesus Cristo atrás, Deus nas docas e estibordos. O amor é também uma das fontes do espírito. Não devo pensar nele em termos de conquista, mas de rendição. Se não consigo me render a um ser humano, como posso me render à Senhora? Porque a Senhora exige infinitamente mais do que ser humano, ser dotado de espiritualidade, fé e esperanças, exige o filho-homem a habitar no paraíso terrestre, ele próprio deve criá-lo por intermédio de suas atitudes e ações, de suas esperanças e fé.
Amo intensamente esta vida e desejo falar sobre ela com liberdade, e só assim posso sentir perpassar-me por inteiro a felicidade, as alegrias todas em uníssono a manifestarem a luz radiante da divinidade de sentir profundo a verdade do ser e do não-ser. Dêem-me o orgulho de minha condição de homem, esta condição suprema e divina que é capaz de tornar-me feliz, que me preenche todos os espaços vazios. Ouço sempre alguém dizer que não há qualquer motivo para orgulho, sentir-me orgulhoso – de nada sinto orgulho, não canto de galo em lugar algum, apenas busco cumprir o que me foi entregue, o que me foi colocado em mãos real-izar, assim fecharei os olhos neste mundo, abrir-lhes-ei no outro, não me importando se não será como aqui idealizei, nada é do que sonhei.
Creio que há inúmeros motivos para me orgulhar, noutras instâncias de entendimento e idéias: o sol, o vento, a chuva, o frio. É para conquistar tudo isso que preciso aplicar minha força e recursos, colocar as mãos a serviço do perfeito e humano, a serviço da verdade e da sensatez, dignidade e honra, estas coisas que endossam a hombridade e brios. Todo ser belo tem o orgulho natural de sua beleza, e o mundo, hoje, deixa orgulhos destilarem por todos os poros, quando eles nada têm a ver com os poros, têm a ver com os corações que pulsam em nome da verdade. Diante dele, porque haveria eu de negar de pés juntos a alegria e felicidade de viver, de estar-no-mundo, de ser-na-terra, de estar-buscando-a-Verdade que a-nuncia a VIDA plena na sublimidade dos sentimentos de amor e esperança, se conheço a maneira de não encerrar tudo nessa mesma alegria de viver? Não há nenhuma vergonha em ser feliz, como não deve haver medo algum de ser o que se é, dizer o que pensa e sente, destilar o ácido crítico a todos os pensamentos e idéias insossas e chinfrins, a todos comportamentos e atitudes súcias, de a sensatez, a dignidade serem a haste da bandeira íntima, elevando-a a todos os picos e Olimpos do mundo.
Encontro o sentido do amor e da amizade. Numa refração de cristal límpido, surge o momento em que palpitam as asas de uma águia, re-colhendo a sin-fonia de águas re-vestidas de silêncio, a-colhendo a ópera de margens sem pressa in-vestidas de deserto e solidão nos auspícios da montanha que recebe a luz das estrelas como veladora das intenções e esperanças dos homens. Num mundo senil e caduco de gerações novas, no coração enigmático das palavras, os ouvidos aguçados conseguem de-cifrar o soluço de vida, a essência, a matéria e a forma de tudo quanto ec-siste ou ec-sistirá na garganta do in-finito. No céu da boca nasce uma poesia-cristal, nasce o soluço de poeta.
Surpreendo a sombra e o deserto sob a ambigüidade. A face dos ventos arrasta e dispersa as nuvens, agora tudo se amassa em encantamento ou em indiferença ou em nada, absurdo, e faz sair um brilho nos olhos, que experimenta a vereda, que evoca o brilho das asas ensopadas, o horizonte em que me encontro é a distância verdadeira das intempestivas considerações da beleza às re-flexões do bem e do mal, invoca com as asas ensopadas a subjetividade que está sempre em evidência, a sensibilidade que e-nuncia as querências do céu de verbos a con-templarem o silêncio das sendas nas veredas dos campos e serras, dos chapadões e montanhas; o horizonte em que me encontro é a distância verdadeira, sigo-o como cumpre fazê-lo, e sempre me sentindo como quem tomou a vida em mãos e está dis-posto a tudo para vê-la nítida e transparente aos meus olhos distantes e desolados.
O sol deita-se e as nuvens azuis colorem os terraços brancos, a lua descansa no percurso do dia a enviar sua luz romântica de fé e esperança, pintando, desenhando as cores vivas de flores que nascem e morrem, desde a aurora ao crepúsculo. Afigura-se-me haver distendido uma mola no interior, haver afrouxado um parafuso nos confins da razão, nas arribas da mente. Afigura-se-me, em princípio, haver sentido uma eclosão, ou seria explosão, por haver dito com o mais singular de mim nos interstícios do outro silêncio que ensaia a sua aparição no picadeiro dos idílios suaves das imagens perpétuas, manifestando-me para além do inteligível. Na límpida transparência das águas, a luz segue o itinerário sem limites, sem pressa, sou eu quem aspira e in-{s}-pira a vida, à procura da fonte originária que a busca do mar alcança, as ondas batem nas docas, nas praias, o vento leva e espalha a areia na tempestade das idéias e utopias, nas tragédias do des-encontro e dores do fim ao início.
Ás vezes, penso que o desejo de amor só vive de entrega, com saudades, melancolias a estibordo, nostalgias nas bordas, são estas o rosto da eternidade re-fletido no rio do tempo, com ternura, e sou quem desperta o in-finito e o pró-fundo, desejando a Vida, querendo veredas por onde trilhar os passos e distanciar-me no longínquo das sendas silvestres da intuição de outros crepúsculos e auroras, e no ínterim de ambos, verbos de amor comungados a esperanças do sublime.



Verbos de amor
comungados a esperanças
do sublime,
re-fletidos no tempo
de eternidades in-finitas,
no longínquo das sendas
silvestres,
na límpida transparência
das águas
inspirados nos idílios e fantasias,
sorrelfas e ilusões
dos caminhos do campo.



Idílios suaves
de imagens perpétuas
na fonte originária
de nostalgias e melancolias;



No longínquo
das sendas silvestres,
terraços brancos
coloridos de nuvens
azuis.



... A não ser que busque a semente que pensei plantar e a guardei nas mãos feitas concha, nos cofres de segredos feitos momentos de in-vestigação, de vestígios dentro dos sonhos e utopias cristãs do amor e da paz, dizendo que não era inda o tempo de os frutos nascerem, era preciso esperar o espírito a-nunciar a gestação da semente por inter-médio de águas límpidas a regarem as a-nunciações da verdade. Quem sabe?!... Quem poderia ao menos nos seus instantes de inspiração percebê-lo? Uma vez dissolvida as tensões e livre a alma de suas angústias, depressões, fracassos, remorsos e culpas, pode-se usar tudo o que existe na literatura, na filosofia, na literatura-filosófica, na filosofia-literária, para mantê-la livre, para mantê-la evangélica, para mantê-la espiritual à sorrelfa das luzes de estrelas, de luas, dos raios do sol, especialmente da claridade dos idílios e fantasias que luzem os pró-jetos e ob-jetivos das gerações ao longo do tempo e história, talvez até uma forma abreviada de psicanálise. Cada alma desesperada possui um útero de esperança que está pronto a gerar o amor de verbos, os verbos da fé e esperança, a lutar pela realização dos desejos e sonhos, pela sobrevivência e imortalidade...
... A não ser que re-torne para plantar na terra a semente que gerei... Meus sonhos, são tão poucos os meus sonhos. Minha alegria, é tão pouca a minha alegria. Não sou mais que uma combinação incerta de dúvidas e certezas, de acasos e encontros, de amor e de ódio, de alegria e tristeza, de fé nas conjugações dos verbos do porvir e do vir-a-ser. Em busca de um momento, em busca de uma flor, em busca de uma silvestre pétala de rosa respingada de orvalho e neblina da noite sem limites e confins, hei-de fazer-me verbo como se fosse palavra, hei-de fazer-me palavra como se fosse verbo, nos re-versos, inversos e avessos de minhas querências, dar sentido, ser esperança de encontro, colher a mensagem que as estações do ano deixaram, especialmente a que a primavera plantou em meu coração, a das flores a exalarem a essência e o ser do divino espírito e da espiritualidade do divino, engravidando o sangue que percorre as veias de meu corpo que habita o espaço de todas as minhas ilusões, sorrelfas e fantasias. Ombros frágeis são os meus para adormecer no tempo a graça da Criação de Deus, a VERDADE DAS PALAVRAS DE JESUS CRISTO, O AMOR DE DEUS. Eis o homem!... Eis Deus!...
Temos raiz e temos abertura. Temos semente e temos desejo de vida. Somos como uma árvore, fundados no chão que nos dá força para enfrentar as tempestades, para superar as dificuldades, curtir a Bonanza na Ponderosa de nossos desejos de sempre levar mensagens à humanidade dos problemas e conflitos da ec-sistência e da vida, o amor no Templo da continuidade das sendas de verbos e amores a serem alimentados, regados, nutridos na sensibilidade do caos que ad-vém de tempos outros da primeva humanidade, do cosmos que a-nuncia e promete outras nuvens brancas a deslizarem no céu de amor e promessas de lágrimas de êxtases e volúpias, mais uma noite de re-flexões e meditações da VERDADE E DA VIDA. Mas também temos a copa, que interage com o único no uno do espírito que se faz alma, da alma que se faz espírito, com as energias cósmicas, com os ventos, com as chuvas, com o sol e as estrelas, com as relações sensíveis e íntimas com aqueles que nos preenchem a vida de amizade e carinho, que nos abraçam e afagam de verbos e idílios, com as sendas re-encontradas nas silvestres florestas do mistério, assim na terra como no céu. Sintetizamos tudo isso, transformamos em mais vida a nossa abertura, a nossa chave que abrirá plenamente a roda-viva das intempestivas imagens do silêncio nas bordas de tintas que pintam o vazio de branco, que colorem o múltiplo de mult-íplices ardores da fin-itude em vida dos verbos e sonhos, da in-fin-itude da vida em dúvidas e incertezas, em medos e relutâncias, que re-velam as cores e perspectivas de tempos idos nos brilhos de outras realidades e reais, de outros sonhos e utopias, de outra fé no per-curso, de-curso das águas límpidas que banham as margens, o tempo no de-curso até ao mar, quando tudo se perde e se encontra em nova realidade, criando e re-criando as linhas de outros uni-versos na poesia do mundo, horizontes na poiésis da vida, in-finito nos acontecimentos e fatos da história.
E se não mantemos a abertura - a copa -, o mundo estiola, as raízes secam e a seiva já não flui. Morremos. A dialética consiste em manter juntos o enraizamento e a abertura. Imanentes, mas abertos à transcendência.



Manoel Ferreira Neto.

(08 de abril de 2016)

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