Ana Júlia Machado CRÍTICA LITERÁRIA POETISA E ESCRITORA ANALISA E INTERPRETA O AFORISMO 524 /**RE VERSO PO EMA CON(CRETUDE)**/
O poeta e escritor Manoel Ferreira Neto, sentiu necessidade de
experimentar uma nova forma de redigir, recorrendo ao poema concreto e de
visualização diferente, colocou-se perante uma Fortuna uma errante, um remanso,
exposto na animação das porções verbais. Sua deslocação em gerências contrárias
alvitra uma demanda delirante de uma paridade em meio à babel do universo pós.
Os verbos andam em anéis como se agenciassem uma partida na infinidade do
cosmo, a façanha da demanda da veracidade inspiradora. Tudo isso motiva certo
torpor, entorpecimento, submersão. Mas igualmente gesticula para uma ponderação
ecuménica do eu, o eu em todos nós, uma angústia compartilhada em várias
línguas: ego – conquista de percepção vital do isolamento criativo num mundo
hostil: “escuridão que escurece”, “sem resplendor”, “silente”.
As provas das Vanguardas Européias como o Futurismo e os artistas que
procuravam chocar e exaltar o público com registados humilhantes, fragmentos de
cabaré satíricos, récitas de poesia e exposições de arte. Aliviaram o verbo,
sublevaram pela imprensa e dirigiram a contenda contra ao cárcere do verso. Seu
ímpeto era de fractura com a linearidade da coerência metódica. A visualidade
oferecida era ela apta ao feito revoltoso, sua poética não tem a funcionalidade
interior que tinha a de Mallarmé, os cursos dadaístas levam ao conceito
niilista do texto literário. O dadaísta Hans Arp, no entretanto vaticina a
poesia concreta quando assevera que o Dadaísmo não tem tenções ajuizadas ou
metodologias. De fato, igualmente os concretistas acorreriam a defender a ideia
de que o poema concreto se apresenta ao ledor como obra aberta, efeito de um
hábito histórico ativa de “invenção,” que exige do leitor uma ingerência
criadora, uma coparticipação na invenção dos sentidos poéticos.
O poeta
Adejando pelas fendas
Modificando
Rimando penitências.
O poeta recordando factos
Convertendo
a espírito da vereda.
E o desfecho é distante
mas a natureza é imortal
E tira do chão e da chama
O seu adustível.
E seu feito ainda é inacabado
Mas, suas alterações
São a sua realidades e sensualidades
Enquanto o universo gira ininterrupto
Do vir a ser futuro.
Ana Júlia Machado
Pela manhã, sentia o peito fechado, uma agonia sem limites.
Investiguei-me aqui, ali, buscando explicação e não encontrava. Sabe você como
é a arte: ela exige que o artista a realize, e, quando ele não sabe o que está
exigindo, o castigo vem de imediato: angústia, agonia, depressão. Não sabendo o
que escrever, o que fazer, pus-me a escrever, e saiu o poema concreto. O resto
do dia tranquilo e sereno.
Manoel Ferreira Neto
#AFORISMO 524/RE VERSO PO EMA CON(CRETUDE#
GRAÇA FONTIS: PINTURA/ARTE ILUSTRATIVA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO CONCRETO
No
re verso de in verso
po ema a pó ética
eter niza sin cronica
chronos
con sentindo ver sos
versáteis
versados
silêncios
versando a pa lavra
lavra
sentimentos
emoções
o ser
não ser
No
a
vesso re vés
de im(agem)
de luzes
de contra luzes
o
inner
finito
Finit ivando
verbos
pre téritos
éresis
do tempo
iríasis
eterno, eter idade
ger(úndios)ando
melancolias
nostalgias
saudades
particípios
Trans itivos its
sonhos
esperanças
Éter re de versas idades
Passado
futuro
presente
Ad versus pós
cinzas cinéreas
estesias sim
do vir a ser
por vir...
(**RIO DE JANEIRO**, 07 DE JANEIRO DE
2018)

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