#AFORISMO 527/HEY, MOLLY!# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/ARTE ILUSTRATIVA//Manoel Ferreira Neto: AFORISMO
Molly, de palavras incertas, de cores disparatadas, num remeleixo melado
melancólico de verbos carentes de instantes… saem devagar se chega lá, viçosas,
trituradas pelos meus dentes bons, comê-las, sentir-lhes o sabor, saciar a fome
de sê-las... Molham os beiços que dão beijos alastrados... Que momento
esplendoroso irá sentir no peito! Deite-se à sombra de ipê roxo e o vento
escute, ouça, olhando os cirros pela altura, as águias por rasuras!
As
quimeras
são,
Como
astros gélidos,
frios,
que,
com a luz perdida,
deslizam
de
caos em
caos
na
escuridão,
nada
em nada
no abismo.
Molly, não olhe as estrelas, o céu todo entupigaitado delas - se
estivessem longínquas, não pudesse senti-las, não pudesse con-templá-las, não
lhe dado sentir-lhes a cintilância houvesse sido. Ame a noite, o canto da
coruja, a luz a iluminar sua alcova, a sua solidão. Sonhe versos a tocar-lhes o
corpo com ternura, carinho, afago, extasie-se com eles. Fantasie beijos e
abraços, entrega do prazer e gozo. As estrelas brilharão seu íntimo, alegrias
serão seus tesouros, felicidade será seu destino.
[Horizonte
res-plandece
de aléns
a glória
do amor
patenteada
na
luz,
A da
liberdade
re-presentada
por
sonhos!]
Molly, ouça o trinado de pássaros, saudando o alvorecer, con-temple os
primeiros raios de sol da manhã, ao longe o horizonte límpido, cristalino.
Sinta os versos e estrofes de seu coração, compondo de sentimentos e emoções o
soneto da vida eivado de êxtases - não verá o pincel ou lápis patenteando a
imagem de cores, pintando, sua sensibilidade realizá-la-á. Não pergunte à manhã
como será seu dia, não indague dos raios de sol se iluminarão suas vontades de
amor pleno. Se eu morrer antes de você, não pergunte a Deus o porquê de não
termos realizado todos os nossos sonhos. Viva dessa ternura e carinho que sente
profundos em seu ser logo ao abrir dos olhos após o sonho de sonos do uni-verso
em luzes, do in-finito salpicado de brilhos da verdade.
[Uni-verso
esplende
de alhures
esperanças
a felicidade
da verdade
simbolizada
por fé,
evangelizada
pelas utopias
do verbo
ser]
[In-finitivos
pro-jectam
quimeras
do eterno
por
sonhos
de regência
de
acepções
concepções]
Molly, alto fulgor de paixão insana, deslumbramento ensandecido há-de
cegar corações, há de desvairar almas, e, deserdados da esperança humana, da fé
cativa, palmilharemos por escuridões, perfilharemos por trevas, contudo,
dedilhe com mão ufana na harpa de luz das ilusões, na cítara de sons dos
desejos, vontades, utopias, o gosto do descanso saboreie, o balanço das
cantigas, amores e danças performe de reboleios e sarapateios.
Fadas re-murmuram,
sem malícia,
as rezas
bem nascidas
re-sussurram,
sem vaidades,
os rituais de origem
da
magia
Os desvairados
amam
a morte com
o mesmo
nonsense com que
amam a vida.
Molly, está você com a lã, crocheteando a toalha de mesa a ornamentar
seu ateliê, nos seus idílios, quimeras e fantasias, o desejo de encontro
"In peace´n´love", de todos os homens em seus instantes de
inspiração. Então, meu amor, sinta-se presente na alma e espírito de todos que
a amam e ad-miram
Sua arte do Belo e Verdade, re-presentada e sim-bolizada pelo Amor no
vir-a-ser da vida em plen-itude da contradição, dialética, contra-senso,
iluminam e numinam o além de efemeridades do absoluto...
Molly,
faça de sua vida
poema
molduras
da
espiritualidade!
Faça de sua arte
Luzes,
Cores,
Perspectivas
do
Amor.
(**RIO DE JANEIRO**, 08 DE JANEIRO DE 2018)

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