AFORISMO 526/CONGRUÊNCIA DO ESPARSO DUPLO# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/ARTE ILUSTRATIVA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


                             As raízes
                                não
                          devem secar!
                        Nada de aclives
                      ou de horizontais!
                Amo as mazelas lineares!
                         Abato néctares
                              de flores
                            ad-versas!
                  Detesto alvoreceres
                       orquidisíacos!
                            Dupla
                     congruência
                      do esparso!

Sou uma dispersidade nos sentimentos de viver um ímpeto da carne e dos desejos, uma univocidade nos interstícios dos sentimentos voláteis de uma vida de sangue profusivo, de veias profusas, e disparatado da consciência. Até o instante presente, este aqui-e-agora, perambulando pelas alamedas do sensível, dissipando pelos interstícios do in-consciente, buscando a elucidação e entendimento, estive a en-velar uma profusão enorme de tesão e desejo pelo clímax. Afigura-se-me este sentimento, úmido em seu interior, suave em suas bordas, até nas ad-jacências, se se quiser sorrelfiar as verdades do estar-no-mundo, ser uma ambigüidade amena e triste de um desejo não realizado e o viver girando assiduamente sem qualquer ponto de segurança.
Se, interiorizado e hermético nas associações à busca do entendimento dos enigmas da carne, dos mistérios dos ossos, segredos do sangue, interditos do corpo, sinto estar esgarçando e ampliando as emoções, des-fiando e esfiapando as sorrelfas, há um engano in-corruptível e ir-revers-[ível} presente na sombra de uma manifestação. Se, imerso em ondas de calor e volúpia, sou trazido em nível deste desejo da carne e do corpo, as associações livres empreendem sentimentos espontâneos e suaves.

Um vento ameno e suave surge nas antípodas de minh´alma, percorrendo os labirintos das vísceras e veias. Se faz aparecer uma sensação de prazer e júbilo pelo inusitado desejo?...

Sou a terceiridade diamantiazul! A vontade cont-ingente do ser, os analfabetismos e nonsenses numinados, os novos luares brilhantes, in-éditas estrelas cintilantes, picos crepusculares entre os sublimes das ad-mirações! (Utopizo) as intempéries da razão!.. As tempestades do intelecto, os coriscos do bom senso, as lições da sabedoria!... E a harmonia do cosmos, a uni-versalidade do nada, a etern-idade do ser!

Se vivido de modo lúcido na intimidade um amor dilacerante, logo sou envolvido por um êxtase latente de dores e prazer, e sinto logo um amofinamento do corpo. Suave e contínua são as linguagens desta alegria ora surgida nos interstícios de desejos por desfrutar e estar desfrutando de mim. Há dúvidas de se me encontro em nível de uma compreensão do minuto presente de sentimentos ou do entendimento carnal de emoções, inda mais, se me acho nos limites da poesia e das con-tingências, como harmonizar estas dimensões do ser.

Ávidas carícias desta postura de ir pensando e organizando as ações em conformidade e harmonia com a esperança. O corpo, ambíguo em suas sensações de desejo, postula-me a percepção do olhar as situações antes da intuição de decidir as ações. Tempestuosos sentimentos de doação d´alma e intercâmbio de carícias habitam-me fundo o seio, e sou quase uma alegria absoluta.

As estradas de poeira correndo todas para a ponte do rio sem margens!... E o campo simples, uno, intangivelmente partindo para o louvor do unidimensional! Demônio! Pior que demônio! Vós, asnos! danados! demônios! piores que demônios! Seus borra-botas! Seus pinguços! Viperinos! Caguinchos!

Invade-me enorme volúpia e desejo de ir residir inocente e puro nas alamedas de um amor efusivo e real. Surge-me angústia a perambular e deslizar no sangue vivo: serei apto a realizar este amor? Quisera-me lúcido e louco a tergiversar pelos labirintos nítidos e nulos de desejos. Sou felicidade translúcida a transbordar a garganta da linguagem, intencionando inda mais a completude do corpo e sentimentos. Sou uma iminência de clímax real de prazeres, intencionando o gozo de desejos evidentes. Sou um gozo simbólico da consciência, reivindicando a formação do ser homem.

Quisera-me uma alegria da linguagem de desejos, ejaculando a completude dos prazeres, e tudo o que é elaborado são repetições de adjetivos e advérbios. Sinto a nitidez de instituições, aspirando encontrar-me com a lucidez de viver. Pudera-me o retorno lúcido às perdas, re-elaborando o sujeito, fazendo a completude clara do verbo de viver a singularidade.

Efemeriza-se a sombra tênue dos sentimentos efusivos da imensidão de viver, deixando-me perplexo e contente com as forças resolutas da compl-etude. Evola-se o em-si-mesmamento frágil do sentimento de inferioridade frente às conquistas do mundo, revelando-me um sujeito perspicaz e atento às intenções prioritárias. Esvaece-se o clima denso de angústias instituídas no seio de um medo contundente de a vida haver sido perdida nos instantes absolutos da ociosidade.


(**RIO DE JANEIRO**, 08 DE JANEIRO DE 2018)

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