COMENTÁRIO DE MINHA "SECRETÁRIA" ANA JÚLIA MACHADO AO POEMA /*NÃO ORQUÍDEA, VIOLETA*/


Não se avista absoluta,
Não se avista completa,
Não se avista eterna
Nem se restringe, 
Nem se mascara,
Nem se fátua.
Delicada, deslumbrante, preclara,
Não orquídea, violeta-de-cheiro,
Ornato e vate - poema de translações 
Defronte ao admirar
Consistente e calda dos coriscos de luz
Paixão
Encoleriza-se.
Adoradora das intempéries,
Outorga-lhes a fragrância odorífica,
Entusiástica, encantadora.
Se reassume e se prenuncia,
Se exorta,
Como mulher da escuridão
Porém se argenta. 
Não dimana...
Não cessa...
Se vicia, regressa
No mesmo brio, delgadeza de ser
Não orquídea, violeta-de-cheiro...

*NÃO ORQUÍDEA, VIOLETA*

Não se vê plena,
Não se vê absoluta,
Não se vê in-finita
Nem se delimita, 
Nem se des-caracteriza,
Nem se efemeriza.
Sensível, esplendorosa, bela,
Não orquídea, violeta,
Flor e poetisa - verso de metáforas 
Diante ao olhar
Firme e quente dos raios de sol
Estonteia-se.
Amante das ventanias,
Entrega-lhes o aroma perfumado,
Delirante, extasiante.
Se recobra e se promete,
Se insinua,
Como mulher da noite
Quando se prateia. 
Não nasce...
Não morre...
Se dis-forma, re-torna
Na mesma delicadeza, finesse de ser
Não orquídea, violeta...

Manoel Ferreira

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