COMENTÁRIO DA AMIGA VIVIANE FERREIRA AO TEXTO //**FLOR DE CACTUS**//
Brilhante texto, que não merece fim, digamos não
há uma obra prima maravilhosa como esta que não tenha suas leitoras assíduas e
fiéis!
Cada linha escrita pela pena é um convite ao
transcendental ocidental. O transcendental oriental é de outra miríade, que o
ocidental tenta acompanhar, e é válido! Tudo que existe, só existe porque tem uma causa e um fim inaudito
*FLOR DE CACTUS**
Não há pectivas que não trans-cendam as pers do
ec-sistir. Não há stícios que não trans-elevem os sols das contingências. Não
há res que não dê voltas nas trospectivas do ser e tempo. Não há re que não
postergue o verso do desejo e esperança.
Não há trospecção que não mergulhe no in do íntimo,
inner da espiritualidade. Não há "a" que não preceda a temporalidade
do nada e efêmero. Não há "con" que não temple a a-nunciação do
inaudito. Não há re que não vele o vir-a-ser, o desconhecido de amanhã,
mistério e enigma do futuro. Não há stício que não penetre na res dos
pretéritos abissais do verbo. Não há emoção que não desvele o lado oculto do
ser. Não há prefixo que não anteceda o radical da palavra. Não há quem não diga
quem conhece prefixos e sufixos latinos e gregos precise pesquisar no
dicionário o sentido dos vernáculos.
Não há machado que com sua lâmina afiada não ceife
a árvore, não faça lenha para a lareira no inverno da solidão enamorada da
melancolia, do silêncio seduzindo a nostalgia. Não há filosofia que não traga
em seu eidos a poesia do ser, a poiésis do tempo, poiética do pretérito e
subjuntivo. Não há poesia que não verse o re-verso in-verso ad-verso do
sentimento, desejo volo dos sonhos.
Não há fumaça no cigarro, se não houver o o ar dos
pulmões que a trague e expila. Não há catavento no alto da montanha, se não
houver o vento que o gire. Não há o verbo do ser, se não houver o efêmero do
nada. Não há o eterno, se não houverem as realizações do sonho e esperanças.
Não há a alma, não havendo dores e sofrimentos que a habitem, fé que lhe
projete aos confins do horizonte, volúpia da perfeição. Não há verbo sem o
sonho de amar, quimera de desejar, sorrelfa da vontrade.
Não há sonho sem o verbo da continuidade que se faz
e re-faz, cria-se, re-cria-se, in-venta-se, re-in-venta-se no eidos do tempo
que é história. Não há o eu sem o outro que lhe habita no abismo do espírito,
nos cofres da inconsciência. Não há dialética, não havendo o questionamento da
verdade e o consentimento da in-verdade. Não há o barroco, sem antes haver
havido o clássico. Não há a lama do espírito sem antes não haver habido o
espírito da alma. A carne não se torna cobertura dos ossos, se das cinzas a
vida não viesse e às cinzas não retornassem.
A primavera nao existiria, quando os brotos das
flores se despetalam, exalam perfumes, não havendo o inverno que deixa as
árvores sem folhas, fá-las caírem. Zaratustra nada teria dito, se não se
exilasse na caverna de uma montanha por algum tempo. Memórias Póstumas não
existiriam, se Brás Cubas não as houvessem escrito.
Manoel Ferreira Neto.

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