COMENTÁRIO DA AMIGA VIVIANE FERREIRA AO TEXTO //**DILECÇÃO E ELOQUÊNCIA DO ESQUECIMENTO**//
Tema com bojo fortíssimo mui verdadeiro. A
verdade velada, nua e crua! A fornicação explicada e revelada! A fornicação
começa com os pensamentos, depois com palavras e atos, gerando um inferno.
Viviane Ferreira.
No conto DOMINGO, do livro NO BAR, Luiz Vilela, há
isto: "... a psicanálise é a metáfísica do inferno a psicanálise é o
inferno da metafísica o inferno é a metafísica da psicanálise..." Estava
escrevendo o texto anterior a este, acontecendo num instante-limite de as
palavras fugirem completamente de minha mente, não se me revelavam de modo
algum, minutos a fio de angústia e desespero, precisava da palavra
"fornicar" e não se me manifestava, encontrei fenecar. Usei-o. Mais
tarde, quando menos esperava, veio-me a palavra fornicar. Intencionei revelar o
inferno que fora o esquecimento desta palavra, ao mesmo tempo lembrando da
frase do livro de Vilela desejei mostrar o inferno da "fornicação",
como ele se revela. Aliás, se este texto for lido à luz de Freud, TABU, vai-se
entrar de chofre nos dogmas do sexo no que se refere ao cristianismo.
E você, minha amiga, revelou com excelência o eidos
deste texto.
Um grande abraço!!!
**DILECÇÃO E ELOQUÊNCIA DO ESQUECIMENTO**
Além dos limites, fronteiras da con-tingência,
abertos horizontes e uni-versos da trans-cendência, palavras fornicam-se
livres, busca inexpressível e ininteligível de dizerem o que lhes habita a
carne do desejo dos significantes, metáforas, sentidos, assim re-velando a
libido vernácula do verbo.
Antes fora o vernáculo "fornicar":
espremi os miolos para me lembrar dele, angustiei-me, desesperei-me, não me
fora possível a lembrança naquele instante-limite de necessidade dele. Veio-me
à mente "fenecar", utilizando-me dele, embora duvidando dele, não era
o de que precisava, serviu-me de algum modo. Só mais tarde, nem pensando nisso
mais, surgiu-me. Existiu um outro naquele mesmo momento, larguei-o de lado,
surgiria noutra ocasião. Nada. Encontra-se enclausurado no limite da
contingência, travessia para a trans-cendência, ardendo de desjo de fornicar,
mas não encontra a companhera, o objeto do tesão que lhe realizrá o desejo do
prazer, do gozo, do clímax. Quem sabe se me lembrar dela, liberte-a e saindo do
limite da contingência encontre a companheira, fornique com mais tesão ainda?!
Quem sabe sabendo estar enclausurada, faça-me lembrar dela, assim realizando as
suas volúpias do prazer? Nada disso acontece.
Redijo rastos de mim
Na biografia de minhas reminiscências,
Originando linhas de impressionabilidade,
Sublimidade,
Almejando na memoração assinalar
O inenarrável contemplar
Feito de quimera,
De prenunciadoras reflexões e paixões,
Nas fendas primitivas
Das espacejas frescas
Que sobrepujam o Eterno alabastrino
Das sensações resplandecentes
De dilecção e eloquências da subsistência.
O termo "fornicar", cujo sentido é a
relação íntima, usa-se para o inferno, fornica-se lá onde o texão das penadas
almas não lhe reside qualquer qualquer censura, o clímax transce o divino e o
eterno, e perpétuo. "Vá fornicar no inferno" tem o sentido de gozar o
prazer da alma penada, na terra-mãe era realizar os instintos, , no inferno, o
clímax das chamas eternas.
Forniquei palavras, joguei-as nas imundícies
contingentes do inferno, no safo dos caldeirões had-jacentes ao perpétuo,
mergulhei-as nas chamas ardentes além das metafísicas carnívores da ausência e
manque-d´être, das falhas, faltas das forclusions dos pecados inominais do
verbo, à busca de expressar o sentimento, emoção que sentem, quando os caminhos
que só elas sabem, conhecem, não se re-velam somente no inter-dito, com ironia,
sarcasmo, cinismo sui generis re-velam-se na dornicação aberta e livre no hades
da liberdade, quando os instintos da carne se decompuseram no silêncio do
sepulcro, re-nasceram na pena das almas hereges, das almas condenadas a
postumarem, epitafiarem: "Nas had-jacências do perpétuo, habita o clímax
ab-soluto do litteris, ipsiando as ipseidades dos ócios após o sêmen ejaculado
livre e espontâneo às cinco pontas das estrelas...", epígrafe que somente
Brás Cubas entende após as suas memórias postumas, tendo os vermes comidos seus
restos mortais e contingentes, descansando em paz na harmonia sin-tônica,
sin-crética e sin-crônica do que trans-cende as imanências do Hade. Quem sabe a
suprassunção, o suprassumir as quatro paredes do inferno sejam realizados com a
postumidade linguística, semântica das metáforas verbais do verbo carne,
estar-no-mundo, fornicando no que foi perdido após o grande evento do
verbo-espírito re-criar-se carne-verbo dos desejos, esperanças, sonhos,
deixando às palavras, vernáculos o livre-arbítrio de mudar o destino de a vida
serem dores, na morte é que a felicidade, além do perpétuo, eterno,
perenize-se, plen-ifique-se.
Desde a eternidade à eternidade, as palavras
a-nunciadas e re-veladas, no espírito por inter-médio dos verbos-sonhos,
vers-ificadas, vers-ejantes, vers-entendidas no limiar, soleira, solstícios,
tornadas vividas, vivenciadas, até mesmo experimentadas, o ipsis re-cria-se
litteris, o inter-dito refaz-se dito, morte e vida não mais existem, jamais
existiram à luz da terra-mãe carne e ossos à luz da esperança do para ser na
continuidade do haver-sendo, liberdade, ainda que tardia, autenticidade além de
todos obstáculos, censuras, verdade além de todos os juízos, o ser nas trilhas,
sendas e veredas do sublime e simples.
Manoel Ferreira Neto.

Comentários
Postar um comentário