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terça-feira, 6 de setembro de 2016

**VOANDO SEM LIMITES E OBSTÁCULOS POR SEMPRE** - Manoel Ferreira


Atrás, um sonho se eleva ao in-finito, coro maternal de cânticos sonoros à frente, a utopia da poiésis do verso, alfim é começar no re-verso para atingir o verso verdadeiro, cântico de crepúsculo de melodias silenciosas, canção de aurora de ritmos serenos e suaves, fado de enluaradas noites de lírica romântica, trocas de dedos de prosa nos cantos, recantos, no meio da multidão, nas mesas das barracas na extensão da Praça da Cultura, forró de inverno de encontros familiares, entre amigos, conhecidos, visitantes, regados a churrasquinho e quentão, arroz com galinha, a pinguinha da roça, na nostalgia do passado, na melancolia do porvir, na poesia do momento, na poiésis do tempo, na imanência da alma,
Na trans-cendência do espírito, do divino e da divinidade do aqui e agora;



Sonhar os formatos oxigenados
De sublimidade e esperança
As contra-luzes hidrogenadas
Da sin-estesia e das sorrelfas,
De estar a cada instante de re-flexão
Ou de liberdade de sentimentos e emoções,
Desejando a poesia-“reflexo do real,
Mas um reflexo revelador”,
“O real poder olhar de frente,
Vendo coisas que normalmente não vê”
Livre pensar irrestrito,
Livre-arbítrio da beleza indizível
Num só encanto,
Num só vis-lumbre ou a-lumbre das emoções,
De suas dimensões de sensibilidade e intuição,
Numa só con-templação dos sentimentos
E sensações que abrem os solipsismos do
Ser, as entregas verdadeiras do Não-ser,
Profundeza da vaidade insensata,
Pré-fundeza das glórias viperinas,
Superficialidade do orgulho descaracterizado,
Vaidade de ser, de acontecer,
De passar a amar no de-curso e per-curso
Da vida
O fulgor da virgin-idade mental,
“... integrar o saber sensível ao
Saber racional para suprassumir a razão
Presente, elevando-a a uma razão
Não só da cabeça, mas do Ser por inteiro”.
Despertando em mim as forças criadoras da vida,
As dimensões dos desejos de saciar a sede de conhecimento,
As vontades da verdade e da sabedoria
Profundas e eivadas de outros infinitos a serem conquistados,
Real-izo a minha íntima essência,
A essência da vida,
Artificio a minha in-audita dimensão do eterno,
O núcleo, o eidos do verbo amar intransitivo.



Nada nesta vida emociona-me tanto quanto o espírito, essa águia que atravessa o In-finito de cabo a rabo, fio a pavio, por vezes apenas pairando no ar, à mercê dos ventos, deixando-se levar, deliciando-se em seu próprio espetáculo de dança, deixando-se cair e subindo quase além do Olimpo dos deuses, por vezes batendo as asas livre e espontaneamente, a certeza de que nada irá impedi-la de real-izar o seu destino único e ecs-clusivo, e continua voando sem limites e obstáculos por sempre, por toda a etern-idade, nalgum sítio descansando nos auspícios de algum pico ou montanha, de alguma colina, na areia de oceano ou mar, à margem dos rios, riachos, na grimpa de uma árvore qualquer no serrado, na galha de arvoredo no chapadão, o canto profundo, na fresta de um telhado à vista da imensidão do espaço, re-cuperando as energias para outros vôos, outras conqu-istas do espaço e do ar.



Águia que atravessa o In-finito
De cabo a rabo,
Numinando com os seus olhares
O itinerário que segue e per-segue,
À mercê dos ventos,
Deliciando-se em seu próprio
Estilo de linguagem, performance e estilo de vôo e dança;
A águia continua voando sem limites e obstáculos
Por sempre, por toda etern-idade,
Outras conqu-istas de desejos, vontades,
Razões se me a-nunciam no íntimo,
No espaço de letras e idéias,
Nas constelações de imagens e sons do silêncio,
Busco o sonho de entregar-me
Inteiro aos verbos que me habitam,
Estar a liberdade em questão,
Suas conjugações defectivas ou não,
Aos sonhos que me perpassam
O corpo em sua árdua tarefa
De criação e re-nascimento.
Hoje, não mais, pequeno sou, sou grande,
Ando e ajo com sentimento de ser quem sou,
Até os sapatos de saltinhos de quinze centímetros,
Os famosíssimos saltinhos de agulha,
Sentem que são eles,
Dobrados, tenho os anos da vida
Nas mãos feitas concha,
Onde quer que ande
Buscas me seguem nas trilhas,
Nos caminhos do campo,
Alamedas e becos, estradas de largura mínima,
Vou construindo as veredas
Com os passos e traços que deixo
Nítidos e transparentes,
Esboços e croquis que sarapalho ao redor das margens.



Posso agora sobrevoar florestas silvestres, rios, mares, picos e montanhas, chapadões e desertos, “Se o Ser se faz continuamente, a continuidade é também o Ser”, faltava-me algo que me despertasse essa consciência, Utopia do Asno no Sertão Mineiro fora, é e sempre será ela, a consciência-estética-ética que lhe habita as profundezas e essências; posso imaginar muitas coisas, imaginar, por exemplo, que meu maior desejo seria chegar ao deserto de Saara, con-templar a imensidão de areia, sentir o calor escaldante no corpo, observar os raios de sol incandescentes, estar bem confortável na corcova do camelo, ou algo no sentido; mas só poderei querer isso com suficiente intensidade e realizar esse desejo, quando realmente ec-sistir em mim e todo o meu ser se achar penetrado por ele.



Manoel Ferreira Neto
(06 de setembro de 2016)


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