BALDIOS PRETÉRITOS DE AMANHÃ# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: PROSA



Prometi-lhe, meu Amor querido, Graça Fontis, escreveria algo com uma das fotos de nosso Natal em casa de nosso filho-enteado Júlio Cesar Fontis.
Feliz Natal, meu Benzinho lindo. Beijos no coração!
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Liberdade...
A morte na alma, o baldio nos desejos e querências, o caos nos becos sem saída das ilusões e fantasias, sarapalhas de margens ao longo de campesinas estradas de solidão e silêncio...
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A vida pulsa os ardentes sentimentos e emoções de con-templar a distância, sabê-la, senti-la, conhecê-la, segui-la de sonhos e esperanças, solitário vivenciá-la, a alma prazerosa, momento, instante de sentir, assimilar éritos e éresis do in-fin-itivo, tudo atrás é lendário, causos, mitos, lendas, mentiras, adiante outros cafundós, outras luzes vagalumeando, outras neblinas, neves, garoas a cobrirem as serras, a impedirem a visão além...
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Cor-agem, ousadia, deambular no des-conhecido, perambular no in-audito, devanear nos mistérios e enigmas do verbo e do ser, vagabundear nos becos escuros tendo apenas a lua e as estrelas como capachas da desolação e abandono no mundo velho e sem porteiras...
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Signos, símbolos, linguísticas, semânticas, metáforas nas bordas, fronteiras, cancelas e essências da vida que numina suas novas perspectivas. Solitário, sozinho, verdadeiro re-presentante do vagabundo, andarilho, jogado nas circunstâncias das náuseas con-ting-enciais, o mundo caindo aos pedaços, a terra des-fazendo-se, dilúvio de absolutos, efêmeros, eternos, até mesmo dos etéreos, mas, todavia, contudo, a querência do "sou" no verbo das eidéticas do tempo, nas elipses das ipseidades das trans-cendências, amanhã será outro dia, mesmo que os pretéritos de ontem antes de quaisquer ontens e pretéritos tenham sido o caos da alma na morte, a morte da alma no caos, apocalipse de genesis...
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Liberdade...
Os contrários se encontram no in-finito, os iguais entre-laçam as mãos nas prefundas do inferno onde se aquecem dos invernos do mesmo e mesmidades. Quiçá ninguém entenda e compreenda que as letras nascidas no movimento da esfera da pena, jorrando tinta, sob o sabor delicioso de uma bebida, transeuntes observando, ad-mirados, surpresos, espantados, estupidificados - vale a pena tanta solidão, apenas com uma pena na mão? - sob o sabor delicioso de uma bebida, negligencie, subestime os valores eternos, mas as letras bordadas de góticos ornamentos são verdades do trans-cendente, sentimento íntimo do ser livre verbalizando ausências da perfeição, a falta da verdade incólume e insofismável, a falha das etern-itudes do bem e do mal...
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Liberdade. Solidão. Sozinho. Solitário. Deserto. E me disseram: "Não sabe o que vai lhe acontecer!" Resposta simples: "O mundo pode cair aos pedaços, não choro."
Sentimentos, sensações, emoções. Tristezas, angústias, medos. O que são? Nada, nonada. Cumpre-se seguir, trilhar as alamedas, nada é eterno, tudo é efêmero, breve sorriso no rosto, o sentido é ambíguo, as perspectivas foram re-versadas, in-versaram-se as semânticas. O in-verno no ser, carências, frio, nalgum sítio do in-finito lenhadores aquecem-se com as chamas das lenhas que colheram na floresta de confins na lareira do tempo, quiça com um cachimbo ou charuto no canto da boca...
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Liberdade. Abertas as venezianas da noite, o vazio ao longe, claridade diáfana, abertas as janelas da madrugada, luzes e raios de sol - amanhecer?, aurora de um novo tempo? alvorecer de outros sonhos e esperanças? Nada disso. Janelas da madrugada abertas. Silêncio.
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Liberdade não é fazer o que se quer, mas querer o que se faz. Frase de efeito, lugar-comum. Ser livre é trilhar as alamedas da solidão, seguir só as sendas e veredas do nada, nada é eterno, tudo é efêmero, alfim a sabedoria de o In-finito ser o porto de onde à distância sente-se profundo, as estradas trilhadas, a consumação dos feitos queridos, os éritos tornam-se legendas do tempo, tornam-se lendas do não-ser, abrem-se as frestas e frinchas, trajecto... verbo... sentimento...


#riodejaneiro, 25 de dezembro de 2019#

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