Noites, templo de sossego, descanso, sonhos dirigidos à aurora outra que virá, dia será, situações e circunstâncias outras, desejos e vontades do sublime, da completude, lutas e esforços pela vida ser trans-formada, pela felicidade de ser vida, pela alegria de sentir “... sonhos dentro de outros sonhos, dentro de outros sonhos, dentro de outros sonhos”, de pro-jeções na busca incansável e interminável do absoluto; templo de re-flexões da espiritualidade, dos caminhos do campo, das virtudes que elevam a alma, liberta-a de suas correntes e algemas, meditações das atitudes e ações na contramão dos princípios do bem, do amor, da compaixão, da solidariedade; templo de pensamentos e idéias que salvam, redimem, elevam a alma da efemeridade do tempo à eternidade da vida.
Noites, templos... Desejo todas as noites, não olhando apenas a superfície da contingência, a planície do mundo e seus di-versos e ad-versos problemas, conflitos, dores e sofrimentos, mas desejos de liberdade que habitam a alma, espírito, calmas, tranqüilas, lendo ou compondo versos cristalinos, nascidos de águas límpidas sob raios de sol, enquanto um som suave que me acalma ouço, ao longe, de um coro de crianças que festeja a inocência, a ingenuidade, a vida plena de real-izações, de felicidades, alegrias, festeja a vida que se lhes amadurece no íntimo, no futuro conhecer  o sublime, eterno, imortal, a partir de suas esperanças e fé,
E a noite caminha em suas veredas sinuosas, através do campo dos idílios e fantasias di-versas, em direção à aurora que virá!...
Noites, templos... Desejo sempre os instantes de minh´alma, efêmeros, compassados ao som de violinos que éter-necem o íntimo de flores silvestres com notas suaves, surgindo das águas límpidas sob os primeiros raios de sol da manhã, que sensibilizam a profundidade da alma, onde habitam todos os sonhos e utopias de liberdade, da fé na trans-parência das águas que seguem o seu destino, abrindo caminhos, conquistando espaços, à esperança na numinosidade do amor à espiritualidade, águas límpidas sob raios de sol. Desejo o coração forro de seus traumas, conflitos, dores e sofrimentos, pulsando des-compassadamente ao som de outros horizontes e uni-versos que ad-virão com a passagem do sangue nas veias do tempo; desejo a mente inocente de uma criança que con-templa a vida e o mundo à luz de suas fantasias e quimeras, desejando-as real-idades e vidas outras que desabrocharão as flores silvestres de todos os caminhos e veredas, na busca da plenitude.
O amor pré-existe em todas as miríades, co-existe em todas as partículas, sub-siste em todas as retinas e pupilas, do “ser” sedento de real-idade; o amor con-siste na tristeza e na beleza, na alegria e na pureza deste meu jeito de amar os versos que me habitam, e no desejo de torná-los verdades minhas, são esperanças e fé de um paraíso terrestre, onde a grama molhada do orvalho das noites embeleza a natureza, onde as criaturas louvam os mistérios e enigmas da vida, onde as pedras do caminho são alicerces do que virá à frente.
O amor é tão simples, é um querer-sem-dizer, é um dizer-sem-querer. A vida é tão risonha para quem tem o seu amor nesta vida só quem sonha é que sabe o seu valor.
E a noite caminha em suas veredas sinuosas, através do campo de idílios e fantasias di-versas, em direção à aurora que virá!...
Recobrarei, então meus sonhos; só assim eu os males meus bisonhos sepultarei num tempo que morreu. O amor, em todos os instantes outros de outrora, a-nunciou-me ser Luz de Lâmpadas Votivas, em cujos raios luminosos a vida se re-vela pura e trans-cendente nos clarões de Estrelas, neles encontro a seiva de todos os momentos e instantes da vida, que orbitaram noutras Eras; e hoje, não é  que sinta/pense não são realidades minhas, não me habitam, são apenas inspirações que me surgiram para versificar a fé e a esperança que mostram a vocação de meu ser, mas são outros uni-versos de meus horizontes inscritos na alma,   ante o Cosmo , defrontam-se compassivas na Apoteose de um Amor sem mais Esperas, de um Amor sem mais Sonhos, um Amor de desejos e vontades feitos, um Amor de quimeras e fantasias construídos, um Amor de pro-jetos e quimeras elaborados, um Amor real e transcendente.  O Amor é uma Catedral de Esperanças, é um Templo de Fé, inundados dos primeiros raios de sol da aurora até o crepúsculo, da luz da lua e da lua que atravessa a noite velando o ossuário da terra; de Iriadas Cores ressoando Polifonias Seráficas de Eólias Harpas.
Sim, creio que na comunhão do que me foi o Amor em instantes de outrora outra, em vontades e desejos de outros encontros que me salvassem de dores e sofrimentos, de hoje, em que amadurecido estou com as experiências e vivências, sinto presente e forte no mais íntimo de mim a numinosidade vivenciária e vivencial residir em mim, sinto o Milagre da Ventura, desse Amor que me é, de sermos Um em Dois porque são Gêmeas as nossas Almas. Nesta comunhão, Koinonia, preparado estou para continuar seguindo os meus caminhos, trilhando as veredas do mundo e da vida, em busca da Apoteose do Ser, do Ser que me foi vocacionado querer e lutar com o que me fora doado, com os dons de que se serviria, minhas ferramentas e utensílios, para a con-templação de meu espírito re-fletido nas águas límpidas sob raios de sol.
Na Mão de Deus coloquei meus Olhos a fim de que tudo o que eu visse fosse prognóstico, pré-núncio de felicidade e alegria, amor e contentamento, fosse a Luz da sua Glória. Na Mão de Deus coloquei meus Pés para que todo chão que eu pisasse, toda vereda que eu trilhasse, todo caminho que por ele transitasse, perambulasse, deambulasse, só de flores silvestres se cobrisse, só de rosas e crisântemos se florisse. Na Mão de Deus coloquei minhas Mãos a fim de que tudo o versificasse, todos os versos e estrofes re-velasse imagens e miríades do “SER”, fossem Palavras de Sabedoria, fossem Sons de Redenção, Ressurreição, fossem Símbolos e Metáforas do Eterno e do Pleno. Na Mão de Deus coloquei meus Lábios a fim de que tudo que eu proferisse fosse o Bem, a Verdade e o Amor.
E a noite caminha em suas veredas sinuosas, através do campo de idílios e fantasias di-versas, em direção á aurora que virá!...
Às águas e às areias deste rio, às flores deste prado, minhas esperanças e fé re-velo, meus desejos teço com as real-idades todas de meu quotidiano, dores e sofrimentos todos de meus momentos, saudades, melancolias, nostalgias, “a aranha vive do que tece”, louvo graças ao In-finito do eterno sublime que, desde toda a eternidade em mim vive, e sonha no seu despertar perder-se no Ser de mim, encontrar-se no Ser da Vida. A paz de meu coração posta a caminho, o gosto da vida em verdades sentidas, lágrimas com lembranças afiam a lâmina as quimeras e fantasias, e pela tarda Vida às vezes clamo, re-clamo, imploro, Vida de paixões e amores, Vida de glórias e louvores, Vida de Ser, o Ser da Vida ser-me.
Sonho ou velo neste templo da noite que segue a sua trajetória rumo à aurora, a novas esperanças e fé? Que imagem luminosa, esclarecendo o sudário à noite escura, a meus olhos vislumbrados diante da eter(n)-idade? A clareza dos raios de luz que incidem nestas páginas, que, antes foram brancas, vazias, e agora estão sendo pré-enchidas linha a linha com o que se me a-nuncia, re-vela; da luz da lua e das estrelas que incidem em todos os recantos da terra e do mundo, mostrando à humanidade as belezas da criação, os sonhos de vida que delas nascem, re-nascem, é a bússola de todos os uni-versos nos horizontes das águas límpidas. A clareza da luz neste quarto, a clareza da luz das estrelas e da lua são ainda mais puras... Que encanto! Que esplendor! Que formosura!
Sorrisos de purpúrea madrugada, vós tão gratos não sois... Esperanças e fé são re-flexos da luz divina. Vejo este universo imenso, nas estrofes versificadas de meus desejos de águas límpidas sob raios de sol, de tanta beleza, que me extasia; vejo o espaço etéreo, o espaço térreo ou o espaço equóreo! Tudo faz supor, imaginar, con-templar, vislumbrar um Arquiteto Sábio! Ver a tarde desmaiar no crepúsculo, finar-se, as estrelas no firmamento fulgirem... – isto é lindo!  Ver a lua no céu pairar, luzir, prateando as colinas dormentes... – isto é maravilhoso, de tanta maravilha, isto é divino!   
E a noite caminha em suas veredas sinuosas, através do campo de idílios e fantasias di-versas, em direção à aurora que virá!...   
Já de novo a meus olhos aparecem a graça, o riso, as flores da alegria. Nasci para amar; a Humanidade vai tarde ou cedo aos laços da ternura, aos ósculos do carinho e amor. Enleia-se por gosto a liberdade; e depois que a paixão n´alma se apura, alguns então lhe chamam desventura, outros chamam-lhe então felicidade; chamo-a eu, quem neste instante me encontro além das palavras, dos versos, desta noite que caminha em suas veredas sinuosas, deste som que ouço longe, chamo-a eu águas límpidas sob raios de sol.
Que os caminhos dos homens – assim desejo, assim rogo, assim imploro ao Artífice do Amor e Eterno – sejam iluminados pelo sol da mútua adoração. Seus Sonhos sejam real-izados no realismo de cada dia, de cada fruto colhido pelas mãos da labuta, de encontro vivido na esperança de outros sentimentos, de vida vivenciada na fé de novas sedes, fomes de espiritualidade. As suas mágoas individuais sejam ressarcidas pelas Alegrias e Felicidades da mútua possessão. Suas vidas sejam duas asas, qual água, infladas para um só e mesmo vôo. As suas Almas permaneçam jungidas na eterna emulação do Amor.
Com a verdade ilusões se desvanecem, qual foge o triste mocho à luz do dia; providente razão, porém tardia, já sobre esta alma teus auxílios descem.   
Re-nascerá amanhã, logo aos primeiros indícios do dia, fruto desta noite de re-flexões e meditações, em busca do “Ser”, que na continuidade dela foi-se sendo constituído de  sensações, sentimentos, emoções, por vezes a-nunciando-se, por vezes re-velando-se, a cada segundo pré-enchendo os vazios, ausências, medos e inseguranças, insuflando-me, deixando perplexo, e na perplexidade de mim inusitada satisfação de completude e sublimidade, a imaginação sobrevoando florestas silvestres, mares e abismos, em mim o canto de líricas suaves de ritmos uni-versais, de arranjos ternos nas teias do tempo e das quimeras, o novo cântico dos cânticos que na rede de melancolias embalam a liberdade nos passos, querendo a plenitude, com que reprimirei o triste pranto desta solidão de ser tão velha quanto eu.
O amor confere a face sagrada a re-fletir na post-eridade a imagem da beleza na superfície do espelho de todos os sentimentos que despertam no coração as ilusões, quimeras, fantasias, verdades de nossas esperanças; o amor fere, o amor refere na constância dos sentimentos a continuidade das relações, na tibieza do nada o tudo das co-existências, na esperança e na firmeza desse jeito de me sentir e ser levado a con-templar a vida, de desejá-la encanto e esplendor.
Vou compondo em prosa lírica uma canção que trazia em mim dentro, bem profunda estava, intuía-a, mas o tempo de re-velá-la esperava, e neste templo de única noite, após tantas vividas, mostra-se em meu peito, e por inter-médio dele, busco a plenitude. Vou pensando ao longo de cada segundo, lembranças, recordações, em minhas aventuras de artífice que busca a matéria de seus sonhos. Vou saudoso, mas feliz, seguindo as águas límpidas sob raios de sol. Levo flores, colhidas nas margens desse rio, para ofertar à alegria que emana de todos os seres, de toda a humanidade que nos templos de seus dias e noites con-templou a sabedoria em busca do conhecimento da alma e espírito. Quero ver minha ao final dessa jornada adentro. Vou cantando para a manhã a canção que lhe compus, antes mesmo de ela ser, antes mesmo de ela acontecer. Vou sozinho com a saudade, são as águas límpidas sob raios de sol que me con-duzem.
A paisagem é tão bonita, os olhos se extasiam, a alma louva a divinidade da natureza, o mundo habito sem saber do mundo, como que não pertenço à natureza, e o caminho tão comprido, que a minha já se agita por não vê-lo percorrido, na per-corrência dele senti-lo presente e real em mim.
Quero tecer prosa com poesia, quero tecer poesia com realidades vividas no quotidiano, e não apenas compactar CULTURA, numa seqüência atroz em que se apura, destila, aperfeiçoa, do falso poeta a vã filosofia, do ridículo filósofo a falsa poesia. Ah, sim! Não há como dizer de outro modo – não o vislumbro, em verdade -, convido as pré-fundas de minha alma a deixarem fluir espontâneo o ser de meu metapoema. Compor duros Poemas sem Poesia, alinhavar palavras com secura, costurar versos sem estrofes, fazer a barra dos ritmos e melodias com linguagem e estilo é destruir do VERBO o que havia de Belo nela havia, despindo o que de sensível nela habitava é trair da beleza as puras águas límpidas, é tergi-versar do belo a pura forma dos raios de sol.
Poesia e prosa formam uma escultura, sendo que uma é o espírito da coisa, a essência divina/contingente, da qual, por via, o outro, que é só corpo, pensamentos e idéias, tem valia ou vai jazer em cubanas memórias. A poesia está na luz, está na cor, está no som e está no lepidóptero de asas azuis pousado numa flor; a prosa está na transparência das águas, no seu seguir, sem margens e pressa, à luz do céu de nuvens brancas e azuis, à luz do tempo ensimesmado de chuva, à luz do frio do in-verno a caminho da primavera – se o in-verno abre caminho para a primavera, a prosa abre caminho para a poesia da contingência. Prosa vem a ser uma estrutura de palavras, ao passo que a Poesia é aquilo que os versos inebria de luz da aurora ou da maior ternura.
Para mim o escrever é um modo meu de ser e de ver o uni-verso ao meu redor, os horizontes que se aproximam e se distanciam de mim. Raramente me expressei por fingimento poético – fingir não é de minha índole, nem intenções arbitrárias -, pois que sempre busquei no cinzelamento do meu verso a sinceridade da vida boa ou má, não disfarçar com sentimentos outros que não me perpassam a vida, o íntimo, com imagens que se me não a-nunciam. Sou homem, sou gente que deveras sente o que expresso no papel...

A aurora des-ponta no horizonte; é hora de buscar o que perdi, o que não encontrei, o que sonhei na vida de tantas noites e dias, e chegada a hora não tinha, realizar o que puder, construir-me com o vivi, o que estarei vivenciando nas situações e circunstâncias, para que continue sucessivamente a desejar  águas límpidas sob raios solares. É tempo de outros horizontes e uni-versos.   

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