SONS PALAVRAS E SILVOS# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: POEMA

Palavras
re-colhem
aos volumes
de sinistras con-versas
a concepção
de gestos uni-versais...
o que
escrevo é música do ar,
nasce na
neblina a
primeira
pétala de vento,
a harpa dos
anjos-seres ecoa ritmos
no sem
tempo...
sereias-deusas
bailam nas constelações,
noites
arrabiscadas no chão de giz,
se ouço o
violino ritmando metáforas,
melodiando
metafísicas e poesias,
é que atrás
do pensamento atinjo
o estado
lírico do ser e do espírito.
Palavras
sussurram, à mercê de sibilos de vento, canciones de verbos e versos,
"melodies" de mistérios, enigmas, des-conhecidos, - esperanças,
sonhos, felicidade, paz -, revelando o ritmo da alma, dançando com os
sentimentos de amor, carinho, emoções do eterno verbo ser, plen-ificando a vida
de essências florais, exalando perfumes do in-finito além das con-tingências,
além dos absurdos e instantes-limites, esplendendo sonhos de horizontes de
além, versificando no espírito a melodia do eterno-para a etern-itude,
versejando sons in-auditos de harpas e cítaras no ser futural de encontros.
Palavras
murmuram à luz do silêncio, serenas emoções - desejos, volúpias, êxtases,
vontades, clímaces, gozos -, pervagam de confins ao além, viagem longa, con-templando
o alvorecer que ilumina na floresta as sendas e veredas, aclives e declives do
campo circundado de montanhas, bússolas de encontro da alma e do espírito,
ritmando de notas a magia do amor e ternura, entrelaçados de esperança e fé na
peren-itude, itudes de melancolias, nostalgias, barco que desliza na água
trans-lúcida do mar azul de carícias, a caminho da longínqua verdade absoluta.
Palavras
cochicham ao léu dos uni-versos musicalizados de felicidade e alegria - Graças
a la vida -, entre suspiros inter-ditos e ditos da espiritualidade que recita o
eterno de cintilâncias, entre exclamações verbais, declamadas com a
fosforescência das ilusões, fantasias, quimeras e sorrelfas da alegria e
contentamento, cores do arco-íris vivificando o tapete silvestre de
amores-em-amores compondo de cores vivas, trans-lúdicas o soneto de genesis,
sons in-audíveis, o espírito ouve e versifica em voz re-colhida nos pingos de
chuva orvalhando a solidão, em absoluto silêncio, con-templ-orando os primeiros
raios de sol a numinarem a magia do ser que exala de essências o ex-tase, amor
que resplandece, passo a passo, no tempo.
Palavras
balbuciam o VERBO-AMAR, a canção de idílios e sonhos segue musicando temas e
temáticas nas sílabas de instantes e momentos eternos, gerúndios e particípios
no som de pronúncias do coração a pulsar descompassado emoções e sentimentos,
cujos eidos glorificam as verdades lúdicas da alma, cujos eidos jubilam as
divin-itudes do espírito.
Palavras
adiam
para outros
séculos a felicidade coletiva,
a existência
do Grande Espírito,
a face de
indecifráveis palmeiras...
a escritura
e o verbo de ser
à espera do
instante de a pena insinuar-se
ziguezagueando
por entre baldios,
o artífice
dela saiba deixar-se livre...
#RIODEJANEIRO#,
06 DE MAIO DE 2019#
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