DENSO CHÃO POEMA PROSAICO - GRAÇA FONTIS: POEMA PROSAICO
O espaço é
vazio, é escuro
Sobreposto
ao vácuo silente
Antemanhãs
dos faróis adormecidos
Quanta
desilusão
Nas horas
que decompõem o tempo!
Brancos
desejos encarcerados
Esquecidos
nos interstícios da frágil alma.
Delírios no
horizonte distante
Cinzentos
sorrisos evanescentes
Num fugaz
esboço disforme
Dentro das
adversidades imprevisíveis
Na noite,
onde a voz perde -se.
Da
inconstância agonizante
Barreiras,
aclives e declives
Obstáculos
sob céus fluem
É o alvorar
nos dias que se diluem
No átimo do
inesperado, o esperado
Ao espreitar
e expectativar
As centelhas
libertas transcendentais
Que
ultrapassem dogmatismo
Tabus e
pre-conceitos
Invasores da
silenciosidade permissível
Almejada
neste mundo inda primata.
Quê haja largos
e leves coloridos
Um bailar
sem sombras
Ao ritmo de
outros compassos
A comporem
inaudiveis sons
Aludidores à
sobrevivência
De encontro,
confrontar
A maresia do
abandono
Que
sobrepujando, subestima.
Porquanto há
o resvalar leve
Do olhar
infantil ao perpassar
Fronteiras
adultas ao agregar
Novas
conquistas e livre expressão
Na grandeza
gerada por outros sóis.
Ex-apartados
das vias dos indiferentes
Escorreitos
da burguesia
Rostos de
cegas visões
Conduzentes
de dores e aflições
Garbosos
fingem, nada vêem.
Que não
embacem, prescindam
O desenrolar
invernal
Projetando o
ópio primaveril
Quiçá,
último remanescente do belo
Rumo à
liberdade
Destes, com
gana em combate
Ao triste
assombro da fome.
Quê vibrem
as cadeias estagnadas
Quê soe no
mais longínquo
O grito dos
exilados, segregados
Ao maximizar
abalos no reduto
Dos
embusteiros elegantes
Transporte-os
até ao mendigo
Aquele...
de-por-baixo da ponte.
Por bem os
sonhos emergem
Anárquicos e
abstratos
Ocultos
dentre as selvas sombrias
Da
desumanidade.
Porquando em
cada lunacão
A névoa
opaca dissipa-se
Ao levante
destemido e rompedor
De cordéis e
armaduras
Nas brechas
da teia...
Deste denso
chão!
GRAÇA FONTIS
RIO DE
JANEIRO, 9/05/2019

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