#POR ONDE SEMPRE CAVALGOU DIADORIM# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: POEMA
A manhã é
tão linda. O sol aquece, iluminando a vida, numinando sonhos e esperanças,
concebendo ideais e utopias outros, gerenciando as trilhas, germinando outras
passagens, paragens... A imagem das flores e os dois pombinhos se beijando, na
amurada de cimento pousados, tocou-me profundo. Pensamentos são voados para
todos os horizontes. Restam-me emoções, sentimentos, sensibilidade,
subjetividade.
A esperança
de alegrias abra o coração,
Revele as
felicidades e os desejos pungentes
de amizade
verdadeira, de
verbo solene
e leve,
Urgente de
verso-uno da entrega plena.
Túbero... o
pleno amor in-esquecível saúde
A presença
da Vida,
Re-versa à
palavra, semente do acróstico,
a semente do
Verbo que se anuncia,
E de baixo
para cima, do berço esplendido aos sois
de alamedas
e becos quotidianos,
Tempos a
glorificarem, os templos na colina,
as
igrejinhas à beira das estradas,
num lugar
silencioso de uma rua, baldios becos de trevas...
Imersas
lembranças...
lembrou-me
início de tarde,
restaurante
de shopping center,
à beira-mar:
almoçávamos
tranquilos e serenos,
jogando
conversa fora, poesia no ar,
"Eu
quero você como eu quero..."
tínhamos
acabado de olhar a película
que iria ser
exibida na "Sala de Projeção",
pedimos
alguém na multidão à espera da
aquisição do
ingresso,
assistir à
película, que tirasse uma foto,
Lírica
imagem de instantes de sensibilidade e liberdade,
visto às
verborréias e falácias de anima e animus conciliados,
o mar
através da vidraça,
um cheiro
marítimo exalava.
E, ao longe,
numa miríade do in-finito,
via-se a
tarde de divina serenidade.
podia-se
Dizer que
velava os sofrimentos
e dores
humanas,
o ossuário
da terra.
A primeira
noite que a fitei,
como as
correntezas que arrastam as plantas,
a valsa nos
levou nos giros seus...
até pensei
ter nos braços uma sonâmbula
e amamos
juntos, sentimos nossos corações
baterem
efusivos de alegrias e felicidades,
sentimos
juntos os mistérios verbis
de ipsis
carências e desejos,
a alma fica
melhor no campo,
o pensamento
indômito,
arrojado
galopa no
sertão.
Nesse grande
sertão por onde
sempre
cavalgou Diadorim...
tive coragem
de amar,
ousei amar
os horizontes,
ousei amar
os homens à distância,
único meio
de o fazer, ousei amar os picadeiros,
"quando
se ria na lona a vida do palhaço",
Em que você
sempre se encenava.
era a
protagonista de meus desejos,
qual nas
estepes o corcel fogoso relincha
e parte
turbulento,
estoso,
solta a crina ao tufão..
Ao verão que
se foi, ao outono chegou...
o pré-nuncio
do inverno.
A chuva
"molha o chão e molha a alma",
"São as
águas ensimesmadas de abril
anunciando o
frio..." - assim dizia o "poetinha", noutras palavras de
março e
águas veraneias,
com a
saudade que sempre nos restou
imersa neste
mar de imensa calma!
De tudo
passa, tudo passa, tudo passa...
O tempo casa
com a terra... A terra une-se ao mundo...
Minh´alma
sussurra o silêncio, dizendo-me "Imagine que esses dois pombinhos são o
amor e a paz se beijando. As éresis do espírito esplendem por todos os
uni-versos a plen-itude, o absoluto. Imagine estes pombinhos sendo o encontro
de todas as nações, todos os povos." Ouço o sussurro, nada digo, nada
penso. Con-templo a imagem.
Mister
sentir sentindo sentir
o sentido do
sentimento de sentir
o verbo
efêmero;
mister
sonhar sonhando sonhar
o sonho dos
brilhos dos ideais,
a regência
do tempo e do nada,
a
concordâncias do ser e das travessias.
São tantos
"nós", tantos elos, koinonia de sonhos e esperanças que o vento leve,
suave, emaranha numa teia fina e frágil. Meus sais!... dois pombinhos amam-se
num beijo, beijam-se de amor e entrega.
Uma criança
fez-se em mim.
#RIODEJANEIRO#,
02 DE MAIO DE 2019#

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