ANA JÚLIA MACHADO ESCRITORA POETISA E CRÍTICA LITERÁRIA ANALISA E INTERPRETA A FENOMENOLOGIA DA MORTE NA PROSA #PROFUNDA ETERNIDADE#
No texto do
escritor Manoel Ferreira Neto #PROFUNDA ETERNIDADE#💫- não deixa de falar no que todos pensamos mas muitos não verbalizam as
suas angústias da morte…uma vez seja quem for sabe o que se passa depois da
morte, mas sabemos que esta é certa, não há como fugir a ela.
No futuro e
o nada - Habitámos, cogitamos e obramos - eis o que é objetivo. E que
fenecemos, não é senão autêntico. As interrogações surgem… Mas, licenciando a
Terra, para onde abalamos? Que seremos depois do fenecimento?
Residiremos
superior ou inferior? Seremos ou não? Ser ou não ser, tal a opção.
Para
eternamente ou para jamais, ou totalidade ou ninharia: Habitaremos
perpetuamente, ou tudo se exterminará de vez? É um tema, que se confere
incessantemente em nossa mente.
Todo homem
prova a indispensabilidade de habitar, de desfrutar, de estimar e ser alegre.
Verbalizai
ao semimorto que ele habitará ainda; que o seu tempo é adiado; pronunciar-lhe
especialmente que será mais ditoso do que acaso o tenha sido, e o seu espírito
exultará.
Mas, de que
ajudariam essas ambições de contentamento, se um suave bafejo pudesse
dilapidá-las?
Existirá
algo mais angustiante do que essa ideia da aniquilação plena? Estimas
fisionomias, intelecto, evolução, erudição laboriosamente alcançadas, tudo
retalhado, tudo sumido! De nada nos ajudaria, logo, qualquer empenho reprimido
do amor, de cansaço para nos enobrecermos, de zelo à razão do aperfeiçoamento,
desde que de tudo isso nada beneficiasse, prevalecendo o entendimento de que
devir mesmo, quiçá, de nada nos cuidaria tudo isso. Se assim fora, a
buena-dicha do humano seria inúmeras vezes deplorável que a do animal, porque
este habita integralmente da atualidade na alegria das suas apetências
palpáveis, sem ambição para o porvir. Profere-nos um oculto instinto, contudo,
que isso não é exequível.
Pela fé em o
nada, o homem centraliza todos os seus entendimentos, infalivelmente, na
existência da actualidade.
Naturalmente
não se compreenderia a inquietação de um porvir que se não aguarda.
Esta
inquietação restrita do presente leva o humano a cogitar em si, de primazia a
tudo: é, pois, o mais eficaz espicaço ao egocentrismo, e o irreligioso é
coerente quando chega à imediata conclusão - Desfrutemos enquanto aqui
residimos; aproveitemos o mais factível, pois que connosco tudo se extingue;
desfrutemos velozmente, porque não sabemos quanto tempo viveremos.
Ainda
importante é esta diferente terminação, aliás mais profundo para a
colectividade…
Aproveitemos
apesar de tudo, desfrutemos de qualquer maneira, cada qual por si, a sorte
neste planeta é do mais engenhoso.
E se o
apreço humanitário retém a alguns seres, que travão existirá para os que
ninharias receiam?
Creem estes
desfechos que os preceitos humanos não entendem senão os inábeis e assim
aplicam toda a sua subtileza no superior meio de a elas se evitarem.
Se existe
teoria leviana e antissocial, é, certamente, o niilismo que espicaça os
autênticos laços de companheirismo e harmonia, em que se constituem as ligações
sociáveis.
Admitamos
que, por uma eventualidade qualquer, toda uma população obtém a convicção de que
em uma semana, num mês, ou num ano será abatido; que nem um só sujeito lhe
resistirá, como de sua vida não resistirá nem um apenas lineamento…
Que
concluirá esse povo sentenciado, esperando o aniquilamento?
Laborará
pela razão do seu aperfeiçoamento, da sua alfabetização? Outorgar-se-á à labuta
para habitar? Honrará os direitos, os proveitos, a existência do seu análogo?
Humilhar-se-á
a qualquer preceito ou domínio por mais válida que seja, mesmo a paternal?
Existirá
para ele, nessa gravidade, qualquer incumbência?
Correto que
não. O que se não dá juntamente, a teoria do niilismo pratica todos os dias
separadamente, pessoalmente.
E se as
conclusões não são funestas tanto quanto poderiam ser, é, em primeiro lugar,
porque na pluralidade dos cépticos existe mais ostentação que real descrença,
mais hesitação que convencimento - tendo eles mais temor do nada do que aspiram
ostentar - o epíteto de almas possantes elogia-lhes a vanglória e o orgulho; em
segundo lugar, porque os cépticos íntegros se enumeram por mínima minoria, e
analisam a sua mágoa os antepassados da ideia oposta, refreados por uma energia
física.
Converta-se,
não impeditivo, plena a descrença da pluralidade, e a colectividade ingressará
em extinção.
Eis ao que
visa a difusão da doutrina niilista.
Fossem,
contudo, quais fossem as suas sequelas, uma vez que se conferisse como
autêntica, seria imprescindível…
O crer na
imortalidade depende sempre das crenças de cada um…e cada um vai tentar viver a
sua existência de acordo com a sua fé…quer se queira ou não…Mas para todos é
uma incógnita a imortalidade e possuir o conhecimento de como viver cada dia…o
ser humano estará eternamente preso naquilo que acredita ou pensa acreditar.
E como
termina o escritor Manoel Ferreira Neto, em um texto mais uma vez brilhante, e
que poucos assumem as suas ânsias em relação à vida e morte e o porvir… “Oh,
como não deveria eu aspirar à imortalidade, ambicionar todas as faculdades do
incógnito, idealizar todos os talentos além do bem e do mal!...”
Ana Júlia
Machado
#PROFUNDA
ETERNIDADE#💫
GRAÇA
FONTIS: PINTURA
Manoel
Ferreira Neto: PROSA
Se a minha
ira sem limites e fronteiras, algum momento inusitado e inédito, destruiu
sepulturas sagradas e proscritas, removeu marcas de porteiras de estradas do
sertão e fez deslizar aos abismos pontes suspensas...
Se o meu
escárnio aos dogmas e preceitos, às hipocrisias e farsas, algum dia,
disseminou, com um bafo palavras fétidas e apodrecidas pelo uso descomunal e
viperino, se cheguei como rajada de ar fresco em manhã de inverno para antigas
e funguentas câmaras tumulares...
Se a minha
indiferença aos pensares e agires das lídimas posturas e condutas, às finesses
e diplomacias da moral e ética que conservam as relações de amizade e
reconhecimento entre os homens, entre os doutos ou simplesmente atoleimados...
Se a minha
náusea aos valores que atravessam as eras, gerações, tempos, e asseguram o
bem-estar, a tranquilidade, a morte serena e suave, sastreiam a liberdade
ilimitada e consciência inconteste...
Se a minha
desconfiança à pureza dos sentimentos que tecem a profundidade abismática do
ser, que alinhavam os mistérios e enigmas das contingências da dor e do
sofrimento, dialéticas da verdade e in-verdade...
Se a minha
irreverência com os ideais do caos e do absurdo que encobrem as futilidades e
incapacidades humanas, utopias cristãs e pagãs que elevam a alma aos auspícios
do nonsense....
Se o meu
silêncio incólume ao que nada pode trazer de benefício ou bem-aventurança aos
desejos e vontades do eterno e imortal, ao que não contribui mínimo que seja
para a superação das carências e ausências do sublime...
Se, alegre e
saltitante, me refestelo onde jazem enterrados, quiçá não restando mais único
grânulo de cinza, deuses dos tempos de Zagaia, e batizo o mundo com a água das
sarjetas subterrâneas e venero o mundo ao lado dos monumentos e bustos e
mármore de gênios inconsequentes e decadentes...
Oh, como não
deveria eu aspirar à eternidade, almejar todas as virtudes do desconhecido,
sonhar todos os méritos além do bem e do mal!...
#RIODEJANEIRO#,
30 DE ABRIL DE 2019#

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