**SOLSTÍCIOS DE SOMBRA COMPACTA** GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: PROSA
Deixe limpar
de todas ec-sistências as amargas dores e angústias, náuseas das insanas ações
re-fletidas no espelho de ontem, solstícios de sombra compacta, pagar a
tagarelice da virtude com a tagarelice da glória obtusa de cobre uni-versal,
trovões sobre as abóbodas cintilando verdades cor de enxofre, para que não
re-flitam mais no futuro; no abismo dos sonhos, as entranhas do ser expirando a
decadência ambígua solta aos ventos soprantes, dando vida, de modo oblíquo,
iníquo, alíquo a gritos silenciosos dando voltas ao misterioso fascínio que
re-luz na imagem do tempo da derradeira solidão.
No ar
des-anuviado, a foice da lua, entre rubores purpúreos, verde se insinua e
invejosa ceifa pendentes redes, de rosas brancas e vermelhas, até caírem
pálidas.
De que modo
se distingue qualquer decadência? Por meio daquilo em que a vida já não reside
em sua totalidade. Cada rosto sombra de segredos que se re-velam no ríctus e
nas linhas da face sofrida. A palavra se torna soberana e irrompe para fora da
ausência in-audita, da falta des-conhecida, a ausência ultrapassa e ob-scurece
o verbo do ser, a falta trans-cende e ensimesma á-gonias e nonadas de profecias
da vibração e exuberância da vida comprimida em suas mais ínfimas ramificações,
todo o resto desprovido de vida, todo o resto destituído de coragem.
Noites
quentes feitas de sonho desfeito, tristeza que rasga, aos poucos, as almas das
gentes. Enquanto fogos iluminarão a abóboda azul, viventes beberão a taça que
se erguerá para o brinde do espaço conquistado por mistério do in-finito. O
ritmo do tempo é insignificante para as vidas que se consomem em pregações
sobre os enigmas do equilíbrio, sobre in-auditos da sabedoria.
#RIODEJANEIRO#,
11 DE MARÇO DE 2019#

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