#SÍNCOPE DO TEMPO E DO SILÊNCIO# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: POEMA




Como saber a inocência inteiramente,
e possuí-la sem vislumbre
algum de memória,
sem intromissão
dos seres que a hajam
amado ou rejeitado,
e que,
provavelmente,
tenham sido
com ela saciado a fome
e sede
de
absoluto.
Fosse logo
ao amanhecer
que estivesse
no topo desta montanha,
contemplando o bosque de
areias brancas,
provavelmente
não teria invocado
testemunho invisível
mais sublime
que a comunhão do espírito e dos sonhos.

Ao entardecer,
devendo de imediato
descer a montanha... a noite
já está caindo
sobre o bosque,
brilha o traço de uma lágrima
que se anuncia no rosto
por modelar esta expressão,
este testemunho
da oculta energia
que me vitaliza o ser,
e o entusiasmo de que sou dotado
para todos os esplendores
e
glórias da natureza
que intimamente
habitam-me os recônditos.

Céleres vertentes circunspectivando diademas,
falácias... ...verborréias
do tempo que,
no abismo,
ascende os
ventos
à superfície de
campinas verdes,
às nuvens brancas
que deslizam no celeste espaço
da soleira da montanha,
banhada das águas
...marítimas...
sentimentos vazios de nada
emoções desconexas
de sentido,
alumbrar quimeras e ilusões
eis a
questão

Como a vida me parece grave e bela,
com um sentido
que não adivinhara até então,
mas que existe,
dando cor às arvores e folhas,
às nuvens,
ao vale de areias,
dando tonalidade à grama
viçosa
...e verdejante
do bosque,
a tudo,
enfim,
que res-plandece
...e palpita de in-finito amor,
de uni-versal livre-pensar.
Sinto-me grato por ec-sistir,
e chego a pensar em ajoelhar-me,
e agradecer à Terra-Mãe,
qualquer que Ela seja,
a graça de me ter feito
presente
a todas esses esplendores.

No claro-escuro dos dias,
visto e des-visto
uma série de disfarces,
que,
no entanto,
não escondem
a sempre
presente angústia do Ser
diante do tempo.
O melhor aforismo é sempre
súmula da verdade,
sinopse do verbo de ser,
síncope do tempo
e do silêncio.

Pasmos de avisos da claridade
a recaírem
no que há-de advir,
meditação da realidade
na contiguidade do tempo
que se faz ininterruptamente,
geração da quimera,
aspergir de protótipos,
ânsias,
querer a energia da expectativa,
matriz de mundos,
contaminados de simulacros,
orquídeas cãs
de amplas ópticas
à pesquisa
da claridade
das estâncias da existência,
enredada à contiguidade de existências,
ensaios,
matriz de dilúvios,
gênese de vulcões em erupção,
prenhe do verbo–ser-de-afeições,
ânsia de dita,
o raiar é espanto,
as lâminas de cintilâncias
são
surpresas.

#RIODEJANEIRO#, 09 DE MARÇO DE 2019#

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